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Enlace, o segundo disco do goiano Chal é altamente recomendado para ouvidos antenados

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Embora o estado de Goiás seja conhecido nacionalmente como um celeiro de duplas sertanejas, é um alento aos ouvidos saber que nem só de chapéus de vaqueiros, cinto com fivelas enormes e calças apertadas vive àquela região. Quando tomei contato com o trabalho do goiano Chal, fiquei feliz em saber que ele é desses artistas que nadam contra a corrente e, em seu segundo álbum, solidifica sua veia musical distinta alicerçada de boas e saudáveis influências.

Em Enlace, título que batiza o novo CD, Chal saúda a beleza da natureza e nos brinda com 11 canções próprias e um cover de O Cio da Terra, composta nos anos 1970 por Milton Nascimento e Chico Buarque. Todos os arranjos estão permeados de folk com pitadas de jazz e blues. Nas entrelinhas o som remete a Bob Dylan, Crosby, Stills & Nash, talvez Neil Young, sem esquecer da turma do Clube da Esquina e Almir Sater.

Gravado na Toca do Bandido, Enlace tem produção de Felipe Rodarte e direção artística de Constança Scofield. Para abrilhantar ainda mais o álbum, Chal é acompanhado nas faixas do disco por uma turma da pesada, músicos tarimbados que já deixaram seus nomes na história da música brasileira, como o guitarrista Fernando Magalhães e o baixista e compositor Rodrigo Santos (ambos do Barão Vermelho), o baterista Kadu Menezes e o tecladista Sergio Villarin.

De requintado timbre grave, em uma ambiência onde Renato Russo e Frejat se encontram, Chal dá voz e identidade às canções compostas em sua maioria no ano de 2012. “Às vezes demoro bastante para compor uma música, outras vezes não, parece que vem pronto”, diz.

Canções como “Cobrei Ajuda”, “Faraó Menino”, “Lobo Solitário” e “Fio da Navalha” estão imbuídas de elementos que formaram Chal. O contato com a natureza, o chão, o campo, o fogo, o sal, está tudo registrado em Enlace e, por isso mesmo, a versão de Cio da Terra, onde o músico divide os vocais com Luis Carlos Sá (da dupla Sá & Guarabyra) soa tão íntima, pessoal e renovada no registro do álbum.

E como sempre digo, melhor do que ler sobre o trabalho de um músico que tem o que mostrar, é ouvir a sua obra. E Chal oferece o que possui de melhor em suas canções, a sua entrega.

Confira a versão de O Cio da Terra

 E a autoral Faraó Menino

Saiba mais

Com 35 anos, Chal apresenta em sua música memória, afinidade e muito talento. O trabalho autoral começou em 2010, mas a paixão de Gustavo Henrique Bernardes Balduino pela música vem da infância. Toca piano desde os 10 anos de idade. Em 1996, foi tecladista de um grupo cover do Pink Floyd. Depois teve uma banda de new metal.

Em Goiás, participou da banda Humildes Humanos e tentou outras duas formações até chegar à carreira solo e adotar o estilo rock rural, que tem como precursores o trio Sá, Rodrix & Guarabyra e começou no Brasil na década de 70. Na época, já fazia suas próprias composições. “Foi nesse período que percebi que uma viola caipira bem tocada soa como blues. Apesar de escutar rock, cresci indo para a fazenda, gosto de roça”, afirma.

Seu disco de estreia foi o Aonde o Tempo é Solto, em 2014. O álbum incorpora, em suas dez faixas, elementos do country norte-americano, do tradicional folk inglês, do blues e do sertanejo de raiz, apresentando o estilo rock rural do cantor. Os arranjos também impressionam pelo modo como são colocados os instrumentos eletrônicos, como a guitarra, e os orgânicos, como o chicote, em uma miscelânea de estilos que soa interessante.

Além destes trabalhos autorais, Chal acumula experiência nos palcos. Já se apresentou em diversas cidades, além de Goiânia, sempre com repertório em português e inglês, músicas antológicas de blues, rock, country e rock rural. No último trabalho, consolida a parceria com o estúdio Toca do Bandido, do Rio de Janeiro.

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Jornalista, blogueiro, letrista, cantor em uma banda de rock, fã de música, quadrinhos e cinema