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Conheça as origens da expressão "uai" dita em Minas Gerais

Minas

Semana retrasada estive em Belo Horizonte-MG. A cidade ferve no quesito cultura e é uma tentação no gastronômico. Minha mãe é mineira, além de quase toda parte materna. Os mineiros têm uma maneira bem peculiar em se comunicar, um sotaque delicioso de se ouvir e, alguns, mais que outros. E, assim como alguns cariocas que juntam duas palavras e formam uma única (Ex.: Meu irmão, em carioquês, vira: “mermão”), acabam por formar um dialeto.

Existem algumas frases que alguns deles fazem questão de mostrar com muito bom humor. Gostei muito dessa:

Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando uma pincumel e cuzinhando um kidicarne cumastumate pra faze uma macarronada cum galinhassada. Quascaí de susto quanduvi um barui vinde denduforno parecenum tidiguerra. A receita mandopô midipipoca denda galinha prassá. O forno isquentô, o mistorô e o fiofó da galinhispludiu! Nossinhora! Fiquei branco quinein um lidileite. Foi um trem doidimais, sô! Quascai dendapia! Fiquei sensabê doncovim, noncotô, proncovô. Ópcevê quilocura! Gazadeus ninguém semaxucô.

Que, “traduzindo”, seria… Ah, não precisa, vá!

E tem uma expressão, para mim a mais conhecida e usada pelos mineiros, que é “UAI!”

uai

ORIGEM DA EXPRESSÃO MINEIRA “UAI“

Os bons dicionários e gramáticas do ramo costumam dizer da expressão “uai”, com pequenas variações, mais ou menos o seguinte: trata-se de uma interjeição usada para exprimir surpresa, espanto, susto, impaciência, terror ou admiração, ou ainda para reforçar o que se disse antes; que é usada no Brasil, sobretudo em Minas Gerais, e também em Portugal, na ilha dos Açores, onde equivale a duas outras interjeições: «Ah!» e «Oh!»

Uma interjeição, «é uma espécie de grito com que traduzimos de modo vivo as nossas emoções». Muitas vezes, são formadas por onomatopeias – o nome dado àquelas tentativas de fazer com que a palavra imite um som.

Acredita-se que a origem do «uai» estaria na fusão das interjeições opa! (ou upa!)+ôi+ai, que aparecem assim juntinhas, por exemplo, na página 353 de Sagarana, o grande (em todos os sentidos) romance do escritor mineiro João Guimarães Rosa.

A essa hipótese podemos juntar outra. A que, um professor mineiro, defendeu no V Congresso de Ciências Humanas, Letras e Artes, realizado na Universidade Federal de Ouro Preto, em Agosto de 2001.

Segundo ele, tudo começou quando um vilarejo chamado Gongo Soco, onde se explorava ouro, foi comprado pela “Imperial Brazilian Mining Association”, o que resultou na instalação da primeira empresa britânica em Minas Gerais. Durante as quase três décadas, de 1824 a 1856, em que os ingleses ali estiveram Gongo Seco, afirma o professor, foi transformado numa autêntica vila inglesa. E passo a citá-lo:

«Pode ser atribuída ao convívio com esses e outros ingleses que residiram na província a utilização por parte dos mineiros da interjeição “Uai!” (que exprime surpresa e/ou espanto), a qual possui semelhanças fonéticas e semânticas com o vocábulo “Why” utilizado na língua inglesa com o mesmo sentido do nosso “por quê?”, ou como interjeição, assumindo, neste caso, o mesmo sentido do Uai mineiro. Notemos que o Uai mineiro e o “Why” britânico possuem a mesma representação fonética; e notemos ainda que o “uai” é a expressão da língua portuguesa falada no Brasil que mais se relaciona com a identidade mineira.»

Os ingleses foram embora, mas o Uai nacionalizou-se. Ou melhor, mineirizou-se. Segundo o prescrito nas noções de Minerês para “estrangeiros”, «Uai é indispensável, significa nada e tudo ao mesmo tempo. Tudo “depende do contexto e da entonação.»

Entretanto, existe outra versão do “Uai”:

O material foi publicado no Jornal Correio Brasiliense.

Uai

O bom disso tudo, além de decifrar certas expressões, é saber que Minas existe e que o povo de lá é muito receptivo, além de o estado ter lindas cidades, como Mariana, Belo Horizonte, Ouro Preto, Sabará, entre outras. Ah, Minas é bom “purdimais”!

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Sobre Kiko Oliveira (17 Artigos)
Carioca, curioso, ator, diretor teatral, estudante de Tarô, estudioso da gastronomia, baterista e percussionista, além de praticante de Jiu Jitsu