Dia do Rock – Top 5 Melhores Riffs de Rock

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Comecei a ouvir rock na década de 1970, quando criança. Na vitrola ou no rádio muito Roberto Carlos, Erasmo, Secos e Molhados, Raul Seixas, Rita Lee, Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones. Na época nem sabia o que era um riff de guitarra, mas me chamava a atenção o solo de guitarra mágico, repetitivo e marcante de (I Can’t Get No) Satisfaction”. Porém, esse som de guitarra, tão característicos no rock, me fez me aprofundar cada vez mais no rock’n’roll! Abaixo, listo os meus cinco (A lista poderia ser bem mais extensa) “riffs” preferidos!!!

Satisfaction – The Rolling Stones

Day Tripper – The Beatles

Whole Lotta Love – Led Zeppelin

Back in Black – AC/DC

Foxy Lady – Jimi Hendrix

 

Ariston Sal Junior
Que acha Keith Richards o maior “riffeiro” de todos os tempos

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Top 10 – Discos de Vinil Nacionais

Cresci na transição do analógico para o digital e considero isso uma questão muito positiva. Ao mesmo tempo em que aprecio as maravilhas desse mundo novo que a Internet nos proporciona, onde entro em  contato com uma gama de informações que jamais poderia sonhar nos idos de 1980, por exemplo, aprendi também o valor de se apreciar música de qualidade, com calma. Sou da época dos discos de vinil (pré-MP3), onde um álbum era sorvido faixa a faixa, os dois lados do disco. Lia todo o encarte com a ficha técnica, as letras, os compositores. Hoje tudo é muito corrido e dificilmente me sobra tempo para esse “antigo” ritual, mas sempre que possível ouço um álbum na íntegra, como nos velhos tempos. Dito isto, selecionei 10 discos nacionais que me influenciaram e ajudaram a moldar o que sou hoje. Abaixo estão os MEUS melhores discos (nacionais e internacionais) e que, se eu fosse você, não deixaria de ouvir.

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura - Pitadas do Sal
Roberto Carlos em Ritmo de Aventura – 1967

Trilha sonora do filme homônimo, estrelado por Roberto Carlos, esse disco fez parte da minha formação musical, na década de 1970, junto a outros discos do Rei. Esse marcou pela qualidade das músicas, o ritmo das canções e, claro, por remeter as cenas do filme, “inspirado” em Os Reis do Iê-Iê-Iê e Help!, dos Beatles. Roberto Carlos em Ritmo de Aventura contém os clássicos “Como é Grande o Meu Amor Por Você“, “Eu Sou Terrível“, “Quando“, “Por Isso Corro Demais” e “Você Não Serve Pra Mim“.

A Arte de Caetano Veloso - Pitadas do Sal
A Arte de Caetano Veloso (Coetânea) – 1975

Essa coletânea de Caetano Veloso, lançado em meados da década de 1970, foi inserida em meu lar, ao lado de uma coletânea no mesmo estilo de Gilberto Gil, por meu pai. Ao lado dos discos do Roberto Carlos, essa coletânea rodou muitas vezes na agulha da minha vitrola portátil da Philips, presente de aniversário de minha mãe. Lembro que ouvia e me identificava mais com as canções de Caetano Veloso, que as do Gil. Com essa coletânea dupla tomei contato, conscientemente, com clássicos como “London, London“, “Alegria, Alegria“, “Tropicália“, “Baby“, “Não Identificado“, entre outros…

As Aventuras da Blitz - 1982
As Aventuras da Blitz – 1982

Ouvi “Você Não Soube Me Amar” pela primeira vez no verão de 1982, em um radinho de pilha de um colega que morava em frente a minha casa, no subúrbio do Rio de Janeiro. Passava das 18 horas e lembro que fui contagiado com algo diferente. Poucas vezes eu me emocionei tanto com uma música nova. “Eu tinha 12 anos e ainda me lembro do dia…”. Algumas semanas depois eu ganhei o compacto com a icônica canção, brinde de uma promoção do shampoo Wella Seleção. Quando finalmente o primeiro LP da Blitz foi lançado, no segundo semestre do ano, meu pai me presenteou, comprando-o na extinta Mesbla. Recordo com muita clareza a primeira audição. “Salve, salve senhoras e senhores e rapaziada em geral (aumentem o som)…”, eram os primeiro versos da música de abertura, “Blitz Cabeluda“. Perdi as contas de quantas vezes ouvi o disco naquela semana. Esse, sem dúvida, foi o disco mais influente em minha vida. Posso afirmar com certeza que por conta dele, e da própria banda, lógico, eu “aprendi” a tocar gaita, estudei teatro no O Tablado, tive algumas bandas pelo Rio e fora dele e passei a “aperfeiçoar” meu gosto musical com o som produzido pelas bandas dos anos 1980 e os artistas que as influenciaram. Sem contar que esse álbum foi responsável pela “abertura” das portas das gravadoras para vários outros artistas que vieram na cola da Blitz, como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e Barão Vermelho.  Um marco.

Cenas de Cinema - Pitadas do Sal
Lobão – Cenas de Cinema – 1982

Logo após gravar o primeiro LP da Blitz como baterista, Lobão nem esperou o lançamento do disco e tratou de correr atrás de seu próprio álbum solo, já gravado previamente com a colaboração de luxuosos amigos como Lulu Santos, Ricardo Barreto, Marcelo Sussekind, Marina Lima e Ritchie. A música que dá nome ao disco, “Cena de Cinema” e  “Doce da Vida” tocaram razoavelmente bem na Rádio Fluminense, mas o disco vendeu próximo de 6 mil cópias apenas, saindo em seguida de catálogo. Cena de Cinema é um clássico para mim e um dos discos mais subestimados dos anos 1980. O vinil, assim como a edição em CD lançada em 1991, são raridades. O primeiro mais do que o segundo. Eu tenho os dois. 😉

Barão Vermelho 1982 - Pitadas do Sal
Barão Vermelho – 1982

Batizado simplesmente como Barão Vermelho, o primeiro LP da banda é o meu preferido nacional, “ever”. Rock puro, urgente, com letras inteligentes (hoje consideradas obras-primas). Eu escrevi um post especial para esse disco, que você pode ler clicando aqui.

Vôoa de Coração - Pitadas do Sal
Ritchie – Vôo de Coração – 1983

Vôo de Coração é o nome do primeiro álbum do músico inglês, Ritchie. Lançado em 1983, o disco fez enorme sucesso, com mais de 700 mil cópias vendidas e desbancou o próprio Roberto Carlos das paradas de sucesso daquele ano.O álbum possui os sucessos “Menina Veneno“, “Casanova“, “Pelo Interfone” e “A Vida Tem Dessas Coisas“. Foi gravado com a colaboração de vários amigos do cantor, como Lulu Santos, Lobão, Liminha e Steve Hackett (ex-Genesis). Hoje o disco parece soar datado, já ouvi algumas pessoas que taxam o disco de brega. Nada disso. Na época de seu lançamento, o LP possuía um som moderno, rico, bem produzido e muito bem arranjado. Um disco bem resolvido. Outro clássico subestimado dos anos 1980.

RPM - Revoluções Por Minuto - 1985
RPM – Revoluções Por Minuto – 1985

O pop rock nacional nos anos 1980 pode ser dividido pós e pré RPM. A banda liderada por Paulo Ricardo, principal compositor do grupo, ao lado do tecladista Luiz Schiavon, rompeu várias barreiras no cenário musical brasileiro, não só em vendagens, ultrapassando a marca do milhão de cópias vendidas, mas também na produção e divulgação de um artista. Os shows do RPM se tornaram verdadeiros espetáculos, regados a laser e iluminação comandada por Ney Matogrosso, que também assinava a produção. O primeiro LP, Revoluções por Minuto, traz tudo o que o RPM representou na música brasileira, na segunda metade dos anos 1980. “Louras Geladas“, “Rádio Pirata“, “A Cruz e a Espada“, “Olhar 43“, está tudo lá. O disco figura na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, compilada pela revista Rolling Stones Brasil.

Titãs - Cabeça Dinossauro - 1986
Titãs – Cabeça Dinossauro – 1986

Divisor de águas na carreira do grupo Titãs, Cabeça Dinossauro é um dos melhores discos de rock nacional já lançado. O grupo (mais new-wave nos dois primeiros discos) buscava uma sonoridade própria, única, pesada. Temas como religião, polícia e família ganham registros em forma de punk-rock, funk e reggae. Das 13 faixas do álbum, 11 foram executadas nas rádios, incluindo a censurada “Bichos Escrotos“, com os versos “vão se fuder”. Faz parte desse disco os clássicos dos Titãs: AA-UU; Igreja; Polícia; Estado Violência; Família; Homem Primata e O Quê.

Legião Urbana - Dois
Legião Urbana – Dois – 1986

Contrário a sonoridade pesada do disco dos Titãs, Cabeça Dinossauro, lançado um mês antes, o segundo disco da Legião Urbana mostra um amadurecimento na sonoridade do grupo e uma mudança tão grande, comparado ao disco de estreia da banda, que o lançamento por si só poderia ser considerado arriscado. Mas o que se ouve nas 12 faixas lançadas por Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá é uma canção mais bacana que a outra e a mudança não causou estranheza nos fãs do grupo, tanto que “Dois” vendeu mais que o primeiro álbum. O disco vendeu 1,2 milhões de cópias a época de seu lançamento, alavancando a Legião Urbana para a estratosfera do rock nacional e transformando Renato Russo em “guru” para muitos (não é o meu caso). Clássicos como “Tempo Perdido“; “Quase Sem Querer“; “Índios” e “Eduardo e Mônica” tocaram exaustivamente nas rádios de todo País e são considerados os grandes clássicos da banda, ainda hoje.

A Revolta dos Dandis - Pitadas do Sal
Engenheiros do Hawaii – A Revolta dos Dandis – 1987

O segundo disco dos gaúchos dos Engenheiros do Hawaii, também marca uma mudança na sonoridade da banda, além da mudança na formação do primeiro disco, o Longe Demais das Capitais. Sai Marcelo Pitz, baixista com influência de reggae e ska, som que caracteriza o LP inicial do grupo e entra o guitarrista Augusto Licks, que era da banda de outro gaúcho, o músico Nei Lisboa. Humberto Gessinger, líder e principal compositor assume o baixo e elementos no som da banda evoca alguns dos seus ídolos, como Rush e Pink Floyd, além da estética existencialista das letras de Gessinger, influenciado por Sartre e Camus. A primeira audição, comparado com o que rolava na época, do segundo disco dos Engenheiros não é fácil, e isso foi o que mais me atraiu nele, pois fugia do senso comum das bandas da segunda metade dos anos 1980. Mais lírico, acústico e introspectivo, “A Revolta dos Dândis” nos apresenta canções como “Terra de Gigantes”, a épica “Infinita Highway”, “Refrão de Bolero”; “Vozes” e a canção que viria a batizar o primeiro fã-clube da banda, “Além-dos-Outdoors”, fundado por mim e meus amigos de adolescência Egon, Beto e Kiko.

Foi no lançamento desse disco, em fev/mar de 1988, que eu realizei um sonho de garoto, subir no palco com uma banda e encarar uma platéia. No auge dos meus 17 anos, eu acompanhei o power trio no palco do Teatro Ipanema, no RJ, tocando gaita, em A Revolta dos Dândis II, quarta música do set list do show. O fato rendeu até uma citação na crítica da revista Bizz, assinada pela jornalista Sônia Maia… o resto é história. =)

1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer

O livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer (1001 albums you must hear before you die), de Robert Dimery, vale a compra e lugar de destaque na estante, pois apresenta uma rica seleção de álbuns clássicos dos anos 1950 para cá (aqui no Brasil lembro de ter visto umas três reedições com atualização do catálogo). O forte é o bom e velho Rock’n’Roll, com todas as suas vertentes, mas também há menções ao Jazz, ao Blues, ao Soul e ao Hip-Hop.

São 90 jornalistas e críticos musicais internacionalmente reconhecidos que resenham os 1001 discos em questão. Ricamente ilustrado, a obra é referência básica ao apreciador de boa música que não se contenta só em ouví-la, mas necessita contextualizá-la. Há curiosidades sobre as gravações, dados biográficos do artista mencionado, detalhes dos bastidores da produção. Tudo muito bem escrito, num texto rápido, preciso e gostoso de ler.

Em 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, você encontra seus artistas e grupos favoritos e descobre/conhece dezenas de outros de relevância da música. Astros e Estrelas que fazem a cabeça das gerações de jovens dos 8 aos 180 anos.

Pode ser que um disco seu preferido não esteja listado no livro/guia, as chances disso ocorrer são pequenas, mas existem. Afinal, listas de “melhor” alguma coisa são sempre questionáveis, mas o trabalho do autor foi feito com esmero e você encontrará os álbuns clássicos de Elvis Presley, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Pink Floyd, U2, além dos clássicos absolutos, como Thriller, de Michael Jackson, ou Nevermind, do Nirvana. Sem contar com Baby One More Time, da Britney Spears. Ou você acha, mesmo não gostando, que esse álbum não causou impacto na indústria fonográfica quando foi lançado?

Ah! Os brasileiros também marcam presença com Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Mutantes e Sepultura. Afinal, nós fazemos música da melhor qualidade e merecemos constar em qualquer compilação desse porte.

Uma dica: Blog com 1001 clipes para assistir antes de morrer

A coleção 1001 “coisas” pra antes de morrer inclui uma série de temas. Música, filmes, vídeogame, vinhos, comidas, lugares… é só dar uma conferida nas livrarias.

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Low – O Exílio Voluntário de David Bowie

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Capa do disco Low

Não lembro quando foi que comecei a ouvir David Bowie a sério. Sei que foi tardiamente, perto dos 30 anos. Antes, só conhecia o que havia tocado nas rádios, na década de 1980. O camaleão Bowie me era familiar pelo clipe de Dancing in the Street, ao lado de Mick Jagger e do filme Labirinto, que não assisti, mas bombou na década mais pop da música ocidental. Mas foi movido pela curiosidade que fui vasculhar a discografia do cara. Ouvia dos mestres do assunto que os álbuns de 1970 é que eram o bicho. Então, fui garimpar.

Para os iniciados no rock o ano de 1977 é incontestável como o ano do punk, data fundamental para a história do ritmo e o louro de olhos bicolores já pressentia, quatro anos antes dessa subversão rítmica, os sintomas da estagnação por qual passava a música nessa década. Foi aí que ele trocou a Inglaterra, onde reinava absoluto, pela América.

David Bowiw Eyes olhos - Pitadas do Sal

O cara chegou chutando o pau da barraca e em entrevistas que concedia nos Estados Unidos, chamava o rock de “música de gente burra”. Radical ou marqueteiro tentando chamar os holofotes americanos em sua direção? O fato é que ele anunciou sua inclusão à carreira de ator e a soul music “plastificada” dos sul dos EUA. Resultado? O álbum foi um dos precursores da discothèque.

Nos dois anos em que viveu em solo americano, antes de se isolar em Berlim, faturou um Grammy com Fame (parceria com John Lennon) e protagonizou o filme O Homem que Caiu na Terra. Ah, também gravou o álbum Station to Station, o qual o crítico Allan Jones, do Melody Maker, avaliou como “o mais revolucionário da década”. Pra mim, não foi.

Isso tudo eu quis contar para chegar no grande clássico do cara e que não pode faltar em sua coleção. O que eu considero revolucionário mesmo é o álbum de 1977, batizado Low, cuja capa é uma foto do filme que ele fez nos EUA e alude o tema central das poucas e curtas letras do disco.

O álbum gira em torno do tema que remete ao exílio voluntário à capital alemã. “Azul, elétrico azul/ é a cor do quarto onde vou viver/ venezianas fechadas o dia todo/ nada para ler, nada para dizer/ vou me sentar e esperar pelo dom de som e visão” (em “Sound and Vision”).

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Low é um dos discos mais influentes do rock e contou com a colaboração de outro mestre, Brian Eno (tecladista, ex-Roxy Music), dando início a trilogia de Berlin de Bowie (Heroes e Lodger completam a tríade, todos em colaboração com Eno).

Mas é em Low que Bowie inicia seu flerte com o rock alemão e incorpora a eletrônica na música de forma quase obsessiva. Eno, famoso pelo uso de sintetizadores em seus trabalhos, com seu domínio criativo da parafernália dos estúdios de gravação, deixa o velho camaleão fascinado.

Na época, Bowie declarou sobre as faixas instrumentais do lado B do álbum: “Essas músicas são mais uma observação, em termos musicais, de como eu via o Bloco Oriental. Era algo que não podia expressar em palavras. O que precisava era de texturas, e de todas as pessoas que eu já ouvi compor texturas, as de Brian Eno eram as que mais me agradavam”.

Não deu outra. As texturas sonoras criadas para Low foram chupadas por uma série de artistas e acabou virando gênero musical, chamado cold wave (espécie de tecnopop mais cerebral ou meditativo e desacelerado). Bowie abriu a torneira da fonte que outra lenda do rock, o Joy Division, iria beber no clássico Closer, lançado em 1980. Vale dizer que antes de se chamar Joy Division, o grupo atendia por Warsaw – extraído de “Warzawa”, faixa que abre o lado B de Low.

 


Se você conhece, que tal ouvir de novo? Se nunca ouviu, o que está esperando?

The Doors (1967) – Rompendo o stablishment do rock

Primeiro registro do The Doors em estúdio
Primeiro registro do The Doors em estúdio

Gravado em míseros quatro canais, assim como o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e lançado no mesmo ano, o álbum de estréia do grupo californiano The Doors foi diferente de tudo que já se tinha ouvido no rock. E é muito bom. 

O registro do álbum aconteceu  em agosto de 1966, com lançamento na primeira semana de 1967, o disco foi batizado com o mesmo nome do grupo, “The Doors” e a foto de capa soturna destacava o vocalista James Douglas Morrison, com o restante da banda em segundo plano. Um pecado, já que foi a unidade do quarteto complementado por Ray Manzarek (teclados); Robby Krieger (guitarra) e John Desmore (bateria) que dava o som característico e único do The Doors.

Utilizando elementos do blues, jazz e até flamenco e “bossa-nova”, o primeiro disco do The Doors é tão pungente e possui tanta qualidade em suas canções, que pode soar como uma coletânea dos maiores sucessos da banda aos mais desavisados. Ali estão contidos clássicos como Break on Through (To the Other Side), Light My Fire, Back Door Man, Crystal Ship e a épica The End, só para ficarmos nas mais óbvias.

Back The Doors
Seleção de músicas do primeiro disco do The Doors é tão boa que parece coletânea de hits

Gravado em poucos dias, com muitas músicas sendo registradas para a posteridade em um único take, The Doors, o disco, teve como primeiro single o clássico “Morrisiano” Break On Throuh e sua batida “bossa nova” acelerada. Foi idéia do batera, Desmore, dar esse molho latino a canção de Jim Morrison que exultava romper para o outro lado. Para a promoção do singe, ele mesmo e Manzarek, amigos do curso de cinema que faziam na Universidade da Califórnia (UCLA), dirigiram o filme, um dos precursores dos videoclipes.

Mas foi uma canção composta por Krieger e depois elaborada em inúmeros ensaios e shows antes do registro definitivo no álbum, que se tornou a canção do verão de 1967. Light My Fire incendiou o mundo e colocou o The Doors, ao lado dos Grateful Dead e os Jefferson Airplane, como ícones da contracultura da América.

The+Doors+1967+Billboard+on+Sunset+Strip
Outdoor de divulgação promovido pela Elektra, gravadora do The Doors

Seja por suas performances bombásticas, pela interpretação passional nas canções ou pela curta e profícua carreira do grupo, esse cartão de apresentação da banda, o primeiro disco é item necessário na coleção de qualquer aspirante a roqueiro.

Barão Vermelho: O Primeiro a gente nunca esquece

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“Pouco importa o que essa gente vá falar mal, falem mal. Eu já to pra lá de rouco, louco total… Eu sou o teu amor entenda. Você precisa descobrir o que está perdendo. É, o que está perdendo!”. Assim o Barão Vermelho estreava em 1982, no primeiro álbum do grupo, batizado simplesmente como “Barão Vermelho”.

Vivendo ainda sob o regime da ditadura, um período mais “brando”, com o general João Figueiredo no poder, a juventude brasileira não se identificava muito com o que rolava no dial. Bastou uma cena carioca, uma rádio e um local de shows para impulsionar as bandas que já existiam. Pronto, estava dado o pontapé inicial no que foi considerado o “boom” do Rock Brasil, com Blitz, Lulu Santos e Barão Vermelho abrindo as portas.

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Gravado em dois finais de semana e lançado pela Som Livre em 27 de setembro, o primeiro álbum do Barão é o disco mais cru, visceral e genial do rock brasileiro. Seu som de garagem, gravado com urgência e pujança, foi mal registrado nos estúdios da gravadora, é verdade, o som é abafado e chapado, pois a mixagem não prezou pela qualidade, mas esse fato é menor ante a qualidade de suas canções. Letra e Música combinavam perfeitamente, com o punch stoneano que era evidente no som da molecada na faixa dos seus 18 anos. Guto Goffi, Maurício Barros, Dé Palmeira e Roberto Frejat possuíam o feeling das músicas, do rock travesso e Cazuza, o principal letrista e vocalista, se encaixava como uma luva com sua poesia e escracho.

Misturando Dolores Duran e Cartola, com Rolling Stones e Bob Dylan, blues, rhythm blues, rock e MPB fazem a fusão do caldeirão do Barão e faz com que o disco traga tantos petardos reunidos que fica difícil imaginar que uma garotada pudesse produzir som tão maduro. Sob a supervisão do saudoso Ezequiel Neves e Guto Graça Mello, “Down em Mim”, “Ponto Fraco”,” Billy Negão”, “Conto de Fadas”, “Bilhetinho Azul” e a clássica “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, entre outras, não foram totalmente compreendidas, na época, pela galera que estava ouvindo “A vida melhor no futuro”, do Lulu, ou o “Chope com batata-frita” da Blitz e vendeu muito pouco, mas o tempo se encarregou de colocar o álbum e suas canções para a história.

A partir deste disco o Barão Vermelho deixou sua marca na história do rock brasileiro, sendo, ao lado de Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, uma das mais influentes bandas brasileiras. O disco completou três décadas em 2012 e foi remixado pelos Barões remanescente para um lançamento comemorativo. Esse não pode faltar na sua coleção!