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Um tratado sobre o Rio de Janeiro e o "ser" carioca

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Baseado e mantendo partes de um texto MARAVILHOSO sobre a Cidade Maravilhosa, de Antônio Marques, escrevi algumas coisas também em cima.

Eu amo a Europa. Morei na Alemanha, passei um tempo na Espanha, fiz dois cursos em Barcelona, fiz a pé o Camiño de Santiago de Compostela, passei por grandes cidades, vilas, vielas… posso afirmar que conheci mais lugares da Espanha que muitos espanhóis.

Estive em alguns países nas proximidades da Alemanha, como a Holanda, Suíça, Polônia. Fui a Paris e, confesso, achei (o que conheci da Europa) lindo, algumas coisas com problemas e tal, outras coisas feias, pessoas sem educação. Mas a beleza de castelos, paisagens, catedrais, a história que aprendi na escola à minha frente, confesso, me emocionaram. É diferente. A Europa é maravilhosa.

Todavia, o Rio de Janeiro é especial e sempre vai ficar na minha mente e, principalmente, no meu coração. Quando estou fora da cidade, sinto “SAUDADES”.

“SAUDADE”, uma das palavras mais presentes na poesia de amor da Língua Portuguesa e também na música popular. “Saudade” descreve a mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor. A palavra vem do latim “solitas, solitatis” (solidão), na forma arcaica de “soedade, soidade e suidade” e sob influência de “saúde” e “saudar”.

Dizem que a palavra “SAUDADE” só existe na Língua Portuguesa. Até já fizeram uma pesquisa acerca do assunto. A empresa britânica Today Translations promoveu uma listagem das palavras mais difíceis de traduzir adequadamente, onde “Saudade” granjeou o sétimo lugar. A palavra que mais se assemelha é “Hiraeth” do galês e é a única com uma conotação textualmente semelhante.

Bem, o Rio de Janeiro, cidade que nasci, é dos lugares que mais amo. Achei muito bom ter tomado café na Champs-Élysées. Mas ir à praia em Copacabana é charmoso demais, poder ir tomar cerveja de chinelos Havaianas no Leblon e ir a um ensaio de samba numa grande escola na Zona Norte, não passa incólume a ninguém. Sempre vai permanecer a lembrança e o gosto disso.

No Rio existe uma figura única, o Carioca.

Carioca, gentílico do município do Rio de Janeiro, cujo termo vem de duas palavras tupi: kara’iwa (“homem branco”) e oka (“casa”) e juntas querem dizer, obviamente, “casa do homem branco”.

Os índios passaram a usar a expressão logo após a fundação do Rio de Janeiro, para se referir à cidade – mas como apelido para os moradores, o termo só começou a ser usado a partir do século XVIII.

Pois bem, este ser eleva tudo ao expoente máximo ou mínimo. Se alguém fala que a praia é boa, o carioca fala que “é a melhor praia do mundo”. Se falar que algo ou algum lugar é perigoso, ele não nega. Ao contrário, ele diz que é “perigoso pra caralho”.

Carioca trata sua cidade como filho, como uma mãe, como um ente querido e muito próximo. Só nós podemos falar mal.

Cariocas não marcam encontro. Simplesmente se encontram, se esbarram, melhor dizendo.

A confirmação de um convite, no Rio, muitas vezes não quer dizer nada. Se alguém sugere: “Vamos?”, os cariocas abrem um sorriso e respondem: “Bora!”. Mas isso NÃO significa em ter aceitado a sugestão.

Hora marcada no Rio é “lá pelas duas, quatro…” ou então, “por volta de…”. Domingo é domingo, um sagrado dia. “E relaxa, irmão. ‘coé’? Pra que a pressa?”.

Mas, por favor, não entendam isso como irresponsabilidade. Não. Isso de ser irresponsável é energia baixa, ruim. E carioca não se liga em coisas desse tipo.

Em 5 minutos os cariocas já viram amigos de infância, no segundo encontro te abraçam e já te colocam apelidos.

Não te levam pra casa. Não, isso é baixo astral. Te convidam pra rua. É curioso, mas é que a “rua” no Rio é tão linda que se trancar em casa é desperdício.

Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso. São livres, desprovidos de qualquer senso de sofisticação obrigatória. Vão a Shopping Centers de tênis, de camiseta e não estão nem aí. Pra que se preocupar com coisas pequenas?

“Pô”, “Coé, cumpadi? (abreviações de “poxa”, “qual é”, “como é” e “compadre”, que também pode significar “irmão”) são termos que abrem muitas frases na cidade. Tenho receio, inclusive, que algum dia, numa missa em uma igreja, um padre inicie o ritual com: “Pô, coé? Bora rezar? Pai nosso que estais…”.

Cariocas são tidos como “pouco competitivos”. E isso é bom até. Afinal, competir o tempo todo cansa.

É engraçado ver e ouvir o carioca defendendo o clube rival pelo mero orgulho de dizer que “o futebol do Rio” vai bem. Eles nem percebem mas, às vezes, se protegem.

Cariocas amam isso. É impressionante.

Carioca é o povo mais brasileiro que há, mas que é tão orgulhoso do que é que nem parece brasileiro. Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”. Papudos, malandros, invocados. Faaaaalam muito. Mas isso não é problema, sabem que estão exagerando. E daí?

No Rio, se cair uma chuva, mesmo que fraquinha é motivo de se tirar o casaco do armário e vestir. Se bobear até o queixo treme. Carioca acha que sabe o que é frio. E fazem fondue com 20 graus! Eu senti o frio de perto. Peguei menos oito graus (– 8°), na Alemanha. Os sorvetes eram guardados, por falta de espaço na geladeira, durante o natal, no lado de fora, ao ar livre, da casa.

Cariocas, “já nascem bambas”. A palavra “relax” é muito bem empregada no Rio e aos cariocas. Na Cidade Maravilhosa tudo é absolutamente pessoal e informal. Se ele gostar de você, te atende bem. Se não, não.

Tá com pressa? Vai se irritar. Cariocas não têm pressa pra nada.

Sabe aquela garota gostosa que sabe que é gostosa? Cariocas sabem onde moram.

O bairrismo, no Rio, é único. Nem separatista, nem coitadinho. Apenas orgulhoso. Ao invés de odiar um estado vizinho, o sacaneiam e se escangalham de rir de quem se ofende.

Cariocas têm vocação e atestado para serem felizes. São tradicionais, não gostam que o mundo evolua. Um novo prédio no lugar daquele casarão antigo não é visto como progresso, mas sim com saudades.

São folgados. Juram ser o povo mais sortudo do mundo. E quem vai dizer que não?

No Rio você vira até mais religioso. Sabe aquele Cristo que te olha todo santo dia, de braços abertos? Pois é, não dá. Você começa a gostar do cara.

E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada. O Rio que trabalha vira uma cidade de férias. As roupas somem, aparecem os sorrisos à toa, o sol, o futebol, o samba, o Rio.

Já ouvi um cara dizer que “o Rio é uma mentira bem contada pela mídia”. Ele era paulista, não gostava do Rio, jamais tinha visitado a cidade mas, mesmo assim, detestava. Esse é um cara esperto. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele. É a única maneira de manter sua opinião.

Em quase toda grande cidade que vou noto uma força extrema para fazer o turista se sentir em casa. Um italiano em São Paulo está na Itália dependendo de onde for. Um japonês, idem. Um argentino vai a restaurantes e ambientes argentinos em qualquer grande cidade. No Rio de Janeiro ninguém te dá o que você já tem. Ou você vira “carioca” ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.

Não é verdade que são preconceituosos. É preciso entender que o carioca não se diz carioca por nascer aqui. Carioca é um perfil. Renato Gaúcho, o jogador de futebol, é um dos caras mais cariocas do mundo.

Cariocas têm todo um ritual, um jeitinho de se aproximar. Cariocas chamam o garçom pelo nome, os colegas de “irmão”. Sorri e abraça quando encontra. Cariocas amam festas. Adoram estar em bandos. E se você for convidado(a) para alguma coisa por um carioca, aceite o convite, mesmo que você não vá.

Por isso continuo convidando pessoas de fora do Rio e do Brasil a conhecerem a minha cidade. Convido e sou um excelente cicerone. Recebo, assim como o Cristo, de braços abertos e ainda coloco um sincero sorriso no rosto. Convido gente que gosto: espanhóis, alemães, americanos, etc., a se tornarem cariocas por uns dias, (ou para sempre, se assim desejarem) ao visitarem a Cidade Maravilhosa. E quando um deles, uma dessas pessoas queridas não vêm, assim como o Cristo, fico triste (sempre imaginei o Cristo Redentor triste quando alguém deixa a cidade ou não o visitam). Pois se o carioca gosta, gosta. Se não gosta, não gosta e nem convida.

Uma dica: faça planos para amanhã, esqueça-os 10 minutos depois. Faça amigos, o máximo de amigos que conseguir.

Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica. E quanto mais carioca você é, mais você ama o Rio. Mais sente SAUDADES.

É bom demais olhar pra frente e não ver onde a cidade acaba. Gosto da sensação de sol no rosto, de abraços, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.

Gosto da simplicidade e da informalidade que aproxima o carioca do amadorismo. Mas quem falou que a vida tem que ser profissional?

Não!! A vida tem que ser gostosa.

E de gostosas, convenhamos, o Rio tá cheio.

Opa! Desculpem senhoras, senhoritas! Escapou.

Partiu! Abração, merrrrmão!

Suco de Melancia + Mamão + Goiaba
Receita de um suco maravilhoso. Na verdade ele parece mais uma vitamina, dada a consistência! Recomendo para uma refeição doce!

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Ingredientes:
1/4 de melancia*
1 mamão papaia
1 goiaba vermelha grande

 

Modo de preparo:
Descasque o mamão e a goiaba, coloque no liquidificador. Pique a melancia e adicione junto.
Bata tudo e coe numa peneira não muito fina, ou até mesmo em um pano de prato, para que, assim, preserve as fibras do mamão e da goiaba.

Curta seu suco!

 

Aqui, dando uma dica de consumo na Dieta Gracie, você pode adicionar uma tapioca com requeijão ou queijo branco, todos os elementos do suco estão no Grupo C e mais um do Grupo B (tapioca).

Bom apetite!

 

*Segundo Carlos Gracie, a melancia deve ser coada para o consumo. Ele afirmava que o bagaço da fruta não é digestivo, sendo assim, pode haver a fermentação. Sobre isso, falamos nas primeiras postagens neste blog.

A melancia é uma poderosa arma contra doenças no coração. A fruta que é muito popular na Dieta Gracie, é conhecida por ter baixa caloria e ser rica em fibras e nutrientes, além de ajudar a reduzir a pressão arterial, graças a um aminoácido que causa um efeito vasodilatador e pode prevenir a evolução de pré-hipertensão para hipertensão, um fator de risco para ataques cardíacos.

A melancia traz outros benefícios para a saúde. Ela possui uma substância chamada glutationa, que é um potente antioxidante. A melancia também é rica em vitamina A, B, C e sais minerais como: ferro, fósforo e cálcio. A fruta apresenta muita água na sua composição e por essa razão é um excelente diurético, interessante para quem tem hipertensão ou reumatismo, por exemplo. Possui hidratos de carbono, betacaroteno, vitaminas A, B e C.

Também apresenta cálcio, fósforo, ferro e muita água. O licopeno e a glutationa, compostos que a melancia possui em abundância e que são responsáveis por proteger o organismo contra o cancro e a oxidação celular. É recomendada para quem tem pressão alta, reumatismo ou gota. O suco de melancia provoca eliminação de ácido úrico, além de limpar o estômago e o intestino; também é eficaz no tratamento da acidez estomacal, obesidade, bronquites crônicas, problemas de boca e garganta.

 

Fontes: A Dieta Gracie, Adriana Gracie e Marco Gracie Imperial

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Sobre Kiko Oliveira (17 Artigos)
Carioca, curioso, ator, diretor teatral, estudante de Tarô, estudioso da gastronomia, baterista e percussionista, além de praticante de Jiu Jitsu