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Cazuza, 60 anos – O poeta está vivo! é o meu relato sincero de como a obra desse poeta mudou um pouco a minha vida!

Ouvi falar de Cazuza um tempo depois de tomar contato com o grupo Barão Vermelho. Isso nos idos de 1983, no extinto programa Cometa Loucura, da TV Globo. Muitos nomes do BRock se apresentaram por ali. Porém, na minha cabeça de garoto suburbano do Rio, no auge dos meus 12 nos, a Blitz era muito mais legal que as letras confessionais das músicas do Barão.

Enquanto a Blitz enchia os olhos daquele moleque com suas coreografias, cores berrantes e um vocalista carismático com duas meninas lindas fazendo vocal, o Barão tinha um bando de moleques, para mim, mauricinhos, desfilando roupas da Company e um vocalista que eu achava a encarnação do “playboy” da Zona Sul. Não rolou identificação, não tinha maturidade para internalizar as letras. Mas isso logo mudaria.

Quando “Pro Dia Nascer Feliz” começou a tocar direto nas rádios cariocas, me chamou atenção a bateria, o refrão e a música do Barão passou a despertar minha atenção. Mas, foi no ano de 1984, com Bete Balanço na trilha sonora do filme de Lael Rodrigues e o lançamento do álbum Maior Abandonado, que o grupo me pegou de vez.

Maior Abandonado me conquistou de vez

Cazuza já era um nome conhecido na música brasileira, no ano de 1984, com o Barão Vermelho, quando uma amiga do colégio, Claudia Lima, me emprestou por uma semana o LP Maior Abandonado. Passei aqueles sete dias ouvindo o disco sem parar. Todas as músicas começaram a fazer muito sentido para mim. Eu começava aos poucos a me identificar com as letras do Cazuza.

Veio o Rock in Rio em janeiro de 1985. Eu, às vésperas do meu 14º aniversário, já possuidor de “maturidade” suficiente para assimilar cada vez mais a poesia das canções, fui assistir as duas apresentações da banda no festival, que foram arrasadoras. Cazuza, Frejat, , Maurício e Guto foram para mim o destaque nacional daquela primeira edição. Virei fã de vez. Neste mesmo ano Cazuza sai do Barão e inicia uma bem sucedida carreira solo.

Corria o ano de 1987 e eu ainda não possuía um único disco do Barão ou do Cazuza. Me contentava com as músicas tocadas na Fluminense, Transamérica ou Rádio Cidade  e com as fitas Basf Cromo que eu gravava dos discos dos colegas. Meu grande amigo de colégio, Rui César, era um grande fã do pop rock da época, assim como eu, e trocávamos muitas figurinhas sobre os sons que rolavam na década. Rui possuía o disco Maior Abandonado e era um grande admirador do Rush (não sei se ainda é). Eu tinha acabado de comprar o Hold Your Fire, do trio canadense e não tive dúvidas: Rui, vamos trocar? Permuta aceita, esse foi meu primeiro disco da discografia do Barão que eu iria completar nos anos seguintes.

Cazuza e eu

A partir daí Cazuza com sua verve boêmia, exagerada, com sua curta vida cheia de dramas passou a tomar conta dos meus dias. A obra do menino que ia mudar o mundo mudou o meu. Suas canções povoaram minha adolescência, minha entrada na vida adulta e embala meus bons ou maus momentos neste quase meio século de vida que tenho. Cazuza me mostrou que eu podia amar sem medo, que sofrer por amor faz parte da vida e do nosso crescimento pessoal, que não devemos esconder nossos sentimentos e que amar vale muito a pena!

Agenor de Miranda Araújo Neto meteu o pé na porta do meu coração ainda no início da adolescência para me mostrar que, como bons arianos que somos, ser exagerado é apenas uma questão de estilo.

Vida longa Cazuza, Vida longa ao eterno Barão!

 

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Sobre Sal (388 Artigos)
Jornalista, blogueiro, letrista, já fui cantor em uma banda de rock, fotógrafo, fã de música, quadrinhos e cinema...

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