Adeus, B.B. King!

Como diria Zoli Claudio​ na clássica canção Noite do Prazer, do Brylho… vamos seguir na madrugada adentro com a “vitrola rolando um blues, tocando BB King​ sem parar”!

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Integrante do Hall da Fama do Rock and Roll desde 1987, B.B. King morreu na madrugada desta sexta, 15 de abril, em Las Vegas, aos 89 anos de idade.

O músico foi hospitalizado no início de abril após sofrer desidratação. King era portador de diabetes tipo 2 e havia sido internado novamente há poucos dias.

Mais uma perda irreparável para a música.

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Ed Motta tá certo e me perdoe os coxinhas!

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Sou brasileiro, “pedreiro”, moro na europa, tenho um subemprego, sinto saudades do Brasil, minha “cultura” musical não é muito vasta, mas gosto de sertanejo universitário, pagode e axé. Sempre que posso gosto de ostentar o pouco que conquistei. Quando vou à festas bebo muito, falo alto e faço questão de ser inconveniente. Sei lá, tenho essa necessidade de chamar atenção. Quando tem algum show de brasileiro por aqui, faço questão de comparecer para matar um pouco as saudades da terrinha. Gosto de ouvir outra pessoa falando português, quero ouvir as músicas que eu gosto e cantar junto… “ai, ai se eu te pego”, “eu quero tchu, eu quero tcha”.

Nossa, como eu sinto falta de música brasileira, é sempre uma festa, tão animada. Vão ter alguns shows do Ed Motta por aqui, vou chamar a turma para agitarmos por lá. Eu sou mais simplório, nunca acompanhei direito a carreira do Ed, mas quero cantar bem alto aquelas que tocaram no rádio como “Manoel”, “Daqui Pro Méier”, “Fora da Lei”, “Colombina”, “Vamos Dançar”… Tomara que ele toque outras músicas conhecidas, pode até ser de outros artistas brasileiros. Eu não falo bem e não entendo direito o inglês. Mas o lance mesmo é a diversão. Vou com minha camisa do mengão, meu relógio novo e, tomara Deus, que o show seja uma festa! O que? não vai ter nada disso? O Ed não vai falar português? Não vai ter “Manoel”? É um show de jazz? Que porra é essa? É de comer? Que merda, não vou nesse show! Puta cara babaca, não vai tocar o que eu quero, não vai falar o que eu quero e ainda vai tocar músicas que eu não conheço. Vou xingar muito no Facebook pra ver se ele muda o repertório. E Vou esperar quando o Michel Teló ou o Tiaguinho se apresentarem por aqui!

Não, não sou melhor nem pior do que as pessoas que não seguem a mesma cartilha que eu. Cada um com seus cada qual. Não é porque a pessoa nunca ouviu John Coltrane, Duke Ellington, Miles Davis, e não saiba sequer onde fica Nova Orleans, que ela será uma pessoa menor. Tão pouco os que conhecem serão superiores. Fato é que a turnê que o Ed Motta fará na europa é para os apreciadores do gênero criado pelas comunidades negras americanas no início do século XX e não para aquelas “simplórias”, que não compram discos, só ouvem o que toca no rádio e o que lhes empurram ouvido abaixo. Não, o show não é para você que é fã do Luan Santana. Ponto.

O que o Ed Motta fez, de modo um pouco incisivo para muitos, foi alertar a esse grupo. “Não gaste seu dinheiro e nem a paciência alheia atrapalhando um trabalho que é realizado com seriedade cirúrgica”. Quem vai se sentir ofendido com esse tipo de “alerta”? Apenas aqueles que se identificarem com o que escrevi no início do texto, ou seja, as pessoas simplórias.

Ah, e para aquelas que adoram odiar tudo na internet, é simples… Não gosta do Ed Motta, não ouça, não perca tempo respondendo ao comentário dele no Facebook. Não gosta de jazz, não vá a um show desse estilo. Quer fazer questão de que é brasileiro sem noção, deixe para gritar em um show de sertanejo, axé ou pagode, onde esses comportamentos são normais e aceitáveis. Cada um na sua vibe, na sua tribo. Mas entrar na página de um músico, independente do tamanho do sucesso que ele tenha aqui ou no exterior, só porque você não concorda com o que ele escreveu, tornando o “assunto” em um fato mais importante do que um monte de desgraça que está acontecendo pelo País, xingando o cara de preto, gordo, feio, careca, só te faz ser tão babaca ou mais do que o Ed Motta que você tanto xingou. O show é do cara, ele toca o que quer, do jeito que quer e vai quem quer. Apenas não vá esperando o que você não vai encontrar em um show dele no exterior. E na boa, pro cara escrever isso, ele, que tem quase 30 anos de carreira, deve estar de saco cheio de aturar bêbado chato atrapalhando o show.

Ah, se sou contra quem vai a um show mais intimista para “farrear” e não para assistir a apresentação? Sim, sou. Acho que não deveriam gastar seu dinheiro e nem a paciência alheia atrapalhando um trabalho que é realizado com seriedade cirúrgica. Sim, me chamem de babaca!

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  TRANSCRIÇÃO DO PEDIDO DO MÚSICO ED MOTTA, EM SEU PERFIL DO FACEBOOK

conforme venho avisando aqui nos últimos 3 anos, eu agradeço e fico honrado em ser prestigiado pela comunidade brasileira, mas é importante frisar, não tem músicas em português no repertório, eu não falo em português no show… Preciso me comunicar de forma que todos compreendam, o inglês é a língua universal, então pelo amor de Deus, não venha com um grupo de brasuca berrando “Manuel” porque não tem, e muito menos gritar “fala português Ed”… O mundo inteiro fala inglês, não é possível que o imigrante brasileiro não saiba um básico de inglês. A divulgação da gravadora, dos promotores é maciça no mundo Europeu, e não na comunidade brasileira. Verdade seja dita, que meu público brasileiro de verdade na Europa, é um pessoal mais culto, informado, essas pessoas nunca gritaram nada, o negócio é que vai uma turma mais simplória que nunca me acompanhou no Brasil, público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time. Não gaste seu dinheiro, e nem a paciência alheia atrapalhando um trabalho que é realizado com seriedade cirúrgica, esse não é um show para matar a saudade do Brasil, esse é um show internacional. Que desagradável ter que toda vez dar explicações, e ter que escrever esse texto infame…

O melhor cover de Pink Floyd, ever!!!!

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Pessoal lá do Amazonas é que é feliz, pois tem a seu bel prazer a dupla mais power em fazer versões de músicas do Pink Floyd! Eu já virei fã do “baterista”. Assista, vc não irá se arrepender!

10 maneiras de segurar um microfone (para iniciantes)

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Por que não tiveram essa ideia antes. O vlogueiro Jared Dines compilou em um vídeo hilário maneiras que roqueiros e metaleiros tem na hora de empunhar um microfone e encarar a plateia para passar o recado. Logo na primeira posição, T-Rex, não dá para não rir. Confira!

James Brown – Trailer Legendado Oficial da Cinebiografia

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Saca Groove? Funk? Swing? Balanço? Ritmo?

Pois a personificação de tudo isso se dá em James Brown, o cara que mudou a música pop nos anos 1960! A Universal lançou o trailer oficial da cinebiografia do cantor, conhecido por Mr. Dynamite (e também por Soul Brother Number One, Sex Machine, The Hardest Working Man in Show Business, The King of Funk, Minister of The New New Super Heavy Funk, Mr. Please Please Please Please Her, I Feel Good, The Original Disco Man5 e principalmente The Godfather of Soul (“O Padrinho do Soul”). No livro “Sweet Soul Music” de Arthur Conley, ele é descrito como King of Soul (“Rei do Soul”)).
Mais do que escrever sobre Brown, o melhor é ouví-lo. Então dá um clique para conferir o trailer e vá buscar na rede as músicas para alegrar seu dia!
O filme está previsto para 5 de fevereiro de 2015 e traz no elenco o ator Chadwick Boseman dando vida a James Brown na telona!

Veja o cartaz nacional do filme

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Capas de Discos Animadas em GIFs

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Sou da época dos discos de vinil, os saudosos LPs, ou “bolachões” para alguns, mas não sou daqueles saudosos pelo chiado, ou estalos característicos de um disco bem rodado. Porém, a arte das capas é algo que me atrai e, infelizmente, com o CD, Cassetes e MP3, se perdeu. As capas de discos eram arte, em sua maioria. Pegue as capas dos discos dos Beatles, Stones, Zeppelin, Floyd e vc entenderá o que eu digo. Pois bem… Se a internet ajudou difundindo uma cultura de download individual de canções, também nos propicia trabalhos interessantes, como o do artistaJB, que em seu Tumblr jbetcom posta capas animadas em GIFs. Há um bocado delas que você pode conferir abaixo na galeria…

Abbey Road dos Beatles – 45 anos depois

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Fãs do quarteto de Liverpool se reuniram na faixa de pedestres mais famosa do mundo nesta sexta-feira, 8 de agosto, para celebrar os 45 anos da realização da foto clássica do álbum Abbey Road, o 12º e último disco gravado pelos Beatles. Atores do musical Let it Be cruzaram a rua para reproduzir a capa do álbum, que traz John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison atravessando a rua.

A fotografia da capa do álbum Abbey Road é uma das mais icônicas da cultura pop. Clicada em 8 de agosto de 1969, pelo fotógrafo Iain Macmillan, a imagem já foi parodiada dezenas de vezes.
A sessão demorou apenas dez minutos e meia dúzia de fotografias foram tiradas.AbbeyRoad foi lançado pelos Beatles em 26 de setembro de 1969 e teve o mesmo nome da rua londrina onde se situa o estúdiodaEMI, que passou a sechamarAbbeyRoad após o disco. Confira as fotos dos bastidores da sessão que gerou a capa.

A abbey Road atualmente em um dia normal
A abbey Road atualmente em um dia normal

Clique e veja no Google Maps

Os Beatles nessa época como grupo, internamente, já estava destroçado. O álbum foi o canto do cisne dos rapazes. Todos sabiam que aquele era o último disco e que a banda haveria de acabar após o feito. Paul é quem comandava a maioria das atividades do grupo, mas nada era muito fácil. E foi justamente McCartney quem teve a a ideia e iniciativa de fotografar naquela faixa de pedestres.

Rascunho original feito por McCartney  para a foto
Rascunho original feito por McCartney para a foto

Antes mesmo de iniciar a sessão, Paul fez uma foto da rua vazia… abbey-road-empty-690808-580x389

Foram realizadas seis fotos para a tomada de capa… apenas seis tentativas para criar um clássico

 

Não há turista que passe por ali que não faça uma foto, refazendo os passos de Lennon, Starr, McCartney e Harrison… Até mesmo eu fiz uma, claro…

Sal atravessando a rua Abbey
Sal atravessando a rua Abbey

Miley Cyrus em um vídeo bizarro com The Flaming Lips e Moby

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A ex-Hannah Montana e atual Miley-quero-chamar-a-atenção-do-mundo-Cyrus, lançou essa semana um “curta metragem” bizarro, em conjunto com o grupo Flaming Lips e o cantor Moby. A parada seria um clipe para uma música que faz referência ao LSD, mas saiu isso aí que vc confere abaixo, com o título Blonde SuperFreak Steals the Magic Brain + Lucy In The Sky With Diamonds

Wayne Coyne, vocalista do Flaming, tenta explicar a bagaça:

“A história do vídeo é mais ou menos assim: Moby é um líder cult e demoníaco. Ele quer a coisa mais valiosa (de acordo com nossa história) psicodélica e sobrenatural do mundo…o cérebro de John F. Kennedy. O cérebro em questão contem a formula original da droga LSD!!!
Miley Cyrus no entanto é a dona do cérebro, então Moby convoca uma loira ninfomaníaca para ir roubar o cérebro de Cyrus. Ela rouba o cérebro enquanto Cyrus ainda está na cama em coma induzido pelo uso de drogas. Quando ela finalmente acorda, fica extremamente puta porque seu cérebro foi roubado. Ela então convoca um papai noel de rosto queimado e uma lésbica pé grande para caçar a loira bizarra que roubou o cérebro. Durante a perseguição, Cyrus lamenta a perda do cérebro mágico e Moby ganha arco-íris poderosos do inferno. Por sim, a loira bizarra mata o papai noel e o pé grande e o cérebro acaba ficando com um filhote de toupeira. Ah sim, e os Flaming Lips estão disfarçados como arco-íris, cogumelos e flores assistindo a tudo de uma sala no céu, onde acontece uma gigantesca explosão de diamantes”.

 

Dia do Rock – Top 5 Melhores Riffs de Rock

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Comecei a ouvir rock na década de 1970, quando criança. Na vitrola ou no rádio muito Roberto Carlos, Erasmo, Secos e Molhados, Raul Seixas, Rita Lee, Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones. Na época nem sabia o que era um riff de guitarra, mas me chamava a atenção o solo de guitarra mágico, repetitivo e marcante de (I Can’t Get No) Satisfaction”. Porém, esse som de guitarra, tão característicos no rock, me fez me aprofundar cada vez mais no rock’n’roll! Abaixo, listo os meus cinco (A lista poderia ser bem mais extensa) “riffs” preferidos!!!

Satisfaction – The Rolling Stones

Day Tripper – The Beatles

Whole Lotta Love – Led Zeppelin

Back in Black – AC/DC

Foxy Lady – Jimi Hendrix

 

Ariston Sal Junior
Que acha Keith Richards o maior “riffeiro” de todos os tempos

Porque todo dia é dia de Rock

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No princípio criou Deus a guitarra, o contrabaixo e a bateria… A música já possuía formas, mas para muitos jovens era vazia; e havia trevas sobre a face dos ritmos existentes. Disse Deus: haja rock.E houve rock. Viu Deus que o rock era bom; e fez separações entre os instrumentos e o papel de cada integrante. E Deus chamou o ritmo de rock’n’roll. E foi a tarde, a manhã e a noite, o dia primeiro. 13 de julho de 1954.

O rebento ainda sem nome apareceu no cenário do Pós-guerra, na virada dos anos 1940 aos 1950. O filho bastardo da música country americana com o blues dos negros começou a ser tocado nas rádios do Sul dos Estados Unidos, caminhando a passos tímidos, rompendo barreiras. O primeiro disco considerado rock’n’ roll foi gravado pelo grupo The Crows, em 1951, com a canção “Gee”, três anos antes do gênero receber nome. Foi o disc-jóquei Alan Freed, em 1954, que criou um festival chamado Rock’n’roll Jubilee, e batizou a criança.

Desde então, o rock se rebelou, amadureceu e cresceu. Cresceu tanto que dos primórdios com Chuck Berry até hoje, tudo mudou. O cenário, os artistas e a forma de comercialização da música sofreram impactos. Veja a digitalização e as formas que consumimos música atualmente. I-pod, internet, MP3, diversas mídias, inúmeras possibilidades.

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A década de 1950 é fundamental ao estilo. O rechonchudo Bill Halley com seus Cometas, Chuck Berry, Little Richards e Jerry Lee Lewis, deram o pontapé inicial incendiando com seus gingados, riffs de guitarra e solos de piano o coração dos jovens americanos ávidos por uma trilha que embalasse espíritos inquietos. Na cola desses pioneiros, surgiram os Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, The Doors, Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd, Queen, U2, The Smiths, The Cure, David Bowie, Iggy Pop, Pearl Jam, Nirvana.

Com um motorista de caminhão, caipira, nascido em East Tupelo, no Mississipi, o rock se consolida como fenômeno para as massas. Ao fazer uma jam-session com a canção “That’s All Right Mama”, com mais dois músicos que o acompanhavam, no dia 13 de julho de 1954, lançou a pedra fundamental do ritmo. Daí a escolha da data para, em 1985, lançar o mega-evento Live Aid.

Desde então, o filho bastardo, gerado após a bomba atômica, e que pregou a paz e o amor, ganhou status. Transgressor na essência, rebelde até a medula, o rock dita moda, influencia comportamentos, embala romances, foi trilha sonora no Vietnã, criou os hippies, morreu, renasceu das cinzas e se reinventou. Ah! O motorista caipira atendia pelo nome de Elvis Presley, mas isso é uma outra história.

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por Ariston Sal Junior

Ainda Somos Os Mesmos – Novas bandas prestam tributo a clássicos compostos por Belchior

Para esse post eu tentei, sem sucesso, entrar em contato com Belchior, mas ele continua exilado de sua persona e do mundo, enfim… De qualquer maneira, o músico Cearense voltou a mídia musical essa semana, por conta de um tributo, mais que merecido, onde artistas novos, como Nevilton, Bruno Souto, Marcelo Perdido e outros, relêem as faixas que compõem o clássico Alucinação, lançado por Belchior em 1976. Músicas geniais composta em uma época em que a MPB navegava em águas mais limpas, como Apenas Um Rapaz Latino Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, A Palo Seco, Como o Diabo Gosta, estão presentes em regravações que ora se afasta bastante da versão original, ora remete a versão de Belchior

O bacana da novidade é que ela está disponível para audição e download e tem como bônus o EP Entre o Sonho e o Som, com outras cinco músicas do cantor sumido. O interessante do registro é justamente a identidade que cada artista imprime nas faixas, seja na inventividade do som, seja na desconstrução da música. Não vou elencar aqui as que eu achei mais legal e saliento que sigo com as músicas originais lançadas originalmente por Belchior, mas acho muito válido a homenagem e é uma ótima oportunidade para uma galera entrar em contato com as canções do cearense pela primeira vez.

Capa EP Entre o Sonho e o Som (2014)
Capa EP Entre o Sonho e o Som (2014)

Set List do álbum + EP

Álbum: Ainda Somos os Mesmos
1- Dario Julio & Os Franciscanos – “Apenas Um Rapaz Latino Americano”
2- Manoel Magalhães – “Velha Roupa Colorida”
3- Phillip Long – “Como Nossos Pais”
4- Nevilton – “Sujeito de Sorte”
5- Lucas Vasconcellos – “Como o Diabo Gosta”
6- Bruno Souto – “Alucinação”
7- Lemoskine – “Não Leve Flores”
8- Fábrica – “A Palo Seco”
9- Transmissor – “Fotografia 3×4?
10- Marcelo Perdido – “Antes do Fim”

EP Bônus: Entre o Sonho e o Som
1- nana – “Coração Selvagem”
2- Jomar Schrank – “Comentário a respeito de John”
3- Ricardo Gameiro – “Medo de Avião”
4- João Erbetta – “Paralelas”
5- The Baggios – “Todo Sujo de Batom”

Comercial de cerveja traz Elvis Presley, John Lennon e Kurt Cobain descansando em ilha paradisíaca

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Genial a ideia da cerveja Bavaria Radler para o novo comercial lançado recentemente. No vídeo de 60 segundos Elvis Presley, John Lennon, Kurt Cobain, Tupac Shakur, a atriz Marilyn Monroe e o mestre Bruce Lee, aparentando as idades que teriam, se vivos, descansam em uma ilha paradisíaca, quando um navio é avistado e em ura saída estratégica os ícones pop “camuflam”  seus vestígios para que não possam ser descobertos. Vale lembrar que essa Bavaria não tem nada a ver com a fabricante nacional. E lembre-se, se for dirigir, não beba!

Confira!

 

G.U.Y. Novo vídeo de Lady Gaga traz referências a Jesus Cristo, Gandhi e Michael Jackson, Lego, Minecraft e Mitologia Antiga

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Fotografia e edição caprichada, coreografias bem ensaiadas, roupas esquisitas e o estilo excêntrico da cantora… Está tudo lá, no novo clipe da cantora e compositora Lady Gaga, para a música G.U.Y., lançado oficialmente no último sábado e que integra o álbum Artpop.

Com aproximadamente sete minutos de duração, o clipe inicia com Gaga encarnando uma espécie de anjo, ferido por uma flecha em meio a um caos de “executivos”em busca de $$$$. Mesmo ferida a personagem chega a um castelo e se transforma em Afrodite. Recuperada e já com certa influência no Olimpo, o plano é repovoar a terra com clones obtidos através da combinação de DNA de Michael Jackson, Jesus Cristo e Gandhi.

O vídeo conta ainda com as presenças do elenco da série The Real Housewives of Beverly Hills e do criador do jogo Minecraft. Segundo Lady Gaga, tanto a série quanto o jogo foram grandes companhias no período em que ela ficou internada no hospital para se recuperar da lesão que sofreu no quadril ano passado.

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Filmado em sua maior parte Hearst Castle, na Califórnia, nos Estados Unidos, o clipe foi dirigido pela própria Gaga, que troca de figurino 16 vezes e passa por 13 cenários diferentes, sem contar dezenas de bailarinos e figurantes. O clipe ainda apresenta duas músicas além de G.U.Y. No começo, enquanto ela está de anjo ferido toca Artpop, depois quando está em frente ao castelo para ser resgatada toca Venus e nos créditos finais a canção é Manicure.

Confira a letra e a tradução aqui

Campanha da Kiss FM – Simplesmente demais

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Quem assistir pode não concordar comigo, beleza, seguiremos numa boa, mas não posso deixar de comentar aqui que eu achei a ideia da da nova campanha publicitária da Rádio Kiss FM muito criativa e maravilhosamente executada. Sem contar que eu fiquei arrepiado com o clipe. A campanha completa será lançada nesta terça-feira, 18 de março.

Criada pela agência AlmapBBDO, a campanha institucional da Rádio Kiss FM, de São Paulo é composta de um clipe com 98 segundos de duração (com versões de 60 e 30 segundos), spot de rádio, mídia impressa e trabalhos digitais. A marca registrada da rádio, lógico, é o rock e o objetivo da campanha é destacar isso, a fidelidade ao ritmo, ao gênero sessentão que fez a cabeça da rapaziada de gerações passadas, mas que não está muito em alta, infelizmente, entre os jovens de hoje em dia. Mas há esperanças!

Eu assisti ao vídeo faz alguns minutinhos e nele é bacana de ver as referências surgindo na tela. Se você prestar atenção direitinho e, claro, for roqueiro, vai encontrar um porta retrato com a capa do disco do U2, outra fotografia com a capa do discaço do Bob DylanThe Freewheelin, outra do bluseiro Robert Johnson no cruxifixo do padre… Mas é quando soa o primeiro solo que os pelinhos arrepiam. Puta Que Pariu! Puxa que bacana! Como alguém pode preferir sertanejo universitário?

No clipe não há diálogo. O enredo trata de um “endorcismo”, que seria o contrário de um “exorcismo” e a ideia é fazer o espírito do rock’n’roll voltar ao corpo de um rapaz, possuído por outros “estilos musicais”, se é que dá para chamar aquelas coisas de música. É engraçado ver o carinha tentando reagir aos solos de rocks clássicos dançando e fazendo as coreografias ridículas dos outros ritmos. Durante a sessão de endorcismo outras imagens de capas de discos e artistas ícones do rock são mostradas rapidamente. Ah, o guitarrista modafóca é a cara do Neil Young.

Tá, escrevi demais… Assiste aí em alto e bom som!!!! Aumenta que isso aí é Rock’nRoll!!!

Ao todo, serão quatro anúncios ilustrados pelo designer americano David Moscati, que desenha, entre outras artes, cartazes de cinema. Foram estes cartazes que inspiraram a mídia impressa. No rádio, um dos spots é o depoimento do rapaz que passou pela sessão de endorcismo. No outro, o “endorcista” discute com as músicas ruins para afastá-las. A campanha digital deve ser lançada em breve. Será interativa e ligada ao filme.

Continuar lendo “Campanha da Kiss FM – Simplesmente demais”

Desculpe, Neymar – Música reflete o sentimento de uma parcela dos brasileiros inconformados com os altos gastos da Copa

Não, eu não gosto de futebol. Não, eu não vou torcer para o Brasil na Copa, aliás, tô pouco me lixando para o evento. Poderia elencar dezenas de motivos que me fazem não me interessar para as “festividades” da Copa esse ano, mas o cantor e compositor Edu Krieger mandou muito bem e postou no canal do Youtube, uma canção muito foda bonita, chamada “Desculpe, Neymar”, e que expressa exatamente meus sentimentos.

A música se torna, a meu ver, ainda mais contundente, pelo arranjo suave, só voz e violão, mas o discurso é pungente e irônico no final. Dá um play aí e, se gostou, assina o canal do Krieger no Youtube que o cara merece, pelo simples fato de mandar bem pra caralho caramba nessa composição. Edu Krieger ganhou meu respeito.

Desculpe, Neymar
Mas nesta Copa eu não torço por vocês
Estou cansado de assistir ao nosso povo
Definhando pouco a pouco
Nos programas das TVs
Enquanto a FIFA se preocupa com padrões
Somos guiados por ladrões
Que jogam sujo pra ganhar
Desculpe, Neymar
Eu não torço desta vez

Parreira, eu vi
Aquele tetra fez o povo tão feliz
Mas não seremos verdadeiros campeões
Gastando mais de 10 bilhões
Pra fazer Copa no país
Temos estádios lindos e monumentais
Enquanto escolas e hospitais
Estão à beira de ruir
Parreira, eu vi
Um abismo entre Brasis

Foi mal, Felipão
Quando Cafu ergueu a taça e exibiu
Suas raízes num momento tão solene
Revelou Jardim Irene
Um retrato do Brasil
A primavera prometida não chegou
A vida vale mais que um gol
E as melhorias onde estão
Foi mal, Felipão
Nossa pátria não floriu

Eu sei, torcedor
Que a minha simples e sincera opinião
Não vai fazer você, que ganha e vive mal
Deixar de ir até o final
Junto com nossa seleção
Mesmo sem grana pra pagar o ingresso caro
Nunca vai deixar de amar o
Nosso escrete aonde for
Eu sei, torcedor
É você quem tem razão

Here, There and Everywhere – Minha Vida Gravando os Beatles (+ Entrevista com Geoff Emerick)

Livro narra os bastidores das gravações mais lendárias dos Beatles
Livro narra os bastidores das gravações mais lendárias dos Beatles

Lançado nos EUA em 2006 pelo engenheiro de som dos estúdios EMI, Geoff Emerick, com a ajuda do jornalista Howard Massey, Here, There and Everywhere – Minha Vida Gravando os Beatles narra a trajetória de Geoff, desde sua adolescência, quando conseguiu a vaga de estagiário de assistente de engenharia de som no lendário estúdio Abbey Road até os dias atuais. Porém, como o próprio título do livro entrega, é a sua convivência nos estúdios com os quatro rapazes de Liverpool, desde sua primeira gravação, em 1962, até o último álbum da banda, em 1969, a cereja do bolo e a razão de ser das memórias de Geoff no livro.

Aqui no Brasil o livro chegou apenas no final do ano passado, através da editora Novo Século, o livro é mais voltado aos fãs dos Beatles, ou para aqueles interessados em como as gravações funcionavam 50 anos atrás. De forma simples, mas não menos interessante, Geoff conta detalhes técnicos e truques usados nos estúdios de gravação para dar forma as ideias pouco convencionais de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Sempre sob o olhar atento do produtor George Martin, o leitor entra nas estruturas do estúdio e viaja no tempo em que clássicos álbuns como Revolver e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band foram registrados em míseros quatro canais de gravação.

Geoff em algum momento dos anos 2000
Geoff em algum momento dos anos 2000

Mesmo na correria do dia a dia, eu consegui a proeza de ler o livro em apenas uma semana, tamanha é a sede de saber mais e mais sobre as gravações contadas de maneira atraente pelo autor. Confesso que, após concluir a leitura, eu fui ouvir várias das músicas gravadas por Geoff, com fones de ouvido, para prestar atenção nos detalhes, nas minúcias, nos truques e “erros” abordados de forma apaixonada pelo engenheiro de som. Faça a experiência. Confesso que você jamais ouvirá A Day In The Life ou Tomorrow Never Knows, da mesma maneira que antes.

Geoff, por amar tanto a música é capaz de enxergar cores quando a ouve, por isso, diz que pinta quadros com as canções. Por seu amor e dedicação sabemos como um pedido inusitado de Lennon como, “faça minha voz soar como o Dalai Lama cantando no alto de uma montanha”, para Tomorrow Never Knows, tomou forma em 1966, na gravação do disco Revolver, usando os parcos recursos que mesmo um grandioso estúdio, como o da EMI (que só viria a ser chamado de Abbey Road após o lançamento do disco dos Beatles com o mesmo nome), oferecia na época.

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Ringo Starr entrega ao engenheiro de som, Geoff Emerick, o Grammy de “Melhor Engenharia de Gravação” para Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, enquanto o produtor George Martin apenas observa (Mar/1968)

Além de narrar os bastidores das gravações de vários clássicos dos Beatles, Geoff também nos brinda com particularidades sobre as personalidades de cada um dos integrantes no estúdio, durante as várias fases da carreira do grupo. O engenheiro de som, cargo que conquistou aos 19 anos, às vésperas da gravação de Revolver, nos mostra desde a época em que os Beatles eram vistos com desconfiança pelos funcionários da EMI em 1962, os dias de glória e inovações nos estúdios – quando os quatro músicos resolvem parar de excursionar e se dedicar apenas às gravações a partir de Revolver – a fase “pesada” do registro do Álbum Branco, até a despedida com Abbey Road, quando nunca mais os quatro se reuniram para qualquer outra atividade musical.

Muito já se escreveu sobre os Beatles, alguns livros são muito bons, outros apenas caça níqueis. Minha avaliação sobre se vale a pena ler Here, There and Everywhere – Minha Vida Gravando os Beatles, é SIM. Geoff nasceu para ser engenheiro de som, mais que isso, ele nasceu para gravar os Beatles. Por ser testemunha ocular da história musical dos Fab Four, Geoff nos apresenta um relato diferenciado, uma nova visão da banda, ao contrário do maciçamente abordado em tantas outras que existem por aí.

Parabéns para editora Novo Século em trazer este livro para o Brasil. Antes tarde do que nunca.
Boa leitura! 😉

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Top 10 – Discos de Vinil Nacionais

Cresci na transição do analógico para o digital e considero isso uma questão muito positiva. Ao mesmo tempo em que aprecio as maravilhas desse mundo novo que a Internet nos proporciona, onde entro em  contato com uma gama de informações que jamais poderia sonhar nos idos de 1980, por exemplo, aprendi também o valor de se apreciar música de qualidade, com calma. Sou da época dos discos de vinil (pré-MP3), onde um álbum era sorvido faixa a faixa, os dois lados do disco. Lia todo o encarte com a ficha técnica, as letras, os compositores. Hoje tudo é muito corrido e dificilmente me sobra tempo para esse “antigo” ritual, mas sempre que possível ouço um álbum na íntegra, como nos velhos tempos. Dito isto, selecionei 10 discos nacionais que me influenciaram e ajudaram a moldar o que sou hoje. Abaixo estão os MEUS melhores discos (nacionais e internacionais) e que, se eu fosse você, não deixaria de ouvir.

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura - Pitadas do Sal
Roberto Carlos em Ritmo de Aventura – 1967

Trilha sonora do filme homônimo, estrelado por Roberto Carlos, esse disco fez parte da minha formação musical, na década de 1970, junto a outros discos do Rei. Esse marcou pela qualidade das músicas, o ritmo das canções e, claro, por remeter as cenas do filme, “inspirado” em Os Reis do Iê-Iê-Iê e Help!, dos Beatles. Roberto Carlos em Ritmo de Aventura contém os clássicos “Como é Grande o Meu Amor Por Você“, “Eu Sou Terrível“, “Quando“, “Por Isso Corro Demais” e “Você Não Serve Pra Mim“.

A Arte de Caetano Veloso - Pitadas do Sal
A Arte de Caetano Veloso (Coetânea) – 1975

Essa coletânea de Caetano Veloso, lançado em meados da década de 1970, foi inserida em meu lar, ao lado de uma coletânea no mesmo estilo de Gilberto Gil, por meu pai. Ao lado dos discos do Roberto Carlos, essa coletânea rodou muitas vezes na agulha da minha vitrola portátil da Philips, presente de aniversário de minha mãe. Lembro que ouvia e me identificava mais com as canções de Caetano Veloso, que as do Gil. Com essa coletânea dupla tomei contato, conscientemente, com clássicos como “London, London“, “Alegria, Alegria“, “Tropicália“, “Baby“, “Não Identificado“, entre outros…

As Aventuras da Blitz - 1982
As Aventuras da Blitz – 1982

Ouvi “Você Não Soube Me Amar” pela primeira vez no verão de 1982, em um radinho de pilha de um colega que morava em frente a minha casa, no subúrbio do Rio de Janeiro. Passava das 18 horas e lembro que fui contagiado com algo diferente. Poucas vezes eu me emocionei tanto com uma música nova. “Eu tinha 12 anos e ainda me lembro do dia…”. Algumas semanas depois eu ganhei o compacto com a icônica canção, brinde de uma promoção do shampoo Wella Seleção. Quando finalmente o primeiro LP da Blitz foi lançado, no segundo semestre do ano, meu pai me presenteou, comprando-o na extinta Mesbla. Recordo com muita clareza a primeira audição. “Salve, salve senhoras e senhores e rapaziada em geral (aumentem o som)…”, eram os primeiro versos da música de abertura, “Blitz Cabeluda“. Perdi as contas de quantas vezes ouvi o disco naquela semana. Esse, sem dúvida, foi o disco mais influente em minha vida. Posso afirmar com certeza que por conta dele, e da própria banda, lógico, eu “aprendi” a tocar gaita, estudei teatro no O Tablado, tive algumas bandas pelo Rio e fora dele e passei a “aperfeiçoar” meu gosto musical com o som produzido pelas bandas dos anos 1980 e os artistas que as influenciaram. Sem contar que esse álbum foi responsável pela “abertura” das portas das gravadoras para vários outros artistas que vieram na cola da Blitz, como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e Barão Vermelho.  Um marco.

Cenas de Cinema - Pitadas do Sal
Lobão – Cenas de Cinema – 1982

Logo após gravar o primeiro LP da Blitz como baterista, Lobão nem esperou o lançamento do disco e tratou de correr atrás de seu próprio álbum solo, já gravado previamente com a colaboração de luxuosos amigos como Lulu Santos, Ricardo Barreto, Marcelo Sussekind, Marina Lima e Ritchie. A música que dá nome ao disco, “Cena de Cinema” e  “Doce da Vida” tocaram razoavelmente bem na Rádio Fluminense, mas o disco vendeu próximo de 6 mil cópias apenas, saindo em seguida de catálogo. Cena de Cinema é um clássico para mim e um dos discos mais subestimados dos anos 1980. O vinil, assim como a edição em CD lançada em 1991, são raridades. O primeiro mais do que o segundo. Eu tenho os dois. 😉

Barão Vermelho 1982 - Pitadas do Sal
Barão Vermelho – 1982

Batizado simplesmente como Barão Vermelho, o primeiro LP da banda é o meu preferido nacional, “ever”. Rock puro, urgente, com letras inteligentes (hoje consideradas obras-primas). Eu escrevi um post especial para esse disco, que você pode ler clicando aqui.

Vôoa de Coração - Pitadas do Sal
Ritchie – Vôo de Coração – 1983

Vôo de Coração é o nome do primeiro álbum do músico inglês, Ritchie. Lançado em 1983, o disco fez enorme sucesso, com mais de 700 mil cópias vendidas e desbancou o próprio Roberto Carlos das paradas de sucesso daquele ano.O álbum possui os sucessos “Menina Veneno“, “Casanova“, “Pelo Interfone” e “A Vida Tem Dessas Coisas“. Foi gravado com a colaboração de vários amigos do cantor, como Lulu Santos, Lobão, Liminha e Steve Hackett (ex-Genesis). Hoje o disco parece soar datado, já ouvi algumas pessoas que taxam o disco de brega. Nada disso. Na época de seu lançamento, o LP possuía um som moderno, rico, bem produzido e muito bem arranjado. Um disco bem resolvido. Outro clássico subestimado dos anos 1980.

RPM - Revoluções Por Minuto - 1985
RPM – Revoluções Por Minuto – 1985

O pop rock nacional nos anos 1980 pode ser dividido pós e pré RPM. A banda liderada por Paulo Ricardo, principal compositor do grupo, ao lado do tecladista Luiz Schiavon, rompeu várias barreiras no cenário musical brasileiro, não só em vendagens, ultrapassando a marca do milhão de cópias vendidas, mas também na produção e divulgação de um artista. Os shows do RPM se tornaram verdadeiros espetáculos, regados a laser e iluminação comandada por Ney Matogrosso, que também assinava a produção. O primeiro LP, Revoluções por Minuto, traz tudo o que o RPM representou na música brasileira, na segunda metade dos anos 1980. “Louras Geladas“, “Rádio Pirata“, “A Cruz e a Espada“, “Olhar 43“, está tudo lá. O disco figura na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, compilada pela revista Rolling Stones Brasil.

Titãs - Cabeça Dinossauro - 1986
Titãs – Cabeça Dinossauro – 1986

Divisor de águas na carreira do grupo Titãs, Cabeça Dinossauro é um dos melhores discos de rock nacional já lançado. O grupo (mais new-wave nos dois primeiros discos) buscava uma sonoridade própria, única, pesada. Temas como religião, polícia e família ganham registros em forma de punk-rock, funk e reggae. Das 13 faixas do álbum, 11 foram executadas nas rádios, incluindo a censurada “Bichos Escrotos“, com os versos “vão se fuder”. Faz parte desse disco os clássicos dos Titãs: AA-UU; Igreja; Polícia; Estado Violência; Família; Homem Primata e O Quê.

Legião Urbana - Dois
Legião Urbana – Dois – 1986

Contrário a sonoridade pesada do disco dos Titãs, Cabeça Dinossauro, lançado um mês antes, o segundo disco da Legião Urbana mostra um amadurecimento na sonoridade do grupo e uma mudança tão grande, comparado ao disco de estreia da banda, que o lançamento por si só poderia ser considerado arriscado. Mas o que se ouve nas 12 faixas lançadas por Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá é uma canção mais bacana que a outra e a mudança não causou estranheza nos fãs do grupo, tanto que “Dois” vendeu mais que o primeiro álbum. O disco vendeu 1,2 milhões de cópias a época de seu lançamento, alavancando a Legião Urbana para a estratosfera do rock nacional e transformando Renato Russo em “guru” para muitos (não é o meu caso). Clássicos como “Tempo Perdido“; “Quase Sem Querer“; “Índios” e “Eduardo e Mônica” tocaram exaustivamente nas rádios de todo País e são considerados os grandes clássicos da banda, ainda hoje.

A Revolta dos Dandis - Pitadas do Sal
Engenheiros do Hawaii – A Revolta dos Dandis – 1987

O segundo disco dos gaúchos dos Engenheiros do Hawaii, também marca uma mudança na sonoridade da banda, além da mudança na formação do primeiro disco, o Longe Demais das Capitais. Sai Marcelo Pitz, baixista com influência de reggae e ska, som que caracteriza o LP inicial do grupo e entra o guitarrista Augusto Licks, que era da banda de outro gaúcho, o músico Nei Lisboa. Humberto Gessinger, líder e principal compositor assume o baixo e elementos no som da banda evoca alguns dos seus ídolos, como Rush e Pink Floyd, além da estética existencialista das letras de Gessinger, influenciado por Sartre e Camus. A primeira audição, comparado com o que rolava na época, do segundo disco dos Engenheiros não é fácil, e isso foi o que mais me atraiu nele, pois fugia do senso comum das bandas da segunda metade dos anos 1980. Mais lírico, acústico e introspectivo, “A Revolta dos Dândis” nos apresenta canções como “Terra de Gigantes”, a épica “Infinita Highway”, “Refrão de Bolero”; “Vozes” e a canção que viria a batizar o primeiro fã-clube da banda, “Além-dos-Outdoors”, fundado por mim e meus amigos de adolescência Egon, Beto e Kiko.

Foi no lançamento desse disco, em fev/mar de 1988, que eu realizei um sonho de garoto, subir no palco com uma banda e encarar uma platéia. No auge dos meus 17 anos, eu acompanhei o power trio no palco do Teatro Ipanema, no RJ, tocando gaita, em A Revolta dos Dândis II, quarta música do set list do show. O fato rendeu até uma citação na crítica da revista Bizz, assinada pela jornalista Sônia Maia… o resto é história. =)

Fabiana Passoni – Uma história pontuada por músicas e vitórias

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“Conheci” Fabiana Passoni pela Internet. Nos “curtimos” pelo Facebook e entrei em contato com o trabalho dela aos poucos, seguido por sua história. Cantora, compositora, com um repertório calcado no Jazz e na Bossa-Nova, Fabiana é a encarnação da fibra, coragem, emotividade, sentimento e perseverança, típicos nas melhores mulheres do signo de peixes. Vida e arte se misturam na biografia dessa mineira de Poços de Caldas, de maneira que não sabemos onde começa uma e termina a outra.

Paralela a uma carreira musical de sucesso, onde realizou o grande sonho de gravar um disco, desde que trocou o Brasil pelos Estados Unidos, em 1999, Fabiana Passoni também tem em seu histórico uma vitória importante contra um câncer de mama, diagnosticado quando ela havia finalmente gravado o seu primeiro disco, É Minha Vez, em 2007, aos 31 anos.

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Após um pesado tratamento para combater a doença, que levou um ano, e fez com que a cantora interrompesse sua carreira, incluindo aí uma turnê pelo Japão, finalmente a doce Fabiana retornou a música com um sabor a mais. Durante o período em que ficou afastada para cuidar de si, ela começou a compor e foi pela força que não imaginava possuir que ela seguiu em frente, na fé e na determinação.

O ano de 2010 foi um ano de contrastes. No mês de abril, em seu quarto mês de gestação, uma “bomba” se abateu outra vez sobre a cantora. “Descobri outro nódulo e não podia fazer nada por conta da gravidez. Tive que esperar até julho [para iniciar novo tratamento] quando tive os trigêmeos”, recorda Fabiana. Foram mais seis meses de tratamento, iniciados em agosto , incluindo a radioterapia. “Ainda faço uma ‘químio’ hormonal, então posso dizer que ainda estou em tratamento. Graças a Deus [estou em] meu terceiro ano [após o tratamento] que o câncer não voltou”.

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Com novo fôlego e ainda mais forte que antes, em 2011 Fabiana lança seu primeiro trabalho autoral. Naturalmente Brasil contém 12 músicas originais que representam personagens encontradas na cultura brasileira. As músicas são sobre coisas cotidianas: a busca pela felicidade, as dores de amor e as tristezas. “Meu marido teve papel fundamental no meu início como compositora. Ele me incentivou a compor. Eu queria sair da realidade. A situação que eu estava era muito deprimente, aí entrei nessa de fazer musicas com ‘personagens’ do Brasil, foi onde criei. os ‘Joãos’, ‘Marias’…”, explica.

Por causa da doença, Fabiana diz que sua vida ganhou em qualidade. Uma nova mulher veio à tona pedindo para respirar. Sem deixar-se abater e tendo o marido e os trigêmeos como pilares, a artista não sucumbiu no momento em que muitos pensariam em desistir. “É mais fácil ficar louca do que enfrentar o ‘lance’ de frente, com prudência”, diz, num quase desabafo. “Fiz 10 cirurgias usei muitos remédios, mas para o momento certo, nunca usei pra esquecer algo, acho porque eu me vi uma mulher melhor e queria descobrir mais de mim mesma”, completa Fabiana, que afirma que ver o lado bom da vida é sempre o caminho.

“Uma amiga me disse que há duas opções de lidar com o câncer: ou você deixa ele tomar conta ou batalha para tirá-lo e continua vivendo. Fiz a segunda opção. Sou muito agradecida por ter passado por isso tudo. [Hoje] sou uma mulher tão, tão, tão forte… E eu falo sempre isso: O Câncer me curou!”


Música desde sempre
Foi aos seis anos de idade, na cidade de Poços de Caldas, interior de Minas Gerais, que Fabiana destilou as primeiras notas em sua voz.  Filha de pai músico, que lhe ensinou que interpretação é tudo em uma música. “Meu pai se sentava no sofá e escrevia músicas e eu estava ali juntinho dele cantando”, recorda.

Na adolescência seguiu cantando em comícios de políticos e passou por muitas bandas com um repertório variado, de Pop, Axé e Sertanejo. E foi justamente uma “crise” com o repertório que interpretava, que lhe fez questionar sobre o rumo da carreira. O objetivo da artista era simples, cantar músicas que lhe dessem prazer. “Eu passei alguns anos de minha vida em Nova York, cantando Bossa-Nova com fusion de Jazz. Naquela época, Ella Fitzgerald e Leny Andrade influenciaram meu estilo. Infelizmente, as ‘gigs‘ que pagavam bem eram para Pop, Rock e Axé. Demorou um tempinho para que eu me achasse como cantora/compositora.”

Sobre a atual música brasileira ela mantém os olhos céticos no mercado. “O comércio brasileiro de música  está do jeito que a massa brasileira quer. As pessoas reclamam da música ser ruim mas é isso que eles escutam no rádio, postam no youtube, é isso que eles compram… O artista precisa dos ouvintes, e hoje em dia, se você não estiver em uma gravadora que comanda a mídia popular, é bem mais complicado fazer sucesso,” avalia.

Fabiana é uma artista independente e se diz realizada com sua carreira e os rumos que decidiu percorrer. “Sou muito grata por ser independente e me avalio como uma profissional de sucesso, porque ser independente hoje em dia e ter uma música sua nos charts americanos entre as Top 20, é quase um milagre!”, diz sem conter a gargalhada.

Sobre o seu trabalho ser mais aceito fora do Brasil, Fabiana diz que, diferente dos ritmos da moda no país, o Jazz e a Bossa-Nova, ou mesmo o Chorinho, requerem uma calma de espírito, uma concentração maior, “é algo mais profundo, denso, que requer atenção, tempo e postura absorta, aliada a um sentimento muito intrínseco que a mera euforia, para se chegar ao patamar de apreciação na forma que por si só [esses ritmos] exigem”, acredita. Isso, aliado ao fato do Jabá que rola solta em terras tupiniquins, é que faz Fabiana acreditar que seu público maior está realmente fora do Brasil. Por enquanto, as músicas e a carreira vão de vento em popa nos EUA e Europa. Para saber mais sobre a história e a obra de Fabiana Passoni, a cantora e compositora mineira possui um site bilíngüe, no www.fabianapassoni.com.

 Quando decidi escrever sobre o trabalho de Fabiana Passoni, não fazia ideia da proximidade com o dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher e aniversário da cantora. Através desse material, através da Fabiana e sua história, deixo também esse post como a minha homenagem para todas as grandes mulheres dessa Terra.

Kurt Cobain terá biografia em quadrinhos lançada em abril nos EUA

Biografia de Kurt Cobain
Biografia de Kurt Cobain

Uma notícia bem bacana que une duas paixões que tenho, música e quadrinhos. Acabei de ler apouco na Internet que o vocalista/guitarrista/compositor do Nirvana, Kurt Cobain, “ganhou” uma biografia no final de 2013, em formato HQ.

Escrita por Danilo Deninotti e desenhada por Toni Bruno, Kurt Cobain: When I Was An Alien, sem previsão de lançamento no Brasil, foi publicada na Itália, pela editora Edizioni BD e mostra a infância e a juventude de Cobain. Em abril a edição deve ganhar uma versão americana, através da editora One Peace Book, terá 100 páginas e chegará às comic shops americanas ao preço de US$14.

Sinopse: “Enquanto crescia, Kurt Cobain acreditava que era um alienígena e que seus pais não eram seus pais de verdade. Ele achava que seria resgatado por sua raça original mais cedo ou mais tarde, ou pelo menos conheceria outros como ele. Eventualmente, Kurt conheceu garotos que pensavam da mesma maneira e criou o Nirvana, a banda que “mudou” o mundo da música para sempre. Criada por dois novos quadrinistas italianos, esta graphic novel de não-ficção acompanha o crescimento de Kurt Cobain, de sua infância à fama mundial que veio com o lançamento de Nevermind, mostrando como a vida suburbana pode ser dura para um adolescente e como a música e a amizade ajudam a preencher esse vazio, especialmente quando alguém se sente diferente. Sozinho.”

 – Imagens e sinopse divulgado pela Bleeding Cool –

Eu preciso dizer que te amo – por Cazuza, Dé e Bebel

“Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui quem fiz!?”. Inspirado por esse mote da letra de Certas Canções, de Tunai e Milton Nascimento, gravada pelo Bituca em 1982, no álbum Ânima, eu quero iniciar uma série comentando um pouco dessas músicas que admiro tanto. E não poderia começar com uma canção que desde a primeira vez que ouvi, aos 16 anos de idade, fiquei extasiado…

Cazuza Pitadas do Sal

Eu Preciso Dizer Que te Amo

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada gesto teu uma bandeira
Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

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Cazuza, Bebel e Dé, amigos na vida e na música

O local da criação de Eu Preciso Dizer Que Te Amo foi uma propriedade que a família de Cazuza possuía, em Fazenda Inglesa, Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Foi composta a seis mãos por Bebel Gilberto, Dé Palmeira (na época namorados) e Cazuza.

Inspirado com a melodia sendo criada, Cazuza – que na época estava lendo muito a Bíblia –  introduziu na letra os seguintes versos: Eu preciso dizer que te amo, desentalar esse osso da minha garganta. Bebel conta que Cazuza queria usar isso e disse a ele que os versos eram muito fortes. “Caju, essa parte não está encaixando muito bem, não tem outra coisa que você queira dizer?”, sugeriu a cantora. Eu fiz uma busca no Google para ver se encontrava esse trecho da Bíblia, mas não obtive resultado.. De acordo com Bebel, esta foi a última música feita para o disco de estreia dela, um EP (extended play), lançado pela WEA, em 1986, batizado com o nome da cantora.

Primeiro disco de Bebel Gilberto (1986)
Primeiro disco de Bebel Gilberto (1986) e que trazia Eu preciso Dizer que Te amo pela primeira vez

“O processo de criação foi espontâneo. Essa música foi muito especial. Era como se o Cazuza estivesse sentado aqui e, por acaso, o violão estivesse ali. A gente começou a cantar, e o canto virou uma música. Não foi aquela coisa de sentar e fazer [a música] (…) A gente estava em frente a lareira da casa, e ela saiu como um filho (…) em 40 minutos”, relembrou a cantora para o livro Eu Preciso Dizer Que Te Amo – Todas as Letras do Poeta, lançado em 2001, com autoria de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, em depoimento à jornalista Regina Echeverria.

Dé recorda que quando chegava nessa frase a música não seguia. “Desentalar esse osso da minha garganta é muito punk. Eu pensei em fazer um blues com essa frase, mas o resto da música é muito romântico”, disse o baixista em um especial para o Canal Bis em 2013. Ele conta ainda que o Cazuza bem tranquilo respondeu,  “pô, porque você não me falou isso antes, cara, peraí”, e subiu para o quarto e em cinco minutos desceu com a nova letra batida a máquina, já com o novo refrão “eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano, eu preciso dizer que te amo tanto”. “Ele foi ferino, certo e exato nessa frase. Essa música é o nosso standard. Ela é linda! Eu acho que tinha algum deus ajudando a gente ali, naquele ambiente, naquela casa… Foi tudo certo”, avalia Dé

Apesar do primeiro registro da canção em disco ter sido feita por Bebel, foi a cantora Marina Lima, que em 1987, ao incluir a canção em seu disco Virgem, tornou Eu Preciso Dizer Que te Amo “famosa”. “Foi o Cazuza que me mostrou [a música] numa fita cassete. Tinha o Dé tocando violão, a Bebel cantando e o Caju fazendo uns contracantos. Eu achei que ela tinha a ver com o disco Virgem, que vinha preparando”, lembrou Marina.

Na gravação Marina omitiu a última estrofe da música Eu já nem sei se eu tô misturando/Eu perco o sono/Lembrando em cada gesto teu uma bandeira/Fechando e abrindo a geladeira/A noite inteira. “Eu acho que aquela parte não existe. É totalmente irrelevante da canção. Acho que a música vira uma seta no alvo sem aquela parte”, explicou a cantora sobre o fato. “A Marina não gostou da terceira parte, não achava necessária e gravou da maneira que achava melhor. Eu gosto muito da gravação original, da fita cassete. Mas gosto de todas [as outras gravações], acho que todas as regravações mostram um lado da canção que eu não conhecia”, teoriza Dé.

Marina já era um nome consagrado na música brasileira e considera que ter gravado Eu Preciso Dizer Que te Amo em seu disco de 1987, ajudou a transformar a música em um dos clássicos “oitentista”. “Com certeza. Porque eu sendo compositora, gravei uma música do Cazuza por admiração. E foi um disco que estourou, vendeu muito”, recorda.

Eu Preciso Dizer Que te Amo trata do difícil, delicado e complexo tema de uma relação de amizade que se transforma em amor. Acredito que muitos de nós já tenha passado pela situação de evitar uma possível friendzone, mas ter o receio do outro não “partilhar” os mesmo interesses e por isso mesmo sofrer calado as “dores de outro amor” do amigo.

Léo Jaime, amigo pessoal de Cazuza, e um dos muitos artistas que gravaram Eu Preciso Dizer Que te Amo, diz que, apesar de gostar da canção, incluí-la em seu álbum Todo Amor, de 1995, não foi algo pensado com antecedência. “A ideia de gravá-la foi meio de última hora, e o Dé estava presente, um dos autores. A nossa versão tinha o mesmo corte da letra que a Marina já havia feito. E mudamos completamente a harmonia. Adoro esta música”, relembra Léo, que fez uma versão “diferente” da canção. Ao contrário das outras registradas, num tom mais “intimista”, a versão de Léo Jaime tem a levada de uma balada pop, em que o “eu lírico” assume de uma vez por todas o “risco” de ganhar ou perder e nunca demonstra dúvida de mostrar seu sentimento.

O registro na fita cassete, com Dé ao violão, Bebel e Cazuza nos vocais, que Marina ouviu pela primeira vez, foi feito logo após a composição ser concluída. Na gravação podemos ouvir claramente o barulho da tecla “REC” de um gravador caseiro ser acionada e a voz de Cazuza na sequência “apresentando” a obra, indicando que Bebel iniciará cantando. Para isso ele pede “por favor, não façam barulho no ambiente” e pede pelo “maestro” Dé seguido de um “vai Sapo”. “Foi o primeiro registro numa fita cassete na hora em que finalizamos a canção. Cazuza mandou a letra, mas fizemos a canção os três juntos. “Sapo” nesse caso sou eu, mas todo mundo na época se chamava de vários nomes inventados”, relembra Dé. Em 1988 Cazuza, Dé e Bebel Gilberto receberam o Prêmio Sharp de Música (referente ao ano de 1987) de “melhor música pop-rock”, com Eu Eu Preciso Dizer Que te Amo.

Essa gravação caseira, o primeiro registro de Eu Preciso Dizer Que te Amo, foi recuperada nos anos 1990, remasterizada e lançada oficialmente em 1996, no disco Red Hot + Rio. Além de Bebel Gilberto (1986 e 1992), Marina Lima (1987) e Léo Jaime (1995), a canção foi regravada por Pedro Camargo Mariano (para o especial Som Brasil – Cazuza, 1995), Cássia Eller (Veneno Antimonotonia, 1997), Emílio Santiago (Preciso Dizer Que Te Amo, 1998), Jay Vaquer (Cazas de Cazuza, 2000) e Zizi Possi (Bossa, 2001). Cazuza, Dé e Bebel ainda fizeram juntos Mulher Sem Razão, Minha Flor Meu Bebê, Mais Feliz e Amigos de Bar.