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Vassoura atrás da porta para espantar visita chata – Coluna Vertebral #11

Coluna Vertebral 11

Salve, salve!

Ontem ouvi uma conversa entre duas pessoas. Uma delas disse que estava com visita em casa havia uma semana e já não aguentava mais, que a pessoa não se tocava para ir embora e que já não sabia mais o que fazer. Foi quando a outra pessoa lhe disse que havia uma maneira, um costume que, segundo ela, funcionava que era uma beleza. A primeira muito curiosa quis saber o que deveria fazer. Então lhe foi explicado que ela deveria colocar uma vassoura virada atrás da porta e que aquilo seria tiro e queda.

Bem, não sei se tal gesto deu resultado, mas como já ouço sobre isso desde criança, resolvi pesquisar sobre essa e sua origem. Eis que…

Alguns acreditam que este mito vem do povo europeu: para afastar Silvanus – um deus que assombrava as casas dos moradores dos campos -, três objetos deveriam ser colocados em lugares visíveis. Os objetos eram um machado, uma mão de pilão e uma vassoura, representando três deuses rurais que iriam socorrer a família ameaçada. Também diz a lenda que a vassoura atrás da porta espanta as bruxas.

Outra versão diz que essa crença surgiu na Idade Média, entre os populares, devido à associação da figura da bruxa com o objeto. A vassoura era a forma que as bruxas tinham de invocar proteção e camuflar seus poderes. Outro possível motivo para o surgimento da superstição é o fato de a vassoura ser um instrumento de limpeza. Nesse caso, ela estaria relacionada também à purificação energética, espiritual, emocional ou psíquica do ambiente. E sua colocação atrás da porta da casa, que simboliza o local que divide a energia externa e a interna, traria proteção aos moradores. Com isso, a vassoura serviria para afastar tudo aquilo que não desejamos.

Ainda sobre a vassoura, divido um “causo” agora com vocês:

Um dia, passeando por uma rua perto de casa, vi uma vassoura virada ao contrário ao lado da porta de entrada de uma outra casa, e fiquei me perguntando o motivo daquilo. A dona da casa estava trabalhando na porta, preparando as janelas com enfeites para o Natal, tive vontade, mas não perguntei o significado da vassoura virada de cabo para baixo com medo dela não entender tal curiosidade. A vassoura está assim já há vários dias, vai ver é parte da decoração.

Fiquei meio bolado com a razão da ‘invertida’, chamei minha prima e ela me respondeu: “É vero! Sempre soube que vassoura atrás da porta é para fazer visita ir embora. Bom, acho que ela quis juntar a comemoração de Natal com a anterior: o Haloween”.

Ao que um camarada meu acrescentou: “História interessante essa, mas será que era mesmo por isso que a vizinha tinha uma vassoura virada? Só para constar, tem outra ‘receitinha’ para espantar as visitas, muito mais discreta aliás: dê um nó em um pano de prato e jogue dentro do forno (desligado, obviamente)”. E dessa do pano de prato, pergunto-me se o nó teria de ser cego ou especial e o porquê do forno? Não serviria o refrigerador? E o que ocorreria se ao invés de um nó só déssemos dois e bem apertados?

Nesse meio tempo chegou minha vizinha com uma receita literária: “Um dos meus cunhados tinha se mudado para a capital e recebia muitas visitas interesseiras que vinham do interior. Ele descobriu uma forma muito eficaz de espantar os chatos. Pegava o volumaço de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo Mann e dizia ao outro, abrindo em qualquer parte: “escuta como isso é interessante” e se botava a ler tranquilamente. O chato não demorava a se mexer e dar o fora”.

“Boa!”, estava eu pensando nesta história quando Sônia, uma conhecida, mandou essa: “Na Bahia também é assim com a vassoura, porém o sal no fogo é imbatível”. Fiquei pensando… como posso jogar o Sal no fogo? O cara é meu amigo, meu irmão. Não posso, de jeito nenhum. Mas a Aline, a atendente da padaria da minha esquina, fez a pergunta crucial: “Quem será que inventou essa da vassoura, hein? Quando era pequena também ouvia isso”, e trouxe outra receita, “espetar um garfo atrás da porta também resolve”.

“Espetar um garfo atrás da porta?”, pensei comigo, “Mas nem toda porta se pode espetar, não é mesmo?” Então veio o André Pescoço me tirar do intento quase malígno e trouxe-me à razão: “Minha mãe também contava esta história da vassoura. Infelizmente não funciona, ela bem que tentou com um cara chatíssimo que, em pé à porta, dizia que estava indo embora e começava a contar um caso novo!“.

“Olha, isso funciona mesmo. Sério.”, retrucou Dona Maria, minha mãe… Pedro Cintra confirmou e a comadre Verônica também. E quando eu já estava pensando em dar nó no causo e deixar a vassoura pra lá, Rogério, o vendedor de gás pronunciou-se: “Mas eu lembrei de uma coisa… que a maneira de GUARDAR a vassoura para não entortar as cerdas ou a palha é virando-as para cima. Deve ser por isso que a tal senhora a mantém sempre assim. Então, pessoal, isso eu também aprendi: após usar a vassoura guardá-la de cabo para baixo. Há umas que já vêm com um gancho para pendurar, pelo mesmo motivo”.

E daí eu disse: “Sim, as pessoas guardam as vassouras desse modo, mas geralmente no quintal ou dentro de casa. Acho que a teoria da decoração do Dia das Bruxas é mais provável, ou quem sabe, ela esqueceu. Um dia tomo coragem e pergunto, o mistério da vassoura virada de cabo para baixo e ao lado da porta de entrada há de se resolver! ”.

E resolveu-se mesmo, pois poucos dias depois, perguntei não à mulher, mas ao marido: “E essa vassoura aí?”. E ele respondeu: “Ah, é minha sogra de visita”. Olhou pra mim e sorriu ironicamente.

Não entendi até agora se ele quis dizer que era para ela, a sogra, ir embora ou se ela havia chegado no objeto.

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Sobre Kiko Oliveira (17 Artigos)
Carioca, curioso, ator, diretor teatral, estudante de Tarô, estudioso da gastronomia, baterista e percussionista, além de praticante de Jiu Jitsu