Ainda Somos Os Mesmos – Novas bandas prestam tributo a clássicos compostos por Belchior

Para esse post eu tentei, sem sucesso, entrar em contato com Belchior, mas ele continua exilado de sua persona e do mundo, enfim… De qualquer maneira, o músico Cearense voltou a mídia musical essa semana, por conta de um tributo, mais que merecido, onde artistas novos, como Nevilton, Bruno Souto, Marcelo Perdido e outros, relêem as faixas que compõem o clássico Alucinação, lançado por Belchior em 1976. Músicas geniais composta em uma época em que a MPB navegava em águas mais limpas, como Apenas Um Rapaz Latino Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, A Palo Seco, Como o Diabo Gosta, estão presentes em regravações que ora se afasta bastante da versão original, ora remete a versão de Belchior

O bacana da novidade é que ela está disponível para audição e download e tem como bônus o EP Entre o Sonho e o Som, com outras cinco músicas do cantor sumido. O interessante do registro é justamente a identidade que cada artista imprime nas faixas, seja na inventividade do som, seja na desconstrução da música. Não vou elencar aqui as que eu achei mais legal e saliento que sigo com as músicas originais lançadas originalmente por Belchior, mas acho muito válido a homenagem e é uma ótima oportunidade para uma galera entrar em contato com as canções do cearense pela primeira vez.

Capa EP Entre o Sonho e o Som (2014)
Capa EP Entre o Sonho e o Som (2014)

Set List do álbum + EP

Álbum: Ainda Somos os Mesmos
1- Dario Julio & Os Franciscanos – “Apenas Um Rapaz Latino Americano”
2- Manoel Magalhães – “Velha Roupa Colorida”
3- Phillip Long – “Como Nossos Pais”
4- Nevilton – “Sujeito de Sorte”
5- Lucas Vasconcellos – “Como o Diabo Gosta”
6- Bruno Souto – “Alucinação”
7- Lemoskine – “Não Leve Flores”
8- Fábrica – “A Palo Seco”
9- Transmissor – “Fotografia 3×4?
10- Marcelo Perdido – “Antes do Fim”

EP Bônus: Entre o Sonho e o Som
1- nana – “Coração Selvagem”
2- Jomar Schrank – “Comentário a respeito de John”
3- Ricardo Gameiro – “Medo de Avião”
4- João Erbetta – “Paralelas”
5- The Baggios – “Todo Sujo de Batom”

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G.U.Y. Novo vídeo de Lady Gaga traz referências a Jesus Cristo, Gandhi e Michael Jackson, Lego, Minecraft e Mitologia Antiga

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Fotografia e edição caprichada, coreografias bem ensaiadas, roupas esquisitas e o estilo excêntrico da cantora… Está tudo lá, no novo clipe da cantora e compositora Lady Gaga, para a música G.U.Y., lançado oficialmente no último sábado e que integra o álbum Artpop.

Com aproximadamente sete minutos de duração, o clipe inicia com Gaga encarnando uma espécie de anjo, ferido por uma flecha em meio a um caos de “executivos”em busca de $$$$. Mesmo ferida a personagem chega a um castelo e se transforma em Afrodite. Recuperada e já com certa influência no Olimpo, o plano é repovoar a terra com clones obtidos através da combinação de DNA de Michael Jackson, Jesus Cristo e Gandhi.

O vídeo conta ainda com as presenças do elenco da série The Real Housewives of Beverly Hills e do criador do jogo Minecraft. Segundo Lady Gaga, tanto a série quanto o jogo foram grandes companhias no período em que ela ficou internada no hospital para se recuperar da lesão que sofreu no quadril ano passado.

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Filmado em sua maior parte Hearst Castle, na Califórnia, nos Estados Unidos, o clipe foi dirigido pela própria Gaga, que troca de figurino 16 vezes e passa por 13 cenários diferentes, sem contar dezenas de bailarinos e figurantes. O clipe ainda apresenta duas músicas além de G.U.Y. No começo, enquanto ela está de anjo ferido toca Artpop, depois quando está em frente ao castelo para ser resgatada toca Venus e nos créditos finais a canção é Manicure.

Confira a letra e a tradução aqui

Top 10 – Discos de Vinil Nacionais

Cresci na transição do analógico para o digital e considero isso uma questão muito positiva. Ao mesmo tempo em que aprecio as maravilhas desse mundo novo que a Internet nos proporciona, onde entro em  contato com uma gama de informações que jamais poderia sonhar nos idos de 1980, por exemplo, aprendi também o valor de se apreciar música de qualidade, com calma. Sou da época dos discos de vinil (pré-MP3), onde um álbum era sorvido faixa a faixa, os dois lados do disco. Lia todo o encarte com a ficha técnica, as letras, os compositores. Hoje tudo é muito corrido e dificilmente me sobra tempo para esse “antigo” ritual, mas sempre que possível ouço um álbum na íntegra, como nos velhos tempos. Dito isto, selecionei 10 discos nacionais que me influenciaram e ajudaram a moldar o que sou hoje. Abaixo estão os MEUS melhores discos (nacionais e internacionais) e que, se eu fosse você, não deixaria de ouvir.

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura - Pitadas do Sal
Roberto Carlos em Ritmo de Aventura – 1967

Trilha sonora do filme homônimo, estrelado por Roberto Carlos, esse disco fez parte da minha formação musical, na década de 1970, junto a outros discos do Rei. Esse marcou pela qualidade das músicas, o ritmo das canções e, claro, por remeter as cenas do filme, “inspirado” em Os Reis do Iê-Iê-Iê e Help!, dos Beatles. Roberto Carlos em Ritmo de Aventura contém os clássicos “Como é Grande o Meu Amor Por Você“, “Eu Sou Terrível“, “Quando“, “Por Isso Corro Demais” e “Você Não Serve Pra Mim“.

A Arte de Caetano Veloso - Pitadas do Sal
A Arte de Caetano Veloso (Coetânea) – 1975

Essa coletânea de Caetano Veloso, lançado em meados da década de 1970, foi inserida em meu lar, ao lado de uma coletânea no mesmo estilo de Gilberto Gil, por meu pai. Ao lado dos discos do Roberto Carlos, essa coletânea rodou muitas vezes na agulha da minha vitrola portátil da Philips, presente de aniversário de minha mãe. Lembro que ouvia e me identificava mais com as canções de Caetano Veloso, que as do Gil. Com essa coletânea dupla tomei contato, conscientemente, com clássicos como “London, London“, “Alegria, Alegria“, “Tropicália“, “Baby“, “Não Identificado“, entre outros…

As Aventuras da Blitz - 1982
As Aventuras da Blitz – 1982

Ouvi “Você Não Soube Me Amar” pela primeira vez no verão de 1982, em um radinho de pilha de um colega que morava em frente a minha casa, no subúrbio do Rio de Janeiro. Passava das 18 horas e lembro que fui contagiado com algo diferente. Poucas vezes eu me emocionei tanto com uma música nova. “Eu tinha 12 anos e ainda me lembro do dia…”. Algumas semanas depois eu ganhei o compacto com a icônica canção, brinde de uma promoção do shampoo Wella Seleção. Quando finalmente o primeiro LP da Blitz foi lançado, no segundo semestre do ano, meu pai me presenteou, comprando-o na extinta Mesbla. Recordo com muita clareza a primeira audição. “Salve, salve senhoras e senhores e rapaziada em geral (aumentem o som)…”, eram os primeiro versos da música de abertura, “Blitz Cabeluda“. Perdi as contas de quantas vezes ouvi o disco naquela semana. Esse, sem dúvida, foi o disco mais influente em minha vida. Posso afirmar com certeza que por conta dele, e da própria banda, lógico, eu “aprendi” a tocar gaita, estudei teatro no O Tablado, tive algumas bandas pelo Rio e fora dele e passei a “aperfeiçoar” meu gosto musical com o som produzido pelas bandas dos anos 1980 e os artistas que as influenciaram. Sem contar que esse álbum foi responsável pela “abertura” das portas das gravadoras para vários outros artistas que vieram na cola da Blitz, como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e Barão Vermelho.  Um marco.

Cenas de Cinema - Pitadas do Sal
Lobão – Cenas de Cinema – 1982

Logo após gravar o primeiro LP da Blitz como baterista, Lobão nem esperou o lançamento do disco e tratou de correr atrás de seu próprio álbum solo, já gravado previamente com a colaboração de luxuosos amigos como Lulu Santos, Ricardo Barreto, Marcelo Sussekind, Marina Lima e Ritchie. A música que dá nome ao disco, “Cena de Cinema” e  “Doce da Vida” tocaram razoavelmente bem na Rádio Fluminense, mas o disco vendeu próximo de 6 mil cópias apenas, saindo em seguida de catálogo. Cena de Cinema é um clássico para mim e um dos discos mais subestimados dos anos 1980. O vinil, assim como a edição em CD lançada em 1991, são raridades. O primeiro mais do que o segundo. Eu tenho os dois. 😉

Barão Vermelho 1982 - Pitadas do Sal
Barão Vermelho – 1982

Batizado simplesmente como Barão Vermelho, o primeiro LP da banda é o meu preferido nacional, “ever”. Rock puro, urgente, com letras inteligentes (hoje consideradas obras-primas). Eu escrevi um post especial para esse disco, que você pode ler clicando aqui.

Vôoa de Coração - Pitadas do Sal
Ritchie – Vôo de Coração – 1983

Vôo de Coração é o nome do primeiro álbum do músico inglês, Ritchie. Lançado em 1983, o disco fez enorme sucesso, com mais de 700 mil cópias vendidas e desbancou o próprio Roberto Carlos das paradas de sucesso daquele ano.O álbum possui os sucessos “Menina Veneno“, “Casanova“, “Pelo Interfone” e “A Vida Tem Dessas Coisas“. Foi gravado com a colaboração de vários amigos do cantor, como Lulu Santos, Lobão, Liminha e Steve Hackett (ex-Genesis). Hoje o disco parece soar datado, já ouvi algumas pessoas que taxam o disco de brega. Nada disso. Na época de seu lançamento, o LP possuía um som moderno, rico, bem produzido e muito bem arranjado. Um disco bem resolvido. Outro clássico subestimado dos anos 1980.

RPM - Revoluções Por Minuto - 1985
RPM – Revoluções Por Minuto – 1985

O pop rock nacional nos anos 1980 pode ser dividido pós e pré RPM. A banda liderada por Paulo Ricardo, principal compositor do grupo, ao lado do tecladista Luiz Schiavon, rompeu várias barreiras no cenário musical brasileiro, não só em vendagens, ultrapassando a marca do milhão de cópias vendidas, mas também na produção e divulgação de um artista. Os shows do RPM se tornaram verdadeiros espetáculos, regados a laser e iluminação comandada por Ney Matogrosso, que também assinava a produção. O primeiro LP, Revoluções por Minuto, traz tudo o que o RPM representou na música brasileira, na segunda metade dos anos 1980. “Louras Geladas“, “Rádio Pirata“, “A Cruz e a Espada“, “Olhar 43“, está tudo lá. O disco figura na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, compilada pela revista Rolling Stones Brasil.

Titãs - Cabeça Dinossauro - 1986
Titãs – Cabeça Dinossauro – 1986

Divisor de águas na carreira do grupo Titãs, Cabeça Dinossauro é um dos melhores discos de rock nacional já lançado. O grupo (mais new-wave nos dois primeiros discos) buscava uma sonoridade própria, única, pesada. Temas como religião, polícia e família ganham registros em forma de punk-rock, funk e reggae. Das 13 faixas do álbum, 11 foram executadas nas rádios, incluindo a censurada “Bichos Escrotos“, com os versos “vão se fuder”. Faz parte desse disco os clássicos dos Titãs: AA-UU; Igreja; Polícia; Estado Violência; Família; Homem Primata e O Quê.

Legião Urbana - Dois
Legião Urbana – Dois – 1986

Contrário a sonoridade pesada do disco dos Titãs, Cabeça Dinossauro, lançado um mês antes, o segundo disco da Legião Urbana mostra um amadurecimento na sonoridade do grupo e uma mudança tão grande, comparado ao disco de estreia da banda, que o lançamento por si só poderia ser considerado arriscado. Mas o que se ouve nas 12 faixas lançadas por Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá é uma canção mais bacana que a outra e a mudança não causou estranheza nos fãs do grupo, tanto que “Dois” vendeu mais que o primeiro álbum. O disco vendeu 1,2 milhões de cópias a época de seu lançamento, alavancando a Legião Urbana para a estratosfera do rock nacional e transformando Renato Russo em “guru” para muitos (não é o meu caso). Clássicos como “Tempo Perdido“; “Quase Sem Querer“; “Índios” e “Eduardo e Mônica” tocaram exaustivamente nas rádios de todo País e são considerados os grandes clássicos da banda, ainda hoje.

A Revolta dos Dandis - Pitadas do Sal
Engenheiros do Hawaii – A Revolta dos Dandis – 1987

O segundo disco dos gaúchos dos Engenheiros do Hawaii, também marca uma mudança na sonoridade da banda, além da mudança na formação do primeiro disco, o Longe Demais das Capitais. Sai Marcelo Pitz, baixista com influência de reggae e ska, som que caracteriza o LP inicial do grupo e entra o guitarrista Augusto Licks, que era da banda de outro gaúcho, o músico Nei Lisboa. Humberto Gessinger, líder e principal compositor assume o baixo e elementos no som da banda evoca alguns dos seus ídolos, como Rush e Pink Floyd, além da estética existencialista das letras de Gessinger, influenciado por Sartre e Camus. A primeira audição, comparado com o que rolava na época, do segundo disco dos Engenheiros não é fácil, e isso foi o que mais me atraiu nele, pois fugia do senso comum das bandas da segunda metade dos anos 1980. Mais lírico, acústico e introspectivo, “A Revolta dos Dândis” nos apresenta canções como “Terra de Gigantes”, a épica “Infinita Highway”, “Refrão de Bolero”; “Vozes” e a canção que viria a batizar o primeiro fã-clube da banda, “Além-dos-Outdoors”, fundado por mim e meus amigos de adolescência Egon, Beto e Kiko.

Foi no lançamento desse disco, em fev/mar de 1988, que eu realizei um sonho de garoto, subir no palco com uma banda e encarar uma platéia. No auge dos meus 17 anos, eu acompanhei o power trio no palco do Teatro Ipanema, no RJ, tocando gaita, em A Revolta dos Dândis II, quarta música do set list do show. O fato rendeu até uma citação na crítica da revista Bizz, assinada pela jornalista Sônia Maia… o resto é história. =)

Fabiana Passoni – Uma história pontuada por músicas e vitórias

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“Conheci” Fabiana Passoni pela Internet. Nos “curtimos” pelo Facebook e entrei em contato com o trabalho dela aos poucos, seguido por sua história. Cantora, compositora, com um repertório calcado no Jazz e na Bossa-Nova, Fabiana é a encarnação da fibra, coragem, emotividade, sentimento e perseverança, típicos nas melhores mulheres do signo de peixes. Vida e arte se misturam na biografia dessa mineira de Poços de Caldas, de maneira que não sabemos onde começa uma e termina a outra.

Paralela a uma carreira musical de sucesso, onde realizou o grande sonho de gravar um disco, desde que trocou o Brasil pelos Estados Unidos, em 1999, Fabiana Passoni também tem em seu histórico uma vitória importante contra um câncer de mama, diagnosticado quando ela havia finalmente gravado o seu primeiro disco, É Minha Vez, em 2007, aos 31 anos.

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Após um pesado tratamento para combater a doença, que levou um ano, e fez com que a cantora interrompesse sua carreira, incluindo aí uma turnê pelo Japão, finalmente a doce Fabiana retornou a música com um sabor a mais. Durante o período em que ficou afastada para cuidar de si, ela começou a compor e foi pela força que não imaginava possuir que ela seguiu em frente, na fé e na determinação.

O ano de 2010 foi um ano de contrastes. No mês de abril, em seu quarto mês de gestação, uma “bomba” se abateu outra vez sobre a cantora. “Descobri outro nódulo e não podia fazer nada por conta da gravidez. Tive que esperar até julho [para iniciar novo tratamento] quando tive os trigêmeos”, recorda Fabiana. Foram mais seis meses de tratamento, iniciados em agosto , incluindo a radioterapia. “Ainda faço uma ‘químio’ hormonal, então posso dizer que ainda estou em tratamento. Graças a Deus [estou em] meu terceiro ano [após o tratamento] que o câncer não voltou”.

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Com novo fôlego e ainda mais forte que antes, em 2011 Fabiana lança seu primeiro trabalho autoral. Naturalmente Brasil contém 12 músicas originais que representam personagens encontradas na cultura brasileira. As músicas são sobre coisas cotidianas: a busca pela felicidade, as dores de amor e as tristezas. “Meu marido teve papel fundamental no meu início como compositora. Ele me incentivou a compor. Eu queria sair da realidade. A situação que eu estava era muito deprimente, aí entrei nessa de fazer musicas com ‘personagens’ do Brasil, foi onde criei. os ‘Joãos’, ‘Marias’…”, explica.

Por causa da doença, Fabiana diz que sua vida ganhou em qualidade. Uma nova mulher veio à tona pedindo para respirar. Sem deixar-se abater e tendo o marido e os trigêmeos como pilares, a artista não sucumbiu no momento em que muitos pensariam em desistir. “É mais fácil ficar louca do que enfrentar o ‘lance’ de frente, com prudência”, diz, num quase desabafo. “Fiz 10 cirurgias usei muitos remédios, mas para o momento certo, nunca usei pra esquecer algo, acho porque eu me vi uma mulher melhor e queria descobrir mais de mim mesma”, completa Fabiana, que afirma que ver o lado bom da vida é sempre o caminho.

“Uma amiga me disse que há duas opções de lidar com o câncer: ou você deixa ele tomar conta ou batalha para tirá-lo e continua vivendo. Fiz a segunda opção. Sou muito agradecida por ter passado por isso tudo. [Hoje] sou uma mulher tão, tão, tão forte… E eu falo sempre isso: O Câncer me curou!”


Música desde sempre
Foi aos seis anos de idade, na cidade de Poços de Caldas, interior de Minas Gerais, que Fabiana destilou as primeiras notas em sua voz.  Filha de pai músico, que lhe ensinou que interpretação é tudo em uma música. “Meu pai se sentava no sofá e escrevia músicas e eu estava ali juntinho dele cantando”, recorda.

Na adolescência seguiu cantando em comícios de políticos e passou por muitas bandas com um repertório variado, de Pop, Axé e Sertanejo. E foi justamente uma “crise” com o repertório que interpretava, que lhe fez questionar sobre o rumo da carreira. O objetivo da artista era simples, cantar músicas que lhe dessem prazer. “Eu passei alguns anos de minha vida em Nova York, cantando Bossa-Nova com fusion de Jazz. Naquela época, Ella Fitzgerald e Leny Andrade influenciaram meu estilo. Infelizmente, as ‘gigs‘ que pagavam bem eram para Pop, Rock e Axé. Demorou um tempinho para que eu me achasse como cantora/compositora.”

Sobre a atual música brasileira ela mantém os olhos céticos no mercado. “O comércio brasileiro de música  está do jeito que a massa brasileira quer. As pessoas reclamam da música ser ruim mas é isso que eles escutam no rádio, postam no youtube, é isso que eles compram… O artista precisa dos ouvintes, e hoje em dia, se você não estiver em uma gravadora que comanda a mídia popular, é bem mais complicado fazer sucesso,” avalia.

Fabiana é uma artista independente e se diz realizada com sua carreira e os rumos que decidiu percorrer. “Sou muito grata por ser independente e me avalio como uma profissional de sucesso, porque ser independente hoje em dia e ter uma música sua nos charts americanos entre as Top 20, é quase um milagre!”, diz sem conter a gargalhada.

Sobre o seu trabalho ser mais aceito fora do Brasil, Fabiana diz que, diferente dos ritmos da moda no país, o Jazz e a Bossa-Nova, ou mesmo o Chorinho, requerem uma calma de espírito, uma concentração maior, “é algo mais profundo, denso, que requer atenção, tempo e postura absorta, aliada a um sentimento muito intrínseco que a mera euforia, para se chegar ao patamar de apreciação na forma que por si só [esses ritmos] exigem”, acredita. Isso, aliado ao fato do Jabá que rola solta em terras tupiniquins, é que faz Fabiana acreditar que seu público maior está realmente fora do Brasil. Por enquanto, as músicas e a carreira vão de vento em popa nos EUA e Europa. Para saber mais sobre a história e a obra de Fabiana Passoni, a cantora e compositora mineira possui um site bilíngüe, no www.fabianapassoni.com.

 Quando decidi escrever sobre o trabalho de Fabiana Passoni, não fazia ideia da proximidade com o dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher e aniversário da cantora. Através desse material, através da Fabiana e sua história, deixo também esse post como a minha homenagem para todas as grandes mulheres dessa Terra.

Eu preciso dizer que te amo – por Cazuza, Dé e Bebel

“Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui quem fiz!?”. Inspirado por esse mote da letra de Certas Canções, de Tunai e Milton Nascimento, gravada pelo Bituca em 1982, no álbum Ânima, eu quero iniciar uma série comentando um pouco dessas músicas que admiro tanto. E não poderia começar com uma canção que desde a primeira vez que ouvi, aos 16 anos de idade, fiquei extasiado…

Cazuza Pitadas do Sal

Eu Preciso Dizer Que te Amo

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada gesto teu uma bandeira
Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

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Cazuza, Bebel e Dé, amigos na vida e na música

O local da criação de Eu Preciso Dizer Que Te Amo foi uma propriedade que a família de Cazuza possuía, em Fazenda Inglesa, Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Foi composta a seis mãos por Bebel Gilberto, Dé Palmeira (na época namorados) e Cazuza.

Inspirado com a melodia sendo criada, Cazuza – que na época estava lendo muito a Bíblia –  introduziu na letra os seguintes versos: Eu preciso dizer que te amo, desentalar esse osso da minha garganta. Bebel conta que Cazuza queria usar isso e disse a ele que os versos eram muito fortes. “Caju, essa parte não está encaixando muito bem, não tem outra coisa que você queira dizer?”, sugeriu a cantora. Eu fiz uma busca no Google para ver se encontrava esse trecho da Bíblia, mas não obtive resultado.. De acordo com Bebel, esta foi a última música feita para o disco de estreia dela, um EP (extended play), lançado pela WEA, em 1986, batizado com o nome da cantora.

Primeiro disco de Bebel Gilberto (1986)
Primeiro disco de Bebel Gilberto (1986) e que trazia Eu preciso Dizer que Te amo pela primeira vez

“O processo de criação foi espontâneo. Essa música foi muito especial. Era como se o Cazuza estivesse sentado aqui e, por acaso, o violão estivesse ali. A gente começou a cantar, e o canto virou uma música. Não foi aquela coisa de sentar e fazer [a música] (…) A gente estava em frente a lareira da casa, e ela saiu como um filho (…) em 40 minutos”, relembrou a cantora para o livro Eu Preciso Dizer Que Te Amo – Todas as Letras do Poeta, lançado em 2001, com autoria de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, em depoimento à jornalista Regina Echeverria.

Dé recorda que quando chegava nessa frase a música não seguia. “Desentalar esse osso da minha garganta é muito punk. Eu pensei em fazer um blues com essa frase, mas o resto da música é muito romântico”, disse o baixista em um especial para o Canal Bis em 2013. Ele conta ainda que o Cazuza bem tranquilo respondeu,  “pô, porque você não me falou isso antes, cara, peraí”, e subiu para o quarto e em cinco minutos desceu com a nova letra batida a máquina, já com o novo refrão “eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano, eu preciso dizer que te amo tanto”. “Ele foi ferino, certo e exato nessa frase. Essa música é o nosso standard. Ela é linda! Eu acho que tinha algum deus ajudando a gente ali, naquele ambiente, naquela casa… Foi tudo certo”, avalia Dé

Apesar do primeiro registro da canção em disco ter sido feita por Bebel, foi a cantora Marina Lima, que em 1987, ao incluir a canção em seu disco Virgem, tornou Eu Preciso Dizer Que te Amo “famosa”. “Foi o Cazuza que me mostrou [a música] numa fita cassete. Tinha o Dé tocando violão, a Bebel cantando e o Caju fazendo uns contracantos. Eu achei que ela tinha a ver com o disco Virgem, que vinha preparando”, lembrou Marina.

Na gravação Marina omitiu a última estrofe da música Eu já nem sei se eu tô misturando/Eu perco o sono/Lembrando em cada gesto teu uma bandeira/Fechando e abrindo a geladeira/A noite inteira. “Eu acho que aquela parte não existe. É totalmente irrelevante da canção. Acho que a música vira uma seta no alvo sem aquela parte”, explicou a cantora sobre o fato. “A Marina não gostou da terceira parte, não achava necessária e gravou da maneira que achava melhor. Eu gosto muito da gravação original, da fita cassete. Mas gosto de todas [as outras gravações], acho que todas as regravações mostram um lado da canção que eu não conhecia”, teoriza Dé.

Marina já era um nome consagrado na música brasileira e considera que ter gravado Eu Preciso Dizer Que te Amo em seu disco de 1987, ajudou a transformar a música em um dos clássicos “oitentista”. “Com certeza. Porque eu sendo compositora, gravei uma música do Cazuza por admiração. E foi um disco que estourou, vendeu muito”, recorda.

Eu Preciso Dizer Que te Amo trata do difícil, delicado e complexo tema de uma relação de amizade que se transforma em amor. Acredito que muitos de nós já tenha passado pela situação de evitar uma possível friendzone, mas ter o receio do outro não “partilhar” os mesmo interesses e por isso mesmo sofrer calado as “dores de outro amor” do amigo.

Léo Jaime, amigo pessoal de Cazuza, e um dos muitos artistas que gravaram Eu Preciso Dizer Que te Amo, diz que, apesar de gostar da canção, incluí-la em seu álbum Todo Amor, de 1995, não foi algo pensado com antecedência. “A ideia de gravá-la foi meio de última hora, e o Dé estava presente, um dos autores. A nossa versão tinha o mesmo corte da letra que a Marina já havia feito. E mudamos completamente a harmonia. Adoro esta música”, relembra Léo, que fez uma versão “diferente” da canção. Ao contrário das outras registradas, num tom mais “intimista”, a versão de Léo Jaime tem a levada de uma balada pop, em que o “eu lírico” assume de uma vez por todas o “risco” de ganhar ou perder e nunca demonstra dúvida de mostrar seu sentimento.

O registro na fita cassete, com Dé ao violão, Bebel e Cazuza nos vocais, que Marina ouviu pela primeira vez, foi feito logo após a composição ser concluída. Na gravação podemos ouvir claramente o barulho da tecla “REC” de um gravador caseiro ser acionada e a voz de Cazuza na sequência “apresentando” a obra, indicando que Bebel iniciará cantando. Para isso ele pede “por favor, não façam barulho no ambiente” e pede pelo “maestro” Dé seguido de um “vai Sapo”. “Foi o primeiro registro numa fita cassete na hora em que finalizamos a canção. Cazuza mandou a letra, mas fizemos a canção os três juntos. “Sapo” nesse caso sou eu, mas todo mundo na época se chamava de vários nomes inventados”, relembra Dé. Em 1988 Cazuza, Dé e Bebel Gilberto receberam o Prêmio Sharp de Música (referente ao ano de 1987) de “melhor música pop-rock”, com Eu Eu Preciso Dizer Que te Amo.

Essa gravação caseira, o primeiro registro de Eu Preciso Dizer Que te Amo, foi recuperada nos anos 1990, remasterizada e lançada oficialmente em 1996, no disco Red Hot + Rio. Além de Bebel Gilberto (1986 e 1992), Marina Lima (1987) e Léo Jaime (1995), a canção foi regravada por Pedro Camargo Mariano (para o especial Som Brasil – Cazuza, 1995), Cássia Eller (Veneno Antimonotonia, 1997), Emílio Santiago (Preciso Dizer Que Te Amo, 1998), Jay Vaquer (Cazas de Cazuza, 2000) e Zizi Possi (Bossa, 2001). Cazuza, Dé e Bebel ainda fizeram juntos Mulher Sem Razão, Minha Flor Meu Bebê, Mais Feliz e Amigos de Bar.

Capas de disco polêmicas

Muitos artistas, no intuito de chutar o pau da barraca atrair os holofotes para si, procuram chamar a atenção de alguma forma. Uns deixam-se flagrar cometendo algum delito, outros posam nús, alguns se envolvem em escândalos e outros lançam discos com capa polêmicas. Reuni uma seleçãozinha das que eu conheço. Vasculhando na rede tem mais e algumas bem bizarras, como (não clique se você for pudico) essa aqui.

As capas relacionadas chamaram a atenção por “N” motivos. Algumas foram censuradas geral e tiveram a arte alterada, outras foram banidas em algumas regiões específicas. Confere aí…

 

1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer

O livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer (1001 albums you must hear before you die), de Robert Dimery, vale a compra e lugar de destaque na estante, pois apresenta uma rica seleção de álbuns clássicos dos anos 1950 para cá (aqui no Brasil lembro de ter visto umas três reedições com atualização do catálogo). O forte é o bom e velho Rock’n’Roll, com todas as suas vertentes, mas também há menções ao Jazz, ao Blues, ao Soul e ao Hip-Hop.

São 90 jornalistas e críticos musicais internacionalmente reconhecidos que resenham os 1001 discos em questão. Ricamente ilustrado, a obra é referência básica ao apreciador de boa música que não se contenta só em ouví-la, mas necessita contextualizá-la. Há curiosidades sobre as gravações, dados biográficos do artista mencionado, detalhes dos bastidores da produção. Tudo muito bem escrito, num texto rápido, preciso e gostoso de ler.

Em 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, você encontra seus artistas e grupos favoritos e descobre/conhece dezenas de outros de relevância da música. Astros e Estrelas que fazem a cabeça das gerações de jovens dos 8 aos 180 anos.

Pode ser que um disco seu preferido não esteja listado no livro/guia, as chances disso ocorrer são pequenas, mas existem. Afinal, listas de “melhor” alguma coisa são sempre questionáveis, mas o trabalho do autor foi feito com esmero e você encontrará os álbuns clássicos de Elvis Presley, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Pink Floyd, U2, além dos clássicos absolutos, como Thriller, de Michael Jackson, ou Nevermind, do Nirvana. Sem contar com Baby One More Time, da Britney Spears. Ou você acha, mesmo não gostando, que esse álbum não causou impacto na indústria fonográfica quando foi lançado?

Ah! Os brasileiros também marcam presença com Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Mutantes e Sepultura. Afinal, nós fazemos música da melhor qualidade e merecemos constar em qualquer compilação desse porte.

Uma dica: Blog com 1001 clipes para assistir antes de morrer

A coleção 1001 “coisas” pra antes de morrer inclui uma série de temas. Música, filmes, vídeogame, vinhos, comidas, lugares… é só dar uma conferida nas livrarias.

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Low – O Exílio Voluntário de David Bowie

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Capa do disco Low

Não lembro quando foi que comecei a ouvir David Bowie a sério. Sei que foi tardiamente, perto dos 30 anos. Antes, só conhecia o que havia tocado nas rádios, na década de 1980. O camaleão Bowie me era familiar pelo clipe de Dancing in the Street, ao lado de Mick Jagger e do filme Labirinto, que não assisti, mas bombou na década mais pop da música ocidental. Mas foi movido pela curiosidade que fui vasculhar a discografia do cara. Ouvia dos mestres do assunto que os álbuns de 1970 é que eram o bicho. Então, fui garimpar.

Para os iniciados no rock o ano de 1977 é incontestável como o ano do punk, data fundamental para a história do ritmo e o louro de olhos bicolores já pressentia, quatro anos antes dessa subversão rítmica, os sintomas da estagnação por qual passava a música nessa década. Foi aí que ele trocou a Inglaterra, onde reinava absoluto, pela América.

David Bowiw Eyes olhos - Pitadas do Sal

O cara chegou chutando o pau da barraca e em entrevistas que concedia nos Estados Unidos, chamava o rock de “música de gente burra”. Radical ou marqueteiro tentando chamar os holofotes americanos em sua direção? O fato é que ele anunciou sua inclusão à carreira de ator e a soul music “plastificada” dos sul dos EUA. Resultado? O álbum foi um dos precursores da discothèque.

Nos dois anos em que viveu em solo americano, antes de se isolar em Berlim, faturou um Grammy com Fame (parceria com John Lennon) e protagonizou o filme O Homem que Caiu na Terra. Ah, também gravou o álbum Station to Station, o qual o crítico Allan Jones, do Melody Maker, avaliou como “o mais revolucionário da década”. Pra mim, não foi.

Isso tudo eu quis contar para chegar no grande clássico do cara e que não pode faltar em sua coleção. O que eu considero revolucionário mesmo é o álbum de 1977, batizado Low, cuja capa é uma foto do filme que ele fez nos EUA e alude o tema central das poucas e curtas letras do disco.

O álbum gira em torno do tema que remete ao exílio voluntário à capital alemã. “Azul, elétrico azul/ é a cor do quarto onde vou viver/ venezianas fechadas o dia todo/ nada para ler, nada para dizer/ vou me sentar e esperar pelo dom de som e visão” (em “Sound and Vision”).

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Low é um dos discos mais influentes do rock e contou com a colaboração de outro mestre, Brian Eno (tecladista, ex-Roxy Music), dando início a trilogia de Berlin de Bowie (Heroes e Lodger completam a tríade, todos em colaboração com Eno).

Mas é em Low que Bowie inicia seu flerte com o rock alemão e incorpora a eletrônica na música de forma quase obsessiva. Eno, famoso pelo uso de sintetizadores em seus trabalhos, com seu domínio criativo da parafernália dos estúdios de gravação, deixa o velho camaleão fascinado.

Na época, Bowie declarou sobre as faixas instrumentais do lado B do álbum: “Essas músicas são mais uma observação, em termos musicais, de como eu via o Bloco Oriental. Era algo que não podia expressar em palavras. O que precisava era de texturas, e de todas as pessoas que eu já ouvi compor texturas, as de Brian Eno eram as que mais me agradavam”.

Não deu outra. As texturas sonoras criadas para Low foram chupadas por uma série de artistas e acabou virando gênero musical, chamado cold wave (espécie de tecnopop mais cerebral ou meditativo e desacelerado). Bowie abriu a torneira da fonte que outra lenda do rock, o Joy Division, iria beber no clássico Closer, lançado em 1980. Vale dizer que antes de se chamar Joy Division, o grupo atendia por Warsaw – extraído de “Warzawa”, faixa que abre o lado B de Low.

 


Se você conhece, que tal ouvir de novo? Se nunca ouviu, o que está esperando?

The Doors (1967) – Rompendo o stablishment do rock

Primeiro registro do The Doors em estúdio
Primeiro registro do The Doors em estúdio

Gravado em míseros quatro canais, assim como o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e lançado no mesmo ano, o álbum de estréia do grupo californiano The Doors foi diferente de tudo que já se tinha ouvido no rock. E é muito bom. 

O registro do álbum aconteceu  em agosto de 1966, com lançamento na primeira semana de 1967, o disco foi batizado com o mesmo nome do grupo, “The Doors” e a foto de capa soturna destacava o vocalista James Douglas Morrison, com o restante da banda em segundo plano. Um pecado, já que foi a unidade do quarteto complementado por Ray Manzarek (teclados); Robby Krieger (guitarra) e John Desmore (bateria) que dava o som característico e único do The Doors.

Utilizando elementos do blues, jazz e até flamenco e “bossa-nova”, o primeiro disco do The Doors é tão pungente e possui tanta qualidade em suas canções, que pode soar como uma coletânea dos maiores sucessos da banda aos mais desavisados. Ali estão contidos clássicos como Break on Through (To the Other Side), Light My Fire, Back Door Man, Crystal Ship e a épica The End, só para ficarmos nas mais óbvias.

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Seleção de músicas do primeiro disco do The Doors é tão boa que parece coletânea de hits

Gravado em poucos dias, com muitas músicas sendo registradas para a posteridade em um único take, The Doors, o disco, teve como primeiro single o clássico “Morrisiano” Break On Throuh e sua batida “bossa nova” acelerada. Foi idéia do batera, Desmore, dar esse molho latino a canção de Jim Morrison que exultava romper para o outro lado. Para a promoção do singe, ele mesmo e Manzarek, amigos do curso de cinema que faziam na Universidade da Califórnia (UCLA), dirigiram o filme, um dos precursores dos videoclipes.

Mas foi uma canção composta por Krieger e depois elaborada em inúmeros ensaios e shows antes do registro definitivo no álbum, que se tornou a canção do verão de 1967. Light My Fire incendiou o mundo e colocou o The Doors, ao lado dos Grateful Dead e os Jefferson Airplane, como ícones da contracultura da América.

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Outdoor de divulgação promovido pela Elektra, gravadora do The Doors

Seja por suas performances bombásticas, pela interpretação passional nas canções ou pela curta e profícua carreira do grupo, esse cartão de apresentação da banda, o primeiro disco é item necessário na coleção de qualquer aspirante a roqueiro.

Barão Vermelho: O Primeiro a gente nunca esquece

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“Pouco importa o que essa gente vá falar mal, falem mal. Eu já to pra lá de rouco, louco total… Eu sou o teu amor entenda. Você precisa descobrir o que está perdendo. É, o que está perdendo!”. Assim o Barão Vermelho estreava em 1982, no primeiro álbum do grupo, batizado simplesmente como “Barão Vermelho”.

Vivendo ainda sob o regime da ditadura, um período mais “brando”, com o general João Figueiredo no poder, a juventude brasileira não se identificava muito com o que rolava no dial. Bastou uma cena carioca, uma rádio e um local de shows para impulsionar as bandas que já existiam. Pronto, estava dado o pontapé inicial no que foi considerado o “boom” do Rock Brasil, com Blitz, Lulu Santos e Barão Vermelho abrindo as portas.

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Gravado em dois finais de semana e lançado pela Som Livre em 27 de setembro, o primeiro álbum do Barão é o disco mais cru, visceral e genial do rock brasileiro. Seu som de garagem, gravado com urgência e pujança, foi mal registrado nos estúdios da gravadora, é verdade, o som é abafado e chapado, pois a mixagem não prezou pela qualidade, mas esse fato é menor ante a qualidade de suas canções. Letra e Música combinavam perfeitamente, com o punch stoneano que era evidente no som da molecada na faixa dos seus 18 anos. Guto Goffi, Maurício Barros, Dé Palmeira e Roberto Frejat possuíam o feeling das músicas, do rock travesso e Cazuza, o principal letrista e vocalista, se encaixava como uma luva com sua poesia e escracho.

Misturando Dolores Duran e Cartola, com Rolling Stones e Bob Dylan, blues, rhythm blues, rock e MPB fazem a fusão do caldeirão do Barão e faz com que o disco traga tantos petardos reunidos que fica difícil imaginar que uma garotada pudesse produzir som tão maduro. Sob a supervisão do saudoso Ezequiel Neves e Guto Graça Mello, “Down em Mim”, “Ponto Fraco”,” Billy Negão”, “Conto de Fadas”, “Bilhetinho Azul” e a clássica “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, entre outras, não foram totalmente compreendidas, na época, pela galera que estava ouvindo “A vida melhor no futuro”, do Lulu, ou o “Chope com batata-frita” da Blitz e vendeu muito pouco, mas o tempo se encarregou de colocar o álbum e suas canções para a história.

A partir deste disco o Barão Vermelho deixou sua marca na história do rock brasileiro, sendo, ao lado de Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, uma das mais influentes bandas brasileiras. O disco completou três décadas em 2012 e foi remixado pelos Barões remanescente para um lançamento comemorativo. Esse não pode faltar na sua coleção!

Guitarrista do Barão lança segundo solo instrumental com rock na veia

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Em meio a lançamentos de discos nacionais de qualidade questionável, um disco de Rock, no que de melhor o termo representa, vem bem a calhar. Quando esse disco se mantém fiel ao básico, ao Rock direto, certeiro, sem firúlas, mas com amor ao ritmo transbordando em cada acorde, a novidade é mais que bem vinda. Dessa forma, o novo trabalho solo do guitarrista e compositor Fernando Magalhães, Rock It! é um bálsamo para os ouvidos tanto dos puristas, quanto para os simples amantes do gênero.

Lançado digitalmente pela Agência Digital e recém editado em CD pelo selo Toca Discos, Rock It! é a segunda incursão de Fernando em mostrar ao público um trabalho inteiramente instrumental (seu solo de estreia foi em 2007).

As 10 faixas do disco foram compostas por Fernando e pelo ex-Herva Doce, Roberto Lly, que também produziu o disco. “O Roberto é um músico de extremo talento. Como produtor, é um cara que resolve as coisas, não é de ficar dando voltas: você sugere algo e ele prontamente tenta executar, geralmente melhor do você imaginou. É um mestre do estúdio, com um bom gosto impecável. Além de tudo isto, é um ser humano maravilhoso, um grande amigo e companheiro. Fico muito honrado dele estar comigo nos dois CDs”, comemora Fernando.

Sobre o fato de ser um disco de rock instrumental, Fernando sabe que o mercado brasileiro não é tão afeito a esse nicho, mas que há um público fiel e é essa demanda que Rock It! veio suprir. “A música instrumental no Brasil tem o seu foco em festivais de Jazz e Blues, acontece em lugares específicos, para apreciadores deste gênero musical. Agora, o Rock instrumental, até para estes poucos espaços, às vezes é visto com certa estranheza. É um tipo de música para os fãs de rock, que não tem vínculo com o que faz sucesso nas paradas. Acho que é este público alvo que tem que ser alcançado, por meio da internet, imprensa especializada e rádios rock sérias. É um público grande e muito fiel, apesar de não tão aparente como o de uma banda de pop/rock.

Para a gravação de Rock It”, Fernando foi buscar inspiração na fonte primordial do rock, como AC/DC, Rolling Stones, The Who, Tuti Frutti e rock clássico em geral. “Por curiosidade, sempre gostei de bandas, nunca fui muito de comprar e ouvir discos solo de guitarristas, mas é claro que adoro vários, como Jeff Beck, Robin Trower, Joe Satriani“, destaca o guitarrista que iniciou no instrumento no final da década de 1970. Dessa época, até 1985, Fernando tocou e compôs com várias bandas de amigos, até ingressar no Barão Vermelho, onde ajudou a moldar o som do grupo carioca.

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Fernando se inspira no rock clássico para compor seus sons

“Guitarras fazem o papel dos vocais”

Para o repertório do novo álbum, o guitarrista e compositor Fernando Magalhães lembra que as canções passeiam por ” variações e moods distintos: da aceleração da faixa título à suavidade de Olhando o Céu e Anos Luz“, explica. “Se você toca Jazz, Blues, Fusion, as pessoas compreendem mais o termo “instrumental”, mas com o Rock, parece haver um certo estranhamento. Eu abri dois shows do Joe Satriani, no Rio e em Sampa, e fui super bem recebido, o público ficou bem atento e interessado. Existe um público para o rock instrumental e quando ele gosta do que ouve, se torna fiel aos artistas”, acredita Fernando.

No estúdio, a parceria Fernando e Roberto Lly contou com os luxuosos auxílios de músicos e amigos com os quais tem muita afinidade: Pedro Strasser (baterista do Blues Etílicos), Sergio Villarim (teclados), que já haviam participado do disco de estreia do guitarrista, além de Sergio Melo (bateria), Kadu Menezes (bateria), Humberto Barros (teclados) e o Barão Mauricio Barros (teclados). Humberto Barros é autor ainda da Ilustração da capa do CD: “Este é um CD dedicado a minha infância e adolescência, no final dos anos 70. Passei esta ideia e o Humberto veio com esta capa linda, que diz tudo”.

Sobre as diferenças que pontuam seus dois solos, Fernando considera o segundo trabalho mais fácil, mais simples, e bem roqueiro. “Não é um disco apenas para os músicos ouvirem e gostarem, e sim para quem gosta de rock. O meu primeiro CD era mais Hard Rock, passeava por improvisações.Rock it! é mais Rock’n’Roll, mais reto, sem tantas mudanças dentro das músicas. Quando falo “fácil”, não estou dizendo que não tenha profundidade, mas sim que ele segue uma linha mais objetiva”, define.

Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos como toda obra pop deve soar

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Motel Maravilha é o nome do quinto disco solo de Rodrigo Santos, cantor, compositor e, para a maioria, o baixista do Barão Vermelho. Porém, já faz seis anos que Rodrigo voa sozinho e aperfeiçoa a cada álbum seu estilo. “Musicaholic”, o músico consegue ainda arranjar espaço em sua agenda para participar de projetos dos amigos, ou mesmo diversificar seu som tocando em outras bandas que também faz parte.

Para dar uma conferida no Motel Maravilha, você pode ouvir as faixas no hotsite do Rodrigo. O trabalho tem participações especiais de músicos como o percussionista Marcos Suzano, parceria com o eterno guitarrista do The Police Andy Summers, além de novas canções com os antigos parceiros George Israel e Mauro Santa Cecília.

No álbum, Rodrigo se preocupou mais com seu lado cantor. É visível, ou melhor, audível a sua evolução como intérprete e toca contrabaixo em apenas quatro canções, das 11 canções do disco.

Desde o grupo Front, do qual fazia parte nos anos 1980, Rodrigo vem sedimentando sua estrada na música brasileira. Por suas cordas já passaram sons da Blitz, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Léo Jaime, Lobão, Os Britos e Midnight Blues Band, além do Barão Vermelho, é claro.

Em suma, Motel Maravilha comprova que, além de ser o excelente baixista do Barão, Rodrigo Santos é um músico excelente e compositor de primeira. A boa música agradece.

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Aproveite para visitar a página oficial do Rodrigo www.rodsantos.com.br

Segue a entrevista que fiz com Rodrigo por e-mail sobre o novo trabalho e sua carreira

Qual o diferencial, se é que há, desse trabalho para os anteriores?
Rodrigo – Na verdade, em Motel Maravilha eu me concentrei em cantar. Depois de decididas as músicas (apresentei 30 para escolher 11, junto com Nilo Romero, produtor do CD), falei para o Nilo como eu queria cada canção que eu tinha apresentado a ele apenas com voz e violão. Ele foi fazendo no estúdio e me mostrando, eu acrescentava coisas, ideias, direcionamentos e chegávamos a conclusões juntos sobre os arranjos. Gravei apenas quatro dos 11 baixos. Nos outros discos, eu gravei praticamente tudo. Diferentemente dos meus outros CDs solo, nesse coloquei um naipe de metais em quatro das 11 faixas, o que deu um caráter mais festeiro ao projeto. Gravei ainda uma parceria internacional, a música “Me Dê Um Dia A Mais”, com letra minha e música de Andy Summers, meu ídolo e guitarrista do The Police. Fizemos 10 músicas juntos, essa entrou em Motel Maravilha. Acho que há uma evolução vocal e de composição e o Nilo acertou a mão. Ele arrebentou, assim como já havia feito nos discos de Cazuza e Moska.

O que você considera como fator preponderante para manter uma carreira atualmente e cativar o público?
Rodrigo – Repertório bacana e desprendimento. Ir para a estrada com um show forte e mostrar seu trabalho para o maior número de pessoas, se arriscar. Conto a minha história no rock nacional através desses shows, das músicas que gravei com Barão, Lobão…  E do meu próprio repertório, que vai aumentando de disco para disco. No show, tenho um lado de entertainer que gosto de exercitar. O resto vem com o tempo. Estive no Rock In Rio 2011 em carreira solo e estarei novamente em 2013, como solista e também com Os Britos. Com o meu trio atual, Os Lenhadores, estamos fazendo uma média de 20 shows por mês, ou seja, o mercado existe, tem que apresentar trabalhos de qualidade.

Muitos artistas estouram no País mas poucos sobrevivem ao segundo álbum. Você chegou ao quinto. Além da qualidade do seu trabalho, que mais você considera como a chave para essa conquista?
Rodrigo – Persistência e criação. Do limão, a gente faz a limonada. Estar antenado com seu público, criar alternativas para chegar até ele, independente da dificuldade e da distância, ou da resposta financeira. Investir no trabalho, persistir, acreditar e o mais importante, realizar. Tirar do papel a boa ideia e  fazer chegar às ruas, aos ouvintes, aos espectadores.

Como é chegar ao quinto disco, em uma época que a indústria fonográfica está tão distante dos seus tempos áureos, como nas décadas de 1970 a 1990?
Rodrigo – O mercado está diferente mesmo, mas as necessidades ainda permanecem as mesmas, apenas trocou de mãos. O objetivo continua sendo fazer o CD chegar ao maior número possível de pessoas, que as canções se tornem conhecidas através de shows, da mídia em geral, portanto, através do trabalho de distribuição e divulgação. Hoje em dia, em 90% dos casos, é o próprio artista, com seus próprios recursos, quem cuida dessas funções – como o CD já não tem o mesmo retorno em vendas, como nas décadas de 80 e 90,  as gravadoras (as poucas que existem) não investem quase nada no marketing dos produtos que lança. O que fiz desde 2007, quando comecei minha carreira solo, foi concentrar as minhas forças na criação, sem me importar em saber como estava o mercado fonográfico, afinal, é preciso criar novas ideias, fazer a roda girar. Inventei shows em cima de uma Kombi, nunca fiquei parado esperando alguém fazer alguma coisa por mim. As redes sociais são importantíssimas nessas horas: eu usei muito a Internet, primeiro com o Orkut, depois Twitter e agora com 3 canais no Facebook.

O que você destacaria do seu trabalho solo, que você jamais conseguiria realizar no Barão?
Rodrigo – Cantar é o principal diferencial, mas acho que o mais importante é que não deixo de curtir ser o baixista do Barão, é uma honra pra mim. Por outro lado, adoro cantar e no Barão já tem um grande cantor, que é o Frejat, então, achei meu jeito de cantar e, principalmente, de entreter as plateias. Fazia isso nos Britos, mas com músicas dos Beatles. Aqui faço com as minhas próprias canções ou com “usucapião” das que gravei nos últimos 30 anos. No meu show canto minha história, seja solo, com Leo Jaime, Miquinhos Amestrados, Kid Abelha, Blitz, Lobão… Sou eu comigo mesmo. E com a presença de dois dos meus amigos e parceiro que representaram cada uma dessas épocas, pré Barão e pós Barão: Kadu Menezes e Fernando Magalhães, com  os quais tenho o power trio Os Lenhadores. A carreira solo também me deu a chance de gravar meus clipes (a música Remédios ganhou clipe com a participação do grande Miéle), fazer projetos com Roberto Menescal, ter cantado com o Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Leoni e muitos outros. Essa á a minha realidade nos últimos seis anos.

O que te inspira a compor?
Rodrigo – O cotidiano, tudo o que acontece ao meu redor, perto de mim ou dentro da minha cabeça, que não para um segundo. E também a vontade de sempre andar para frente. Conversas com meus filhos, com a minha mulher sempre se desdobram em letras, minha história pessoal também. E não paro de compor, todo dia escrevo letras, componho melodias…

Como está o relacionamento com os outros integrantes do Barão e se há algum plano de reunir o grupo novamente para algum trabalho novo?
Rodrigo – Está ótimo! A turnê dos 30 anos foi maravilhosa e curtimos bastante cada show. Foi curta, mas intensa. Vem um documentário pela frente, mas não há previsão de volta.