Poesia chamada “Uma”

O Quarto - Van Gogh (!888)
O Quarto – Van Gogh (!888) 

Uma benção que necessito
Uma prece escolhida a dedo
Uma lembrança que guardo de ti
Uma vez mais não é sempre

Uma lágrima percorre meu rosto
Uma dúvida perambula minha vida
Uma tentativa fracassada de te amar
Uma esperança que insiste em me atrapalhar

Uma Mulher — Um Homem
Uma vida entranhada em outra
Uma amizade — Um amor nascido
Uma outra chance pra tentar

Uma vez em que choramos
Uma certeza de que nos amamos
Uma palavra que não conseguimos falar
Uma história irônica não sei contar

Uma culpa que nunca tive
Uma viagem que não realizei
Uma dor que em mim insiste
Uma ferida que não cicatrizei!

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Uma poesia chamada “Você”

Escrevi essa poesia há 20 anos. Se você tiver coragem e ler até o final, meu muito obrigado. Quem concluir a hercúlea tarefa lerá nas entrelinhas, ou mesmo diretamente, influências do que lia, ouvia e assistia na época. Doors, Roberto Carlos, Cazuza, Chico Buarque, Clarice Lispector, Kerouac. A escrita foi automática. Não conseguia concluir o texto e tive de “abandoná-lo”. Aliás, isso é frequente nos meus poemas. Em 2004, o compositor e compositor pernambucano Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, lançou o disco Incité, com a bela canção/declaração Todas Elas Num só Ser. Não comparo a música com o que escrevi, mas o espírito da coisa é o mesmo! Depois de ler, ouça a música aquiContinuar lendo “Uma poesia chamada “Você””

Aproveite O Dia (carpe diem)

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Transforme sua vida no que você quiser!

Aproveite o dia!

Pense por si só!

Não se mede poesia!

 

Palavras podem mudar o mundo

Qual será seu verso?

Olhe ao redor

Encontre sua própria voz!

Descubra novos campos!

 

Há paixão na raça humana

Estamos vivos para amar

Aproveite o dia

É pra isso que estamos vivos!

 

Descubra novas maneiras de enxergar a vida

Sugue toda essência que ela nos dá

O homem só é livre em sonhos!

 

Rasgue tudo que não te agrada

Quebre todos que não valem nada

Encontre seu próprio passo

 

Abra caminho com as próprias mãos

Não há fronteiras ou religião

Que te impeçam de existir

 

Siga seu coração

Não se mede a alegria

Realize teu sonho

Aproveite o dia!

 

por Ariston Sal Junior

Uma caderno chamado Minha Vida

Há muito tempo em uma galáxia não tão distante, na verdade aqui mesmo, entre a segunda metade dos anos 1980 e início dos 1990, eu escrevia alguns textos sobre as coisas que aconteciam comigo… Eram nas páginas de um surrado caderno, o qual eu chamava de Minha Vida, que eu exorcizava meus fantasmas. Como não tinha grana para fazer uma terapia, eu escrevia. Alguns amigos me chamavam de “poeta”. Título muito nobre para um garoto que apenas escrevia o que sentia. O texto abaixo eu escrevi após dois episódios que vivenciei, seguidamente. O primeiro foi durante uma viagem de ônibus que fiz voltando do Leblon para Copacabana. O ônibus estava cheio, sem lugares para sentar e eu parei diante de uma menina, com minha velha mochila jeans, a qual estava o meu caderno dentro. Ela, gentilmente se ofereceu para “segurar” minha mochila. O segundo episódio foi alguns dias depois, em São Pedro d’Aldeia, na Praia do Sudoeste. Era a noite de um dia no meio da semana, férias de verão, eu e uns amigos iríamos ao “centro” da cidade. Uma de nossas amigas não quis ir, preferindo ficar sozinha na praia, que por ser no meio da semana, estava deserta. Eu entrei em casa, peguei meu caderno e a entreguei para que esse lhe servisse de companhia até voltarmos… No dia seguinte ela me devolveu o caderno com uma carta supercarinhosa, na qual me agradecia o gesto. Segue…

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Minha Vida

Apareceu você não sei bem de onde
Pediu a Minha Vida e a colocou em seu colo
Sem saber ao certo o que estava fazendo

Você folheou a Minha Vida
Sem saber que por onde seus olhos passavam
Era a Minha Vida

Minha Vida amassada
Gasta
Suja e rabiscada
Mas a Minha Vida

Você levou a Minha Vida para o seu quarto
E a deitou na sua cama
Dormiu
Sonhou
E se identificou com a minha vida

Você acordou com a Minha Vida por perto
E por dentro de ti

Chorou!
Sorriu!
E gozou com a Minha Vida

Por raros momentos Minha Vida fez parte da sua vida
Assim como de outras vidas
Hoje é apenas a minha vida

Minha Vida já andou por mãos delicadas
Foi vista por pessoas pequenas
E por olhos grandes como a lua

Minha Vida já viajou pra longe
E voltou pra minha vida

Já sorri muito e chorei demais para Minha Vida
Já inventei histórias verdadeiras para Minha Vida
Sobre a minha vida
Só a Minha Vida para aturar minha vida

A Minha Vida é o melhor e o pior da minha vida
A Minha Vida me dá forças para viver
A Minha Vida me vive
A minha vida é a Minha Vida!

E eu vivo a minha vida criando loucuras lúcidas
Num apetite voraz
De viver a Vida!

Tempestade Vermelha

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L’Extase Amoureuse : La Danaé de Gustav Klimt

Uma gota de silêncio escorre pela tua boca
Louca poesia que convida ao paraíso branco
Pranto teu que não foi meu trincado na garganta
Tanta fantasia aplicada sem razão
Paixão esmiuçada a troco de nada
Fada que pranteia a noite vagando
Pensando no carinho que nunca mais vou ver

Ter a solidão merecida por engano
Pano surrado que substitui o frágil véu
Céu ingrato de tempestade vermelha
Centelha que espalha o fogo que arde
Tarde demais e eu me arrependo

Uma gota de esperança escorre pelos meus lábios
Sábios poemas com vida contida — lamento !
Sofrimento teu que também é meu trancado no coração
Ilusão arrancada da razão
Solidão acompanhada ainda somos
Gnomos que incendeiam a noite pensando
Vagando no caminho que nunca mais vou ter

Ser a paixão merecida por um ano
Engano te oferecer o céu
Véu vermelho de tempestade ingrata
Reparta o fogo que te arde
Pra se arrepender nunca é tarde!

por Ariston “Sal” Junior

Ode Lúgubre – em homenagem ao Dia Nacional da Poesia

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Um vazio luxuriante toma conta do âmago de quem mais nada espera!
Aglutinado no desvario que me movia amiúde
Galguei trôpego o teu covil umbroso

Tornou-se hábito provir do silêncio o indevido estado de torpor
Tua complacência terminou no meio de uma metade cortada
Insultei proferindo contra nada
Adulterei minha insólita jornada
Fui intransigente na estrada

Usurpando minha senda adversa ao teu mundo
Hostilizando a minha intrépida ação
A hidra lúbrica concisa rompe o tênue invólucro de sua mácula
Justapondo impávida o frêmito e a frivolidade!

A praia cintilante e seus casais diáfanos fazem alusão a um ser
Compelido a fazer parte de um melodrama sórdido
Onde um protagonista relapso é persuadido num perene amor dúbio

Meu olhar lívido e incauto infringiu mais uma vez teu decrépito refúgio
Num ímpeto escuso ludibrio seu coração meridiano

Com meu pérfido orgulho paliativo
Imbuído de prazer na margem do vale antigo
Peregrino a vasta cidade boreal do amor ambíguo
Casto!
Cético!
Com afã!

Teu frenesi efêmero me deixa combalido
Perco o equilíbrio adornando teu coração
Esgotou-se toda ênfase do princípio!

Teu crime passional e metafórico
É consumado num dia hediondo predestinado a ser perpétuo!

A serpente antagônica é martirizada em sua insanidade
Bailando lúgubre no seio dessa ode!

Num ledo engano me perco em sua ubiquidade
E meu pérfido orgulho paliativo
Me relata que não existe tua saudade!

Um Romance Noir

Marlene Dietrich, em O Anjo Azul (1933)
Marlene Dietrich, em O Anjo Azul (1933)

Foi quando ela entrou pela porta dos fundos
A cidade fez-se mais silenciosa que de costume
A cortina de fumaça pelas largas avenidas remetiam a um romance noir escrito na 3º pessoa
Os carros cintilavam seus faróis nas grossas gotas da tempestade
Ela é a heroína de cinema mudo, com sua imagem irretocável
Exceto pelo rímel borrado por uma gota que insiste em escorrer por sua face

Muda, completamente alheia ao temporal
Cambaleante a cidade acolhe seus pensamentos
Encolhe seus medos…
Não era para ser assim”, ela sussurra num tom grave abafado pela canção

Quantos acordes cabem na canção?
Quantos cigarros amassados no cinzeiro serão necessários para lhe mostrar que a sorte lhe sorriu e se foi
Ela deixou escapar…
Não soube manter…
Errou na escolha

Foi quando ela sentou-se a mesa ao fundo do bar
O som da banda soou mais contundente que de costume
O salão enfumaçado pelos cigarros
Os olhos acesos reiteravam a promessa que não foi feita
Como num filme classe “C” recheado de clichês
A luz sobre o veludo verde
A luz dos seus olhos verdes

Ela era a heroína de um romance “pulp”
Com seus sonhos em branco e preto
Exceto pelo seu desejo secreto
Borrado pelo batom dos meus lábios…

por Ariston Sal Junior

Como Uma Prece Orada Com Fervor

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Como uma prece orada com fervor
Rogo sua presença
Tento manter o equilíbrio adornando teu coração
Catando estrelas nos seus olhos
Faço do seu pedido minha crença

Aguardo sangrando promessas que não fizemos
Escrevo num salmo seu imaculado nome
Não vale minhas lágrimas sobre a tempestade
Ou o alimento de suas palavras
Se é pelo seu corpo que tenho fome

Guardo teu mistério bem trancado numa arca
Purifico no bálsamo de seus lábios o meu medo
Nenhum sacrifício executado, nenhuma pedra atirada
Não é heresia te aspirar cada sílaba sagrada
Ou sonhar suave a primavera de teus pêlos

Como uma prece que não fizemos aguardo sangrando teus mistérios
Transformo seu pedido em minha profecia
Mantendo o equilíbrio no vale de seus olhos
Rogo cada sílaba sobre a tempestade
Sonhando suave estrelas setecentas vezes ao dia…

por Ariston Sal Junior

Tudo que eu quero agora

Adulation of space - Magritte (1928)
Adulation of space – Magritte (1928)

Teu telefone tá ocupado
Teu sinal tá fechado
Tua caixa postal tá lotada
Tua rede tá sem cobertura

Tua porta tá trancada
Teu freio de mão tá puxado
Tua estréia tá sem abertura

Eu já não sei em qual cadeira sentar
Que lugar na mesa devo ocupar
Que lado da cama posso dormir

Em qual vôo será melhor partir
Só sei que tudo que quero, agora, é sumir!

Pintura Inacabada

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Seduction III, Emma Ferreira (2009)

 

Vida…
Me dá um sinal
Quero você!
Me encontra
Estou sozinho
Já rasguei poesias e paixões!

Mundo…
Me dá uma porrada
Quero acordar!
Grita comigo
Estou meio surdo
Já rasguei destino e mulheres!

Deus…
Me dá uma benção
Preciso de você!
Me ampara
Estou perdido
Mas não rasguei minha fé!

Solidão…
Me dá um tempo
Quero nesse momento!
Não sou esperto mas quero ficar
Já rasguei tempestades para amar!

Mulher…
Venha como vier
Seja como quiser
Amo você!

Mulher!
Já rasguei o passado pra remendar meu futuro

 

por Ariston “Sal” Junior

 

Palavras, Simples Palavras

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Palavra
Palavra
Pura palavra
Dura
Palavra pura

Crua
Palavra sem pudor
Flor
Pura
Simplesmente flor

Flor
Púrpura
Calor
Onda
Futura onda
Ou seja lá o que for

Insípido objeto
Lívido
Rubro
Medo ruim
Pavor gostoso

Amor
(tristeza)
Amor
(alegria)

Criado
Princesa
Real fantasia

A lua
O sol

Mais lua aqui
Menos sol lá

Giro
Viro
Reviro
Suspiro

¿
O
Que
É
Aquilo
Ali
No
Ar
?

¿
Por
Quê
Respiro
?

¿
Por
Quê
Vivo
Procurando
Amar
?

por Ariston Sal Junior

Um Poeta Pode Fingir

O Beijo - Henri de Toulouse-Lautrec
O Beijo – Henri de Toulouse-Lautrec

Um poeta pode fingir
A lua não vai mais se esconder de nós dois
E mesmo que o Circo voe
E não arme mais a lona
Eu pego carona na tua poesia depois
Eu quero te descobrir

Um poeta pode fingir
Deixe a história nos contar
Vamos inventar a nossa história
Deixa eu te olhar nos olhos por mais de um século
Conheço a palavra que anseias ouvir

Um poeta pode fingir
Eu posso ler seus pensamentos
Baseado nas frases ao vento
Sei dos teus medos ocultos
E o que estás a sonhar

Um poeta pode induzir
Quero você no mar
Num palco
No céu de um picadeiro
Mas não quero um momento
Um pedaço
Quero por inteiro
Não fomos feitos pra durar

Um poeta pode fingir
Eu não sei seduzir!

Há sorriso em seus olhos
Há desejo em seu sorriso
Mas preciso provar meu próprio veneno
Pra te mostrar o paraíso

Assim criarei nosso céu
Pra te dar o real anel de lua e estrela que te prometi
Todo encanto e magia
Toda poesia que você sentir!

Embarque nessa viagem
Tente!
Um poeta pode fingir
Mas não mente!

por Ariston Sal Junior 

A Marca do Desejo

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Vênus e Cupido – Alessandro Allori

Feche os olhos!
Vê o escuro?
Estou brincando na escuridão
Estou no centro do escuro que você vê!

Posso ouvir os seus gemidos!?
Vê — É fascinante!
A lua é linda até pela metade
Jóia serena — Imaculada!

O mundo gira
Meus olhos saltam as órbitas
Está acontecendo no seu cérebro
O mar está mais selvagem do que nunca
Ouça!
Procure no escuro!
Sou eu quem chamo
É você quem impera!

O Rei está nu com a sua poesia
O Rei está nu com a sua ironia
O Rei está nu com a sua fantasia
O Rei está cru
Porém você não está nua
Sou eu quem chamo
É você quem é lua!

Veja os sinais
Liberte o que há em você
Não posso te acordar
Desperta sozinha!

A palavra é o objeto
O grito é a marca do desejo!
Uma estrela não se mostra o tempo todo
As flores continuam sendo esmagadas pela hipocrisia

Posso desvendar os teus segredos!?
Vê — É adorável!
O Sol além de astro é rei
Se oferece mas não se entrega!

Estou em busca de uma coisa que não tenho
Sou uma vítima de mim mesmo
Sou o palhaço do mundo
Sou o meu próprio alimento
Sou o vôo soturno
Me ofereço mas não me entrego!

Sinto frio!
Sou Vasto!
A solidão é o preço a ser pago!
Tenho a alma frágil!

Vê — Há lágrima em meus olhos!
Há mágica no ar pra realizar teu sonho!
Grite!
Qual o nome da tua alma?

Feche os olhos!
Procure pela minha língua!
Ela está na sua boca
Despudoradamente mágica!

O amor se esconde
Para ir ao encontro de quem o procura!
A praia murmura sábias frases cristalizadas
Pra executar o vôo noturno
Nas direções desejadas!

por Ariston Sal Junior

Direção Oposta

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A Ponte de Giverny – Monet

Aqui fora nesta intépida noite
Nascemos e criamos nossos encantos
Gritamos na vastidão que assola o espaço
Enfrentamos a arena de leões inóspitos
Com suas jubas verdes e seus olhares vítreos

Longe da artéria que trás lodo do coração
Ano passado no último momento curtimos a dor inesperada
Lançados contra todo orgulho da terra
Alterada a ingratidão que nos encerra

Corremos na direção oposta ao vento
Retendo o medo
Ateando fogo ao desespero
Todos os precipícios são apoteóticos
Conhecemos o término
Embarcamos no som exótico e na letra perdida

Encaramos o tormento vil
De quem viu
E não soube enxergar o final!

por Ariston Sal Junior

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda em A Dança

Se Eu os Merecia!

Campos em Primavera - Monet
Campos em Primavera – Monet

Eu confesso que não sei
Se são rasos ou profundos
Se são intensos como o céu
Ou extasiante como o mar

Se é o brilho deles que me inebria
Ou se é esse torpor que me deixa sem ar
Me atrapalho às vezes em palavras
Mas esse é o preço por falar demais

No começo confundi se eram verdes ou azuis
Se eu os merecia ou se era mais do que eu podia ganhar

Mas confesso, olhando agora em seu rosto…
Que seus olhos são os mais lindos e doces
Que a natureza poderia forjar!

por Ariston Sal Junior

“Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.”

C.S Lewis em Os quatro amores

Noite Nômade

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Noite estrelada sobe o Ródano (1888) – Van Gogh

Olhe aqui!
Tá tudo bem agora
Houve um assassinato lá fora
Mas isso não faz nenhum sentido!

É tanta coisa ao mesmo tempo
E tão pouco tempo pra tanta coisa
Não adianta procurar ajuda onde não há!

Olhe aqui!
Dê o fora
Quebre o telefone ou acerte o passo de vez
Estou aprisionado dentro da cidade de luz!

Há tão pouco tempo
Não! —  Não tenho nada de bom pra dizer sobre você!
Todos saíram e eu só preciso de um nome!

Vivo num mundo que não criei
Vingando as dores que não procurei
Você  me expulsou do paraíso!

Um outro agora vive meu lugar
Sei o que ele pensa e sente
Sei o que ele sonha e onde quer chegar!

Então não maltrate esse cachorro vadio
Babando raiva e espumando cio!

Este Sábado arredio
É um oferecimento da Sexta de frio

O caminho é  longo
Mas sempre conduz a noite nômade
Com o contraste de beleza e destruição

Não há  limites
Tudo se esvai!