Melhor baterista do… !!!

Fiquei de cara com esse brother tocando bateria balde! Ele se apresenta no Centro de Sidney, na Austrália. Confira!

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Virundum parte II

Virundum. Pitadas do Sal

Como havia prometido, com um pouco de atraso, volto com mais uma relação de Virunduns, inventados ou não, que julgo ser no mínimo curioso. Avalie você mesmo e deixe seu comentário.

>>> Clique aqui e confira a primeira parte do Virundum Continuar lendo “Virundum parte II”

Música e Cinema (feitos um para o outro)

Clássica, erudita, rock, jazz, techno, trance, popular, seja qual for o gênero as músicas de trilhas sonoras servem de componente imprescindível à trama dos filmes. A música está ligada ao cinema desde o surgimento desse, na época dos filmes mudos, onde nas salas de projeção havia sempre um pianinho para acompanhar as cenas, para que as sessões não ficassem monótonas e cansativas. Portanto não dá para questionar, se quer, a importância que ela exerce. Ou alguém já imaginou assistir ao filme Tubarão sem a trilha magistral composta por John Williams? Ou Guerra nas Estrelas na ausência da famosa Marcha Imperial, também do oscarizado Willians, sem contar com Casablanca e sua inesquecível e bela As Times Goes by?

As trilhas sonoras musicais podem ser usadas incidentalmente como pano de fundo das cenas, ou para exultar uma seqüência romântica e até mesmo para aumentar a carga dramática de uma história, o fato é que essa arte está entre os trabalhos mais importantes de compositores contemporâneos. Os filmes podem conter músicas já conhecidas ou canções originais, feitas exclusivamente para as produções que se destinam.

Danny Elfman, por exemplo, desde o fim de sua banda-pop-oitentista, Oingo Boingo, dedica-se com brilhantismo a composição de trilhas sonoras. São de Elfman as canções de Batman, de 1989 e Edward Mãos de Tesoura, de 1990 dirigido por Tim Burton e os três Homem-Aranha de Sam Raimi, entre outras.

Há casos em que diretores são mestres nas escolhas de canções que marcam a sua produção. Nesse caso enquadra-se Quentin Tarantino. Basta conferir a trilha de Pulp Fiction, para citar só um exemplo.

As possibilidades são muitas, os artistas vários, os compositores diversos, os filmes idem, mas não posso deixar de citar os clássicos Ennio Morricone e Nino Rota, e suas contribuições para Era Uma Vez No Oestee os filmes de Fellini, respectivamente, além é claro, da original trilha de Os Embalos de Sábado à Noite, de 1977, composta pelos Bee Gees e que é tão ou mais famosa que o filme em questão, além de ser o álbum de trilha sonora mais vendido no mundo.

50 anos de Beatlemania para o mundo!

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Hoje, dia 7 de fevereiro, faz 50 anos da primeira visita dos Beatles aos EUA. Os quatro garotos de Liverpool foram recebidos no aeroporto John F. Kennedy por mais de três mil histéricas fãs que disputavam o melhor ângulo afim de deslumbrarem John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Dois dias depois foi a vez de nada mais nada menos que 74 milhões de espectadores americanos e outros tantos milhões no Canadá, assistir a, hoje histórica, apresentação do grupo no The Ed Sullivan Show. O início da Beatlemania para o mundo.

Eu, como fã, não fanático, pelos Beatles, poderia discorrer várias linhas sobre o feito e o impacto para a música e para o mundo, mas prefiro apenas deixar registrado aqui meu carinho pelo que os Fab4 fizeram pela arte.  Vale lembrar porém, que uma série de eventos estão programados, aqui no Brasil e pelo resto do mundo para celebrar essa data. Inclusive relançamento de álbuns da banda – uma nova coleção de 13 álbuns – de “Meet The Beatles” (1964) até “Hey Jude” (1970) – será lançada em 21 de janeiro pela Apple Corps Ltd. em parceria com a  Capitol Records, além de um provável encontro entre os dois integrantes remanescentes do quarteto, McCartney e Starr.

 

 

Capas de disco polêmicas

Muitos artistas, no intuito de chutar o pau da barraca atrair os holofotes para si, procuram chamar a atenção de alguma forma. Uns deixam-se flagrar cometendo algum delito, outros posam nús, alguns se envolvem em escândalos e outros lançam discos com capa polêmicas. Reuni uma seleçãozinha das que eu conheço. Vasculhando na rede tem mais e algumas bem bizarras, como (não clique se você for pudico) essa aqui.

As capas relacionadas chamaram a atenção por “N” motivos. Algumas foram censuradas geral e tiveram a arte alterada, outras foram banidas em algumas regiões específicas. Confere aí…

 

Virundum – A arte de inventar letras para canções consagradas

Virundum. Pitadas do Sal

Cantar uma canção a plenos pulmões, na solidão do banheiro, lavando roupa, arrumando a casa, numa roda de amigos, para extravasar a alegria ou espantar a tristeza. “Quem canta seus males espanta!”. Coisa boa é cantar. Embora nem sempre se tenha a certeza de que a letra da música está certa. Na dúvida improvisa-se o que mais se aproxima do que escutamos, é o tal do “Ovirundum” (ou Ouvirundum, ou simplesmente Virundum), expressão cunhada do nosso Hino Nacional, “Ouviram do Ipiranga…” que alguns brasileiros não conseguem acompanhar, tamanha a complexidade da letra.
O caso mais famoso que se tem registro de um “virundum” é a canção do grupo Brylho, de 1982, chamada “Noite do Prazer” (ouça abaixo), de autoria de Cláudio Zoli. Na Letra, o autor imagina uma noite a dois promissora e “na madrugada vitrola rolando um blues, tocando B.B King sem parar…” não raro encontrarmos por aí as pessoas que cantam “na madrugada vitrola rolando um blues, trocando de biquíni sem parar…”. Continuar lendo “Virundum – A arte de inventar letras para canções consagradas”

Instantes – Londres (Savile Row)

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O telhado desse prédio de tijolinhos a vista, atrás de mim, abrigava os escritórios dos Beatles no final da década de 1960. E foi ali, há exatos 45 anos que John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr se presentaram ao vivo, juntos, pela última vez.  O blogueiro Walace Arantes relembra o episódio aqui.

1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer

O livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer (1001 albums you must hear before you die), de Robert Dimery, vale a compra e lugar de destaque na estante, pois apresenta uma rica seleção de álbuns clássicos dos anos 1950 para cá (aqui no Brasil lembro de ter visto umas três reedições com atualização do catálogo). O forte é o bom e velho Rock’n’Roll, com todas as suas vertentes, mas também há menções ao Jazz, ao Blues, ao Soul e ao Hip-Hop.

São 90 jornalistas e críticos musicais internacionalmente reconhecidos que resenham os 1001 discos em questão. Ricamente ilustrado, a obra é referência básica ao apreciador de boa música que não se contenta só em ouví-la, mas necessita contextualizá-la. Há curiosidades sobre as gravações, dados biográficos do artista mencionado, detalhes dos bastidores da produção. Tudo muito bem escrito, num texto rápido, preciso e gostoso de ler.

Em 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, você encontra seus artistas e grupos favoritos e descobre/conhece dezenas de outros de relevância da música. Astros e Estrelas que fazem a cabeça das gerações de jovens dos 8 aos 180 anos.

Pode ser que um disco seu preferido não esteja listado no livro/guia, as chances disso ocorrer são pequenas, mas existem. Afinal, listas de “melhor” alguma coisa são sempre questionáveis, mas o trabalho do autor foi feito com esmero e você encontrará os álbuns clássicos de Elvis Presley, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Pink Floyd, U2, além dos clássicos absolutos, como Thriller, de Michael Jackson, ou Nevermind, do Nirvana. Sem contar com Baby One More Time, da Britney Spears. Ou você acha, mesmo não gostando, que esse álbum não causou impacto na indústria fonográfica quando foi lançado?

Ah! Os brasileiros também marcam presença com Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Mutantes e Sepultura. Afinal, nós fazemos música da melhor qualidade e merecemos constar em qualquer compilação desse porte.

Uma dica: Blog com 1001 clipes para assistir antes de morrer

A coleção 1001 “coisas” pra antes de morrer inclui uma série de temas. Música, filmes, vídeogame, vinhos, comidas, lugares… é só dar uma conferida nas livrarias.

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Across The Universe

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Tem muita gente que torce o nariz para musicais. Eu gosto de muitos, principalmente os clássicos, mas não de todos. O filme Across The Universe se encontra na primeira categoria. Além de ser um musical muito bacana, ele é conduzido pelas músicas dos Beatles em versões emocionantes, ao menos pra mim, e bem diferentes das originais.

Dirigido por Julie Taymor, esse longa americano foi lançado em 2007 e traz uma história de amor ambientada na turbulenta década de 1960. A trilha dos Fab Four e as referências a obra deles fará a cabeça de novos e velhos fãs do quarteto.

No elenco estão os ingleses Jim Sturgess e Joe Anderson e a americana Evan Rachel Wood. Além do trio, o filme traz deliciosas participações especiais de Bono Vox, Joe Cocker e Salma Hayek. Jim e Evan dão vida aos protagonistas da história, Jude e Lucy (olha a referência aos Beatles aí). Os dois, aliados a uma pequena trupe, são atraídos pelos movimentos contrários a guerra e da contracultura, além das viagens para explorar a mente e o embalo do rock n roll.

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Para a viagem, Dr. Robert e Mr kite (mais referências), vividos por Bono e Eddie Izzard, são os guias. Personagens fantásticos em uma época que os comportava. Tudo isso regado as composições de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison e… Ringo Starr (sim, ele compôs Flying junto com os outros três).

Liverpool e Greenwich Village são alguns dos cenários na trama. No meio de um turbilhão de emoções e conflitos o jovem casal de separa. Mas é aí que Jude e Lucy, contra todos e tudo, precisam encontrar um jeito de voltarem um para o outro. Tudo no filme é relacionado aos Beatles e possui várias referências a obra do quarteto em cenas e diálogos. Se você ainda não teve a oportunidade de assistir, não perca tempo. Se já viu, vale ou não vale o repeteco? Nem que seja para escutar os clássicos com nova roupagem. Ah, tb é uma dica bacana para assistir com a(o) namorada(o), esposa (marido), amigo, amante e se transportar para um mundo mágico que somente os bons musicais proporcionam.

Flashmob – A alegria que a boa música provoca

Assisti esse vídeo pela segunda vez nesse sábado a tarde. Não lembro quantos anos faz a primeira vez que o vi, acho que foi em 2012, mas recordo que gostei muito. Hoje, talvez por estar mais emotivo, me emocionei ao rever. A ação é promovida pelo banco espanhol Sabadell, por seu aniversário de 130 anos. Uma menininha coloca uma moeda para um suposto músico de rua. Este começa a  9ª de Beethoven  que termina executada por centena e meia de músicos e cantores.

Como a boa música tem o poder de mexer com nossas emoções. Isso fica claro nas expressões das pessoas na praça enquanto assistem a peça musical. Repare no rosto das crianças, com suas carinhas de pura felicidade.

Sertanejo Universitário de cu é rola – Vida Longa à Boa Música!

blues etílicos - pitadas do sal

Post publicado pela primeira vez em 09/06/2009, em meu antigo blog, o PGNMB, em parceria com meus colegas da faculdade de jornalismo, Joel Minusculi e William De Lucca.

Sexta-feira passada (5) fui assistir ao show do Blues Etílicos, na Expresso Choperia, em Balneário Camboriú (SC). Presenciei um espetáculo de profissionalismo, virtuose e amor à Música. Sim, com “M” maiúsculo mesmo. Um desfile de canções em que se percebia de forma harmoniosa a combinação de sons e silêncio. Goste você ou não do gênero.

Ir ao show me deu a certeza de que nem tudo está perdido e que ainda se faz música por amor, com sinceridade, música honesta e não essas porcarias comerciais que poluem os dials das rádios e os programas de televisão. Entristece-me em perceber que a cultura musical da grande maioria das pessoas é tão inexpressiva, que se contentam com uma pseudo-música feita por encomenda, para poluir os ouvidos dos mais exigentes.

Tudo bem que gosto é pessoal e blá-blá-blá, mas é inegável o talento musical que os caras do Blues Etílicos têm e o tesão que é ouvir música bem feita, bem executada. Onde estão os representantes do bom rock nacional atualmente? Fresno? NX0??? O que é isso, minha gente?

Pior é perceber a quantidade absurda de duplas sertanejas que polulam por aí. Esse povo multiplica mais quegremlins na chuva. Os jovens, aqui em Balneário, só ouvem isso dentro de seus carros, com o som em um volume ensurdecedor e patético. Pois atestar o mau gosto musical para todo mundo, para mim não tem outra explicação. Eu teria vergonha de ouvir esse tipo de música alto.

Foi lamentável também perceber que a casa não estava lotada e que se fosse um show dessas duplinhas de araque, ou de um grupo de breganejo, o local estaria mais cheio. Mas a culpa é de quem? Das gravadoras? Da mídia? Da falta de cultura musical da maioria dos jovens?

Cheguei a uma triste conclusão: Se a música consumida hoje, requer rótulos esdrúxulos do tipo “universitário” e letras apelativas, ou atrizes pornôs que não sabem cantar, em coreografias lamentáveis, são porque o nível de exigência musical das pessoas, atualmente, está pior do que nunca. Pior é que não vejo um sinal de mudança. A galera tem preguiça de pensar e escutam o que está na moda, o que lhe empurram goela abaixo. Queria uma juventude brasileira mais exigente.

Lembrei de uma frase do Kid Vinil, ao discorrer sobre a qualidade musical feita no Brasil: “O que é sertanejo universitário? Na minha época de faculdade eu ouvia Chico Buarque”. Pois é, a música consumida hoje está muito ruim, em minha opinião e eu sei que muitos irão contra mim por esse desabafo. Mas vamos combinar: se “música é a arte de combinar sons”, vamos ao menos fazer a lição direitinha.

E quero fazer um apelo aos mecenas da vez, que ao invés de investirem sua grana em algo abominável, como Sexy Dools, valorize o jovem talento que investe uma vida inteira aprimorando seu dom e não consegue espaço na mídia para mostrar seu trabalho. Lembre-se, Boa Música fica, atravessa gerações. As porcarias produzidas hoje em dia, duram um verão e só e não acrescentam nada.

Como diria meu bom e velho amigo João Arnaldo, do Fórum Beatles Brasil.com, “Em uma sociedade como a nossa, em que as pessoas não estudam música, não tocam instrumentos musicais, não há como esperar nada melhor do que o que já temos. Ou vocês acham que é possível esperar que pagodeiros, com seu infinito conhecimento de música (Harmonia, Melodia e Ritmo), poderiam entender a beleza existente nas pautas de Vivaldi ?”

Instantes – Lenine

Expoville, em Joinville-SC
15/11/2011

por Ariston Sal Junior

Low – O Exílio Voluntário de David Bowie

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Capa do disco Low

Não lembro quando foi que comecei a ouvir David Bowie a sério. Sei que foi tardiamente, perto dos 30 anos. Antes, só conhecia o que havia tocado nas rádios, na década de 1980. O camaleão Bowie me era familiar pelo clipe de Dancing in the Street, ao lado de Mick Jagger e do filme Labirinto, que não assisti, mas bombou na década mais pop da música ocidental. Mas foi movido pela curiosidade que fui vasculhar a discografia do cara. Ouvia dos mestres do assunto que os álbuns de 1970 é que eram o bicho. Então, fui garimpar.

Para os iniciados no rock o ano de 1977 é incontestável como o ano do punk, data fundamental para a história do ritmo e o louro de olhos bicolores já pressentia, quatro anos antes dessa subversão rítmica, os sintomas da estagnação por qual passava a música nessa década. Foi aí que ele trocou a Inglaterra, onde reinava absoluto, pela América.

David Bowiw Eyes olhos - Pitadas do Sal

O cara chegou chutando o pau da barraca e em entrevistas que concedia nos Estados Unidos, chamava o rock de “música de gente burra”. Radical ou marqueteiro tentando chamar os holofotes americanos em sua direção? O fato é que ele anunciou sua inclusão à carreira de ator e a soul music “plastificada” dos sul dos EUA. Resultado? O álbum foi um dos precursores da discothèque.

Nos dois anos em que viveu em solo americano, antes de se isolar em Berlim, faturou um Grammy com Fame (parceria com John Lennon) e protagonizou o filme O Homem que Caiu na Terra. Ah, também gravou o álbum Station to Station, o qual o crítico Allan Jones, do Melody Maker, avaliou como “o mais revolucionário da década”. Pra mim, não foi.

Isso tudo eu quis contar para chegar no grande clássico do cara e que não pode faltar em sua coleção. O que eu considero revolucionário mesmo é o álbum de 1977, batizado Low, cuja capa é uma foto do filme que ele fez nos EUA e alude o tema central das poucas e curtas letras do disco.

O álbum gira em torno do tema que remete ao exílio voluntário à capital alemã. “Azul, elétrico azul/ é a cor do quarto onde vou viver/ venezianas fechadas o dia todo/ nada para ler, nada para dizer/ vou me sentar e esperar pelo dom de som e visão” (em “Sound and Vision”).

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Low é um dos discos mais influentes do rock e contou com a colaboração de outro mestre, Brian Eno (tecladista, ex-Roxy Music), dando início a trilogia de Berlin de Bowie (Heroes e Lodger completam a tríade, todos em colaboração com Eno).

Mas é em Low que Bowie inicia seu flerte com o rock alemão e incorpora a eletrônica na música de forma quase obsessiva. Eno, famoso pelo uso de sintetizadores em seus trabalhos, com seu domínio criativo da parafernália dos estúdios de gravação, deixa o velho camaleão fascinado.

Na época, Bowie declarou sobre as faixas instrumentais do lado B do álbum: “Essas músicas são mais uma observação, em termos musicais, de como eu via o Bloco Oriental. Era algo que não podia expressar em palavras. O que precisava era de texturas, e de todas as pessoas que eu já ouvi compor texturas, as de Brian Eno eram as que mais me agradavam”.

Não deu outra. As texturas sonoras criadas para Low foram chupadas por uma série de artistas e acabou virando gênero musical, chamado cold wave (espécie de tecnopop mais cerebral ou meditativo e desacelerado). Bowie abriu a torneira da fonte que outra lenda do rock, o Joy Division, iria beber no clássico Closer, lançado em 1980. Vale dizer que antes de se chamar Joy Division, o grupo atendia por Warsaw – extraído de “Warzawa”, faixa que abre o lado B de Low.

 


Se você conhece, que tal ouvir de novo? Se nunca ouviu, o que está esperando?

The Doors (1967) – Rompendo o stablishment do rock

Primeiro registro do The Doors em estúdio
Primeiro registro do The Doors em estúdio

Gravado em míseros quatro canais, assim como o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e lançado no mesmo ano, o álbum de estréia do grupo californiano The Doors foi diferente de tudo que já se tinha ouvido no rock. E é muito bom. 

O registro do álbum aconteceu  em agosto de 1966, com lançamento na primeira semana de 1967, o disco foi batizado com o mesmo nome do grupo, “The Doors” e a foto de capa soturna destacava o vocalista James Douglas Morrison, com o restante da banda em segundo plano. Um pecado, já que foi a unidade do quarteto complementado por Ray Manzarek (teclados); Robby Krieger (guitarra) e John Desmore (bateria) que dava o som característico e único do The Doors.

Utilizando elementos do blues, jazz e até flamenco e “bossa-nova”, o primeiro disco do The Doors é tão pungente e possui tanta qualidade em suas canções, que pode soar como uma coletânea dos maiores sucessos da banda aos mais desavisados. Ali estão contidos clássicos como Break on Through (To the Other Side), Light My Fire, Back Door Man, Crystal Ship e a épica The End, só para ficarmos nas mais óbvias.

Back The Doors
Seleção de músicas do primeiro disco do The Doors é tão boa que parece coletânea de hits

Gravado em poucos dias, com muitas músicas sendo registradas para a posteridade em um único take, The Doors, o disco, teve como primeiro single o clássico “Morrisiano” Break On Throuh e sua batida “bossa nova” acelerada. Foi idéia do batera, Desmore, dar esse molho latino a canção de Jim Morrison que exultava romper para o outro lado. Para a promoção do singe, ele mesmo e Manzarek, amigos do curso de cinema que faziam na Universidade da Califórnia (UCLA), dirigiram o filme, um dos precursores dos videoclipes.

Mas foi uma canção composta por Krieger e depois elaborada em inúmeros ensaios e shows antes do registro definitivo no álbum, que se tornou a canção do verão de 1967. Light My Fire incendiou o mundo e colocou o The Doors, ao lado dos Grateful Dead e os Jefferson Airplane, como ícones da contracultura da América.

The+Doors+1967+Billboard+on+Sunset+Strip
Outdoor de divulgação promovido pela Elektra, gravadora do The Doors

Seja por suas performances bombásticas, pela interpretação passional nas canções ou pela curta e profícua carreira do grupo, esse cartão de apresentação da banda, o primeiro disco é item necessário na coleção de qualquer aspirante a roqueiro.

Barão Vermelho: O Primeiro a gente nunca esquece

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“Pouco importa o que essa gente vá falar mal, falem mal. Eu já to pra lá de rouco, louco total… Eu sou o teu amor entenda. Você precisa descobrir o que está perdendo. É, o que está perdendo!”. Assim o Barão Vermelho estreava em 1982, no primeiro álbum do grupo, batizado simplesmente como “Barão Vermelho”.

Vivendo ainda sob o regime da ditadura, um período mais “brando”, com o general João Figueiredo no poder, a juventude brasileira não se identificava muito com o que rolava no dial. Bastou uma cena carioca, uma rádio e um local de shows para impulsionar as bandas que já existiam. Pronto, estava dado o pontapé inicial no que foi considerado o “boom” do Rock Brasil, com Blitz, Lulu Santos e Barão Vermelho abrindo as portas.

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Gravado em dois finais de semana e lançado pela Som Livre em 27 de setembro, o primeiro álbum do Barão é o disco mais cru, visceral e genial do rock brasileiro. Seu som de garagem, gravado com urgência e pujança, foi mal registrado nos estúdios da gravadora, é verdade, o som é abafado e chapado, pois a mixagem não prezou pela qualidade, mas esse fato é menor ante a qualidade de suas canções. Letra e Música combinavam perfeitamente, com o punch stoneano que era evidente no som da molecada na faixa dos seus 18 anos. Guto Goffi, Maurício Barros, Dé Palmeira e Roberto Frejat possuíam o feeling das músicas, do rock travesso e Cazuza, o principal letrista e vocalista, se encaixava como uma luva com sua poesia e escracho.

Misturando Dolores Duran e Cartola, com Rolling Stones e Bob Dylan, blues, rhythm blues, rock e MPB fazem a fusão do caldeirão do Barão e faz com que o disco traga tantos petardos reunidos que fica difícil imaginar que uma garotada pudesse produzir som tão maduro. Sob a supervisão do saudoso Ezequiel Neves e Guto Graça Mello, “Down em Mim”, “Ponto Fraco”,” Billy Negão”, “Conto de Fadas”, “Bilhetinho Azul” e a clássica “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, entre outras, não foram totalmente compreendidas, na época, pela galera que estava ouvindo “A vida melhor no futuro”, do Lulu, ou o “Chope com batata-frita” da Blitz e vendeu muito pouco, mas o tempo se encarregou de colocar o álbum e suas canções para a história.

A partir deste disco o Barão Vermelho deixou sua marca na história do rock brasileiro, sendo, ao lado de Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, uma das mais influentes bandas brasileiras. O disco completou três décadas em 2012 e foi remixado pelos Barões remanescente para um lançamento comemorativo. Esse não pode faltar na sua coleção!

Guitarrista do Barão lança segundo solo instrumental com rock na veia

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Em meio a lançamentos de discos nacionais de qualidade questionável, um disco de Rock, no que de melhor o termo representa, vem bem a calhar. Quando esse disco se mantém fiel ao básico, ao Rock direto, certeiro, sem firúlas, mas com amor ao ritmo transbordando em cada acorde, a novidade é mais que bem vinda. Dessa forma, o novo trabalho solo do guitarrista e compositor Fernando Magalhães, Rock It! é um bálsamo para os ouvidos tanto dos puristas, quanto para os simples amantes do gênero.

Lançado digitalmente pela Agência Digital e recém editado em CD pelo selo Toca Discos, Rock It! é a segunda incursão de Fernando em mostrar ao público um trabalho inteiramente instrumental (seu solo de estreia foi em 2007).

As 10 faixas do disco foram compostas por Fernando e pelo ex-Herva Doce, Roberto Lly, que também produziu o disco. “O Roberto é um músico de extremo talento. Como produtor, é um cara que resolve as coisas, não é de ficar dando voltas: você sugere algo e ele prontamente tenta executar, geralmente melhor do você imaginou. É um mestre do estúdio, com um bom gosto impecável. Além de tudo isto, é um ser humano maravilhoso, um grande amigo e companheiro. Fico muito honrado dele estar comigo nos dois CDs”, comemora Fernando.

Sobre o fato de ser um disco de rock instrumental, Fernando sabe que o mercado brasileiro não é tão afeito a esse nicho, mas que há um público fiel e é essa demanda que Rock It! veio suprir. “A música instrumental no Brasil tem o seu foco em festivais de Jazz e Blues, acontece em lugares específicos, para apreciadores deste gênero musical. Agora, o Rock instrumental, até para estes poucos espaços, às vezes é visto com certa estranheza. É um tipo de música para os fãs de rock, que não tem vínculo com o que faz sucesso nas paradas. Acho que é este público alvo que tem que ser alcançado, por meio da internet, imprensa especializada e rádios rock sérias. É um público grande e muito fiel, apesar de não tão aparente como o de uma banda de pop/rock.

Para a gravação de Rock It”, Fernando foi buscar inspiração na fonte primordial do rock, como AC/DC, Rolling Stones, The Who, Tuti Frutti e rock clássico em geral. “Por curiosidade, sempre gostei de bandas, nunca fui muito de comprar e ouvir discos solo de guitarristas, mas é claro que adoro vários, como Jeff Beck, Robin Trower, Joe Satriani“, destaca o guitarrista que iniciou no instrumento no final da década de 1970. Dessa época, até 1985, Fernando tocou e compôs com várias bandas de amigos, até ingressar no Barão Vermelho, onde ajudou a moldar o som do grupo carioca.

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Fernando se inspira no rock clássico para compor seus sons

“Guitarras fazem o papel dos vocais”

Para o repertório do novo álbum, o guitarrista e compositor Fernando Magalhães lembra que as canções passeiam por ” variações e moods distintos: da aceleração da faixa título à suavidade de Olhando o Céu e Anos Luz“, explica. “Se você toca Jazz, Blues, Fusion, as pessoas compreendem mais o termo “instrumental”, mas com o Rock, parece haver um certo estranhamento. Eu abri dois shows do Joe Satriani, no Rio e em Sampa, e fui super bem recebido, o público ficou bem atento e interessado. Existe um público para o rock instrumental e quando ele gosta do que ouve, se torna fiel aos artistas”, acredita Fernando.

No estúdio, a parceria Fernando e Roberto Lly contou com os luxuosos auxílios de músicos e amigos com os quais tem muita afinidade: Pedro Strasser (baterista do Blues Etílicos), Sergio Villarim (teclados), que já haviam participado do disco de estreia do guitarrista, além de Sergio Melo (bateria), Kadu Menezes (bateria), Humberto Barros (teclados) e o Barão Mauricio Barros (teclados). Humberto Barros é autor ainda da Ilustração da capa do CD: “Este é um CD dedicado a minha infância e adolescência, no final dos anos 70. Passei esta ideia e o Humberto veio com esta capa linda, que diz tudo”.

Sobre as diferenças que pontuam seus dois solos, Fernando considera o segundo trabalho mais fácil, mais simples, e bem roqueiro. “Não é um disco apenas para os músicos ouvirem e gostarem, e sim para quem gosta de rock. O meu primeiro CD era mais Hard Rock, passeava por improvisações.Rock it! é mais Rock’n’Roll, mais reto, sem tantas mudanças dentro das músicas. Quando falo “fácil”, não estou dizendo que não tenha profundidade, mas sim que ele segue uma linha mais objetiva”, define.