Leia também

As sete vidas dos gatos – Coluna Vertebral #09 com Kiko Oliveira

Descubra a origem do mito

Gato 1

Faaaaala, galera!!!

Nesta semana rolou um vídeo de um flagrante no Rio de Janeiro. Os bombeiros do bairro de Vila Isabel – terra de Noel Rosa que escreveu: “… Pra depois ficar dizendo que a sorte não lhe ajudou. Pra depois ficar dizendo, soluçando e gemendo que a sorte não lhe ajudou…” – foram chamados para resgatar um gato que estava pendurado do lado de fora de um prédio, onde vivia – segundo reportagens – com outros 40 bichanos dentro de um apartamento. Um bombeiro fez rapel até a janela que o animal estava, mas como a situação era inusitada e o bicho estava, lógico, assustado, foi criada a confusão. O gato, no ato da tentativa de ser pego, caiu, com a ajuda da sorte, em cima de um aparelho de ar condicionado, alguns andares abaixo. Logo depois, numa outra tentativa de resgate, o bicho despencou. Porém havia, lá embaixo, outros bombeiros com um lençol que conseguiram pegar o felino. Após o resgate, o pobre coitado foi levado para o Quartel dos Bombeiros, segundo informações, com a pata quebrada.
Pois bem, ele deve ter gasto, pelo menos, cinco das sete vidas que possui.
Mas de onde vem esse papo de que gatos têm sete vidas?

Há algumas sugestões para tal indagação. Mas vou escrever sobre uma, que achei interessante.

Dizem que esse papo começou na Santa inquisição, onde além de bruxas, magos, ruivos, homossexuais, judeus e muçulmanos, os gatos também eram considerados coisa do cramunhão.

O Papa Gregório IX, que fundou a Santa Inquisição em 1232, afirmava na bula Vox in Roma que o diabólico gato preto, “cor do mal e da vergonha”, tinha vindo ao mundo para a infelicidade dos homens. O preconceito com cores vem de longe. Como os druidas e bruxos viviam isolados e rodeados por muitos gatos, a Igreja começou a associar os gatos às trevas, devido aos seus hábitos noturnos, e afirmava terem parte com o demo, principalmente os de cor preta (olha aí a boçalidade). E a única forma de acabar com os gatos pretos era acabar com TODOS os gatos.

Por mais que eles tentassem exterminar os animais, eles continuavam rondando e ronronando por lá, já que os amantes dos felinos criavam gatos em segredo, impedindo que a espécie desaparecesse. Foi assim que os inquisidores tiveram ainda mais certeza de que “miau” era canto do demônio e que por isso, teriam 7 vidas.

Mesmo com muitos protetores, foi inevitável que a quantidade de gatos diminuísse drasticamente. E, de acordo com muitos historiadores, este fato está diretamente ligado à maior pandemia de Peste Bubônica da história. Também conhecida como Peste Negra, que dizimou mais de um terço da população européia entre os anos 1347 e 1350. Ela era causada pela bactéria Yersinia pestis, residente na pulga Xenopsylla cheopis que por sua vez habitava no rato preto indiano Rattus rattus.

A recuperação da população de gatos teria sido decisiva para o controle da peste, mas há estudiosos que discordem do fato.

Mas, por que sete e não outro número? O curioso é que a quantidade de vidas varia de uma parte do planeta para outra. Nos países de língua inglesa são nove, em vez de sete vidas. Os dois números têm um significado místico especial em diversas culturas e religiões. Na cabala, o sete é um dos algarismos de maior potência mágica e o nove não fica atrás, representando a vida e a abundância.

Em 1584, no livro Beware the Cat (Cuidado com o gato), o escritor inglês William Baldwin dizia que “é permitido às bruxas possuírem o corpo do seu gato por nove vezes”. Outro inglês, John Heywood, reuniu, em 1546, uma coletânea de provérbios, dos quais um dizia que “a mulher, assim como o gato, tem nove vidas”. Já os árabes e turcos nada tinham contra os gatos (Maomé vivia cercado deles) e seus provérbios falam em sete vidas. É provável que tenham passado essa versão para espanhóis e portugueses na ocupação da Península Ibérica pelos mouros – que teve início no século VIII e durou quase 800 anos. A partir de Portugal, o mito das sete vidas felinas logo chegou ao Brasil.

Valeu!!!!

clique aqui e veja o vídeo do resgate do gato-aranha, no site da Globo

Comentários

comentários


Sobre Sal (292 Artigos)
Jornalista, blogueiro, letrista, cantor em uma banda de rock, fã de música, quadrinhos e cinema