Pitadas

Um conto chamado O Anel de Fedora

10 jan , 2014  

Um conto chamado O Anel de Fedora

Fedora fora criada com todos os mimos que uma menina de sua estirpe comporta. Estudara nos melhores colégios. Educada e linda. Era prendada. Com seu talento nato para cozinha preparava deliciosos quitutes e doces de fazer inveja aos melhores confeiteiros da região. Além disso, criava lindos bordados que produzia em larga escala.

No alto de seus 16 anos, a linda donzela, filha de Alba e do Sr. Pedro Rocha, possuía quase tudo que uma menina em sua idade pudesse querer. Além disso, seu noivo, um jovem e bem sucedido empresário a mimava com flores, poemas e amor. Suas amigas, sempre dispostas a lhe agradar, no fundo desejavam ser Fedora.

Alheia aos estragos que fizera à filha única, Alba em toda sua altivez nata, era ainda mais bela e cheia de energia que Fedora. Alba não percebia que incomodava a filha. Sim, apesar de todas as qualidades, caprichos e vontades, Fedora não se conformava em saber que sua mãe era ainda superior.

Fedora vs Alba

Em tudo Alba era mais que ela. O lugar que sua mãe possuía em casa, principalmente em sua vida, em outras palavras, irritava Fedora em seu íntimo mais obscuro.

Nunca, nem por um segundo a jovem deixou no ar o pérfido sentimento que nutria por sua mãe. Da mesma forma, manter isso oculto da família, era desgastante.

Seu pai, homem altivo que se derretia aos encantos da esposa, irritava profundamente Fedora quando demonstrava qualquer tipo de afeto por Alba, uma inimiga a ser combatida por Fedora. Sua própria mãe. 

Presente

No dia do aniversário de 35 anos de Alba, Pedro Rocha presenteou sua adorada esposa com a joia mais linda que um ourives poderia confeccionar. Um anel adornado por um delicadíssimo diamante passara a enfeitar as mãos de Alba e a envenenar o coração de Fedora.

– “Por quê não fui presenteada com essa joia em meus 15 anos? Era eu quem devia possuir esse anel. Eu mereço mais do que ela”, destilava Fedora o seu veneno em silêncio.

A partir dessa data, a situação entre mãe e filha ficou insustentável. O ciúme, a raiva e a inveja que Fedora nutria por sua mãe, antes sufocada, desde o aniversário passou a quase substancial.

Em outras palavras, Alba sentia que o amor de sua filha definhava a olhos vistos. Na realidade um amor forjado, jamais sentido. Fedora nunca amara sua mãe. Esse sentimento só era ofertado a si mesma. Ela nunca amou ninguém. Bastava-se. Pronto.

Achando fazer o certo, Alba cada vez mais procurava a atenção da filha e o dinheiro que a família possuía jamais fora poupado para suprir os caprichos de Fedora, por exemplo. A Senhora Rocha acreditava que o dinheiro poderia comprar tudo, até mesmo o amor de sua filha. Portanto,  nada adiantava e o pior ainda estava por vir.

O pesadelo de Fedora

Numa tarde de primavera, no retorno de um agradável passeio com seu marido em volta do lago principal da cidade, Alba retornava para casa consumida pela alegria dos raios de sol. Absorta em seu estado de graça, não notou quando um homem aproximou-se sorrateiramente e, de súbito, encostou o cano do revolver nas costas de Pedro. A intenção era roubar as jóias, colar e anel, que Alba orgulhosamente ostentava.

Na tentativa de defender a esposa, Pedro reagiu naturalmente empurrando Alba para o lado. Fato que assustou o ladrão, que em seguida disparou o revólver, descarregando os seis tiros no casal. Quatro balas perfuraram o corpo de Pedro, que chegou a ser encontrado com vida pela equipe de socorristas, mas devido aos ferimentos, faleceu a caminho do hospital.

Alba, a doce e gentil Alba falecera na hora. Dois tiros no peito. Duas vidas perdidas a troco de nada. O homem que tentou assaltá-los fugira após os disparos. Não encontraram o assassino, apesar das buscas intensivas da polícia, por tratar-se de uma família de nobres da região.

O anel

Fedora recebera a notícia da tragédia com pesar. O sentimento que nutria por sua mãe tornara-se ínfimo diante da dor da perda. Seus pais se foram para sempre. Em casa apenas os bens materiais. Bens de uma riqueza que jamais supriria o amor paterno. Apesar de todo o dinheiro o amor incondicional que lhe alimentava o espírito, não estaria mais ao seu lado.

No dia do velório de Alba e Pedro, toda a alta sociedade veio prestar as últimas homenagens ao ilustre casal. De pé, ao lado das urnas com os corpos, recebendo pesares de amigos e parentes, estava Fedora. Não mais aquela menina mimada, mas uma mulher, envelhecida anos em algumas horas.

Só, apenas sua dor como companhia, quando chega seu noivo. Após uma breve troca de palavras de conforto, permanece ao seu lado na cerimônia – “Bonito anel”, ele disse, pra disfarçar a tristeza. Fedora caiu em prantos cobrindo o rosto com as mãos ornadas pelo anel que fora de sua mãe.

por Sal

Sobre um conto chamado O Anel de Fedora

“Bonito anel”, ele disse, pra disfarçar a tristeza.

A partir dessa frase o conto “O Anel de Fedora” foi criado, para um exercício da aula de Redação, na faculdade de Jornalismo, da Univali, nos anos 2000.
A proposta é que cada aluno, com uma frase apenas, dada pelo professor aleatoriamente, criasse um texto.

Lembro que minha reação foi de preocupação. Achei difícil a proposta. Mas, por outro lado, gosto de desafios. Acima de tudo, gosto de criar, de escrever. Abracei a causa e assim surgiu O Anel de Fedora.

Também gosto de utilizar em meus textos palavras pouco usuais, como “pérfido”, “alheia”, “altivez”… todas inconcebíveis em um texto jornalístico, ou mesmo para um post de um blog. Como resultado, sempre tive poucas oportunidades em usá-las.

Agora a memória não me deixa lembrar se era da aula da Silvia Quevedo ou Laura Seligman, ou Sandro Galarça … portanto, já cito os três de uma vez para não ser injusto.

Não sei porque escolhi o nome Fedora. Acho que para mim soava pomposo e eu queria remeter a uma época antiga, mais romântica. Da mesma forma queria um nome sonoro, forte.

E lá se vai mais de uma década. Além disso, a memória do velhinho aqui já não é mais a mesma!

Saudades das aulas, dos professores e da turma!

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Pitadas

Sertanejo Universitário de cu é rola, Viva a boa música!

10 jan , 2014  

Sertanejo Universitário de cu é rola, Viva a boa música!

Sertanejo Universitário de cu é rola, Viva a boa música! – Sexta-feira passada (5) fui assistir ao show do Blues Etílicos, na Expresso Choperia, em Balneário Camboriú (SC).

Presenciei um espetáculo de profissionalismo, virtuose e amor à Música. Sim, com “M” maiúsculo mesmo. Um desfile de canções em que se percebia de forma harmoniosa a combinação de sons e silêncio.

Goste você ou não do gênero.

Ir ao show me deu a certeza de que nem tudo está perdido e que ainda se faz música por amor, com sinceridade, música honesta e não essas porcarias comerciais que poluem os dials das rádios e os programas de televisão.

Entristece-me em perceber que a cultura musical da grande maioria das pessoas é tão inexpressiva, que se contentam com uma pseudo-música feita por encomenda, para poluir os ouvidos dos mais exigentes.

Tudo bem que gosto é pessoal e blá-blá-blá, mas é inegável o talento musical que os caras do Blues Etílicos têm e o tesão que é ouvir música bem feita, bem executada. Onde estão os representantes do bom rock nacional atualmente? Fresno? NX0??? O que é isso, minha gente?

Sertanejo Universitário de cu é rola

Pior é perceber a quantidade absurda de duplas sertanejas, por exemplo, que pululam por aí. Esse povo multiplica mais que gremlins na chuva. Os jovens, aqui em Balneário, só ouvem isso dentro de seus carros, com o som em um volume ensurdecedor e patético. Pois atestar o mau gosto musical para todo mundo, para mim não tem outra explicação. Eu teria vergonha de ouvir esse tipo de música alto.

Da mesma forma foi lamentável também perceber que a casa não estava lotada, apesar da boa música. No entanto, se fosse um show dessas duplinhas de araque, ou de um grupo de breganejo, o local estaria mais cheio.

Mas a culpa é de quem? Das gravadoras? Da mídia? Da falta de cultura musical da maioria dos jovens?

Cheguei a uma triste conclusão: Se a música consumida hoje, requer rótulos esdrúxulos do tipo “universitário” e letras apelativas, ou atrizes pornôs que não sabem cantar, em coreografias lamentáveis, são porque o nível de exigência musical das pessoas, atualmente, está pior do que nunca. Pior é que não vejo um sinal de mudança. A galera tem preguiça de pensar e escutam o que está na moda, o que lhe empurram goela abaixo. Queria uma juventude brasileira mais exigente.

Kid Vinil tem razão sobre sertanejo

Lembrei de uma frase do Kid Vinil, ao discorrer sobre a qualidade musical feita no Brasil: “O que é sertanejo universitário? Na minha época de faculdade eu ouvia Chico Buarque”. Pois é, a música consumida hoje está muito ruim, em minha opinião e eu sei que muitos irão contra mim por esse desabafo. Mas vamos combinar: se “música é a arte de combinar sons”, vamos ao menos fazer a lição direitinha.

E quero fazer um apelo aos mecenas da vez, que ao invés de investirem sua grana em algo abominável, como Sexy Dools, valorize o jovem talento que investe uma vida inteira aprimorando seu dom e não consegue espaço na mídia para mostrar seu trabalho.

Lembre-se, Boa Música fica, atravessa gerações. As porcarias produzidas hoje em dia, como as do sertanejo universitário, acima de tudo, duram um verão e só e não acrescentam nada.

Como diria meu bom e velho amigo João Arnaldo, do Fórum Beatles Brasil.com, “Em uma sociedade como a nossa, em que as pessoas não estudam música, não tocam instrumentos musicais, não há como esperar nada melhor do que o que já temos. Ou vocês acham que é possível esperar que pagodeiros, com seu infinito conhecimento de música (Harmonia, Melodia e Ritmo), poderiam entender a beleza existente nas pautas de Vivaldi ?”

Post publicado pela primeira vez em 09/06/2009, em meu antigo blog, o PGNMB, em parceria com meus colegas da faculdade de jornalismo, Joel Minusculi e William De Lucca.

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Uma poesia chamada Se Eu os Merecia! – por Sal

10 jan , 2014  

poesia Se Eu os Merecia

poesia Se Eu os Merecia

Eu confesso que não sei
Se são rasos ou profundos
Se são intensos como o céu
Ou extasiante como o mar

Se é o brilho deles que me inebria
Ou se é esse torpor que me deixa sem ar

Me atrapalho às vezes em palavras
Mas esse é o preço por falar demais

No começo confundi se eram verdes ou azuis
Se eu os merecia ou se era mais do que eu podia ganhar

Mas confesso, olhando agora em seu rosto…
Que seus olhos são os mais lindos e doces
Que a natureza poderia forjar!

por Ariston Sal Junior

poesia Se Eu os Merecia
Campos em Primavera – Monet

Sobre a poesia Se Eu os Merecia!

Corria o s anos 2000, na segunda metade da década. Consequentemente eu já devia ter me mudado de Porto Alegre-RS para Balneário Camboriú-SC. Não lembro a data exata de quando escrevi a poesia Se Eu os Merecia.

Lembro porém que um trecho da música Your Song, do Elton John, foi o mote. A frase específica foi a parte da canção que diz “You see I’ve forgotten, if they’re green or they’re blue / Anyway, the thing is, what I really mean
/ Yours are the sweetest eyes I’ve ever seen
.”

Como resultado, a poesia Se Eu os Merecia, após eu ficar com a música do Elton durante algum tempo, “saiu” completa, de uma vez só.

Gosto da simplicidade da escrita, do ritmo, da paixão contida nos versos, assim como a confissão da dúvida. É uma daquelas “obras” que temos orgulho de ter escrito.

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Pitadas

Uma poesia chamada Noite Nômade – por Sal

10 jan , 2014  

Poesia Noite Nômade

Poesia Noite Nômade

Olhe aqui!
Tá tudo bem agora
Houve um assassinato lá fora
Mas isso não faz nenhum sentido!

É tanta coisa ao mesmo tempo
E tão pouco tempo pra tanta coisa
Não adianta procurar ajuda onde não há!

Olhe aqui!
Dê o fora
Quebre o telefone ou acerte o passo de vez
Estou aprisionado dentro da cidade de luz!

Há tão pouco tempo
Não! —  Não tenho nada de bom pra dizer sobre você!
Todos saíram e eu só preciso de um nome!

Vivo num mundo que não criei
Vingando as dores que não procurei
Você  me expulsou do paraíso!

Um outro agora vive meu lugar
Sei o que ele pensa e sente
Sei o que ele sonha e onde quer chegar!

Então não maltrate esse cachorro vadio
Babando raiva e espumando cio!

Este Sábado arredio
É um oferecimento da Sexta de frio

O caminho é  longo
Mas sempre conduz á noite nômade
Com o contraste de beleza e destruição

Não há  limites
Tudo se esvai!

por Ariston Sal Junior

Poesia Noite Nômade
Noite Estrelada Sobre o Ródano – Van Gogh

 

Sobre a poesia Noite Nômade

A poesia Noite Nômade foi escrita nos idos dos anos 1990. Na época eu acabara de ler On the road – Pé na Estrada, do Jack Kerouac, traduzida pelo Eduardo “Peninha” Bueno.

Minha paixão pela literatura crescia a passos largos e o livro, eleito pela crítica especializada como a obra-prima de Kerouac, um dos nomes mais importantes da geração beatnik, me agradou demais por sua prosa, seus personagens. Certamente não passaria incólume após a leitura.

Enquanto devorava livros, escrevia letras de músicas. Algumas poesias. Gosto em especial de Noite Nômade pelo ritmo, pelas imagens…

A poesia Noite Nômade, claro, não faz jus, nem mesmo menção à escrita beat, mas quando a escrevi estava, sim, imbuído com o espírito dos beatniks.

Em outras palavras, por conta dessa fase, Além da poesia Noite Nômade, outras poesias foram escritas com esse espírito. Mas, isso é assunto para outra postagem.

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Músicas e imagens de Lenine: Registro

5 jan , 2014   Video

Músicas e  imagens de Lenine, foi o que consegui casar em meu primeiro show do cantor e compositor pernambucano Oswaldo Lenine Macedo Pimentel. Como resultado, fiquei ainda mais fã do trabalho do cara.

Nascido em Fevereiro, sob o signo de Aquário, Lenine despertou cedo para a música.

Ainda menino, das brincadeiras no bairro de Boa Vista, no Recife, surgem as primeiras influências e referências musicais que iriam acompanhar o músico por toda vida.

O clássico álbum Canções Praieiras, do baiano Dorival Caymmi, por exemplo, foi companheiro constante nessa fase, além de Ângela Maria, Jackson do Pandeiro e Miltinho.

Posteriormente os eruditos Bach e Chopin também forjaram o gosto musical de Lenine. 

canções praieiras Musicas e Imagens de Lenine
Canções Praieiras – Primeiro álbum de Dorival Caymmi, lançado em 1954

Mais tarde, o rock’n’roll entraria na receita e formaria a base sólida que posteriormente moldaram as músicas e imagens de Lenine, da mesma forma que a MPB.

O cantor e compositor é autor de belos álbuns e, acima de tudo, de músicas que marcaram e fazem ainda a cabeça de uma galera carente de novos talentos no mainstream atual.

Músicas e Imagens de Lenine

Diferente de um fã ou um mero ouvinte de músicas antes do advento da Internet, hoje em dia é muito fácil ter contato com a obra de um artista.

Em outras palavras, basta estar conectado na grande rede para termos acesso ás músicas e imagens de Lenine, como de qualquer outro artista.

Mas nem sempre foi assim…

O começo não foi fácil

Foi o álbum Clube da Esquina, de 1972, lançado por Milton Nascimento em parceria com o mineiro Lô Borges, na época um menino, que fez com que Lenine interioriza-se em si o Brasil. 

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Capa de Clube da Esquina, lançado em 1972

Mas, foi somente a partir de 1981, com a realização do Festival MPB Shell, que Lenine, por exemplo, começa a definir suas músicas e imagem.

Além disso, nessa época, ele se instala em uma vila, no bairro carioca de Botafogo, ao lado do conterrâneo Lula Queiroga e outros músicos. Isso certamente pode ter contribuído para Lenine dar os primeiros passos a caminho do estrelato.

Após uma temporada de shows no Teatro Ipanema-RJ, para apresentar o trabalho e talento musical da turma.

Roberto Menescal aprova o que vê e, como resultado, o fruto disso é o álbum Baque Solto, lançado em 1983 em parceria com Queiroga.

Mesmo assim, só para esclarecer, precisou uma década para que Lenine saísse do anonimato, ou, para se usar um termo do meio, saísse do underground, para se tornar o artista que conhecemos hoje.

Com sua música, Lenine apresenta em seu álbum solo de 1993, Olho de Peixe, pérolas como O Último Pôr do Sol e Pedra e Areia. Em outras palavras, o artista que conhecemos hoje nasce ali.

As canções de Lenine nesse primeiro trabalho contaram com a participação luxuosa do percussionista Marcos Suzano e deram início as primeiras turnês internacionais do artista.

https://www.youtube.com/watch?v=

Lenine entra para o primeiro time da música brasileira

Após ganhar o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro, com seu disco de 2002, Falange Canibal, as músicas de Lenine passaram a ser uma constante no dial das rádios e, como resultado, a projeção de sua imagem passa fazer parte de programas de TV.

Lenine in Cité (2004) e Acústico MTV (2006) seguiram os passos de Falange e conquistaram o Grammy de melhor álbum. Além disso, as canções Martelo Bigorna e Ninguém Faz Ideia foram agraciadas com o prêmio de Melhor Música Brasileira. 

Além de cinco Grammy na estante, Lenine conquistou com suas músicas 12 Prêmios da Música Brasileira e dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte.

A partir de 2007, com o lançamento de Breu, composto para o balé da Companhia de Dança – Grupo Corpo, Lenine passa a definir um conceito antes de trabalhar as canções que comporão seus álbuns. O disco Triz, de 2013, também segue o mesmo molde, composto para outro balé da companhia e contém 10 canções do músico.

Labiata, de 2008 teve as orquídeas, uma das paixões de Lenine como inspiração. O disco foi batizado com uma espécie da planta do nordeste do país.

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Capa do Álbum Labiata, lançado em 2008

Em Chão (2011), que teve a produção em parceria com o filho Bruno Giorgi e Jr. Tostoi, o mote foi sons do cotidiano, “seja de uma chaleira, de um canarinho, de uma cigarra ou de uma máquina de lavar roupa”, conforme descrito no site oficial de Lenine.

Discografia Lenine

  • Baque Solto (1983)
  • Olho de Peixe (1993)
  • O Dia Em Que Faremos Contato (1997)
  • Na Pressão (1999)
  • Falange Canibal (2002)
  • Lenine in Cité (2004)
  • Acústico MTV Lenine (2006)
  • Labiata (2008)
  • Lenine.doc – Trilhas (2010)
  • Chão (2011)
  • Carbono (2015)
  • The Bridge – Lenine & Martin Fondse Orchestra (2016)
  • Lenine Em Trânsito (2018)

Em 2015 Lenine lança Carbono, inspirado nas raízes pernambucanas e fecha a trilogia iniciada em Labiata.

Os dois últimos trabalhos, The Bridge (2016) – gravado na Holanda, lançado também em DVD e Em Trânsito (2018), gravado no Rio de Janeiro, dá sinais que Lenine está sempre em movimento, se reinventando, em direção á uma nova visão sobre seu tempo.

As músicas de Lenine sempre preciosas

O bom das músicas de Lenine é que elas, embora tenham a marca registrada indelével do compositor, não se repetem e nem se perdem em fórmulas. 

Assim como um bom ourives, Lenine a cada canção lapida as imagens, letra e música de forma única a sempre nos brindar com uma nova jóia.

5 Pedaços do tesouro de Lenine

  • “Se você quer me seguir, não é seguro”
  • “A curiosidade de saber o que me prende, o que me paralisa, serão dois olhos negros como os teus que me farão cruzar a divisa?”
  • “Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência”
  • “Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão, eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos, como um deus, e amanheço mortal”
  • “Se tá puto quebre, tá feliz requebre, se venceu celebre, se tá velho alquebre e corra atrás da lebre”
https://www.youtube.com/watch?v=H8heUZxU92g

Lenine em canções e imagens

Tive a oportunidade de assistir Lenine apenas uma vez, em um show na cidade de Joinville, em uma festa tradicional da cidade. Na oportunidade, além das músicas, tive a felicidade de captar imagens (veja galeria no fim do post) e entrevistá-lo no camarim após o show. 

Isso ocorreu em 2011. A matéria saiu em um jornal que eu trabalhava na época, algumas fotos estão na galeria abaixo. Segue também um Top 10 Canções do Lenine, na minha opinião.

https://open.spotify.com/playlist/6BKpFIZDmKAU8XOcT7ATVf?si=xZ3iTc9_QhyNFu0HmvS7VA

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Expoville, Joinville-SC
15/11/2010

Fotos por Ariston Sal Junior

Lenine e Sal, por Piero Ragazzi

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