Pitadas

Imposto Vira Cultura é realidade e vale para todo Brasil

8 jul , 2015  

Imposto Vira Cultura Pitadas do Sal

 

Se você declara imposto de renda e sempre fica incomodado por não saber para onde vai o valor pago todos os anos, saiba que agora você pode dar um destino limpo e certeiro, apostando em um projeto cultural que melhor lhe apraz. Ah, O incentivo pode ser feito durante todo o ano. Converta seu I.R em cultura!

Idealizado pela produtora cultural, Lidiane Lemes, a plataforma de financiamento coletivo Imposto Vira Cultura serve para que pessoas físicas ou jurídicas possam reverter parte do imposto de renda declarado todos os anos em projetos culturais, já previamente aprovados na Lei Rouanet.

Um pouco desiludida com a dificuldade de produzir cultura em Florianópolis, cidade em que vive, a gaúcha Lidi (como é mais conhecida pelos amigos) teve a ideia em 2011 de tentar algo a mais em prol da cultura. “Eu me sentia um pouco frustrada com as dificuldades. Eu via um mercado muito pujante aqui em Floripa, apesar da sensação que muitas pessoas têm de que não há cultura aqui. Mas isso é uma falácia, pois aqui tem uma cultura muito rica”, afirma. Porém, Lidi diz que as pessoas não valorizam essa arte, no sentido de pertencimento. “Muitas pessoas não entendem que isso é importante, faz parte do desenvolvimento humano e da construção subjetiva da cidade.

Lidiane Lemes Perfil Pitadas do SalA produtora cultural Lidiane Lemes é a idealizadora da plataforma Imposto Vira Cultura

Para alavancar a arte e a cultura bacana que é produzida nos quatro cantos do Brasil, Lidi conseguiu tirar o projeto do papel em 2014, durante o Social Good Brasil. O Imposto Vira Cultura quer então servir de conexão entre quem produz com aquele que pode (e deve) incentivar a cultura no país. Lidi explica que para isso acontecer, parte do Imposto de Renda (Físicas até 6% e Jurídicas até 4%) pode ser revertida para incentivar os projetos culturais que, embora aprovados, não recebem recursos.

O interessado em fazer essa boa ação em benefício da cultura precisa apenas entrar na plataforma, escolher o projeto que deseja apoiar e depositar o valor proporcional ao imposto de renda que declara. “Pela plataforma ainda dá para acompanhar o desenvolvimento do projeto cultural”, lembra Lidi.

O bacana, além do fato em si, é que ao invés desse valor ir para o governo, você destina para um projeto bacana de cultura e posteriormente pode ser restituído ou deduzido do seu Imposto de Renda, o valor destinado à plataforma.

Lidiane Lemes 02 - foto de (J Neto)"Acesso à cultura é um direito humano", Lidia Lemes no Ted x Floripa, realizado mês passado (foto por J. Neto)

 

Viabilizados

Até o momento Lidi diz que há seis projetos viabilizados pelo Imposto Vira Cultura. “Estão em fase de captação de recursos. São projetos de música, teatro, audiovisual e literatura. Todos catarinenses e que aguardam incentivo de pessoas ou empresas”, explica.

A produtora acredita que as Pessoas Físicas devem apostar mais na plataforma.” Eu espero que as pessoas vejam que precisam consumir mais cultura. Nós todos somos feitos de cultura. Queremos que as pessoas se sintam empoderadas e tenham autonomia para escolher uma iniciativa, acompanhá-la e usufruí-la. Mas também queremos despertar o interesse das empresas para que elas vejam o financiamento não somente como interesse de marketing, mas principalmente como valor de difusão cultural. Hoje nossa base é a Lei Rouanet, mas pensamos em, no futuro, usar a legislação e impostos municipal e estadual para incentivar ainda mais projetos”.

IVC

Em Resumo

Em linhas gerais, nas palavras da própria criadora da plataforma, o Imposto Vira Cultura é um “crowdfunding” de projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet, que você pode incentivar com o Imposto de Renda, quando feitos no modelo completo. Não vale o simplificado. “Só que ao invés de você destinar dinheiro, como em um crowdfunding tradicional, você calcula seu imposto de renda e destina de 4% (Pessoa Jurídica) e 6% (Pessoa Física) desse total, que poderá ser deduzido ou restituído posteriormente”, explica Lidi.

A produtora destaca ainda que 10 milhões de Pessoas Físicas podem fazer esse incentivo, mas apenas, de acordo com recente relatório do Ministério da Cultura, cerca de 9 mil pessoas fazem com que parte do seu imposto de renda seja destinado à cultura. “As pessoas desconhecem a possibilidade do incentivo. Por isso essa plataforma foi criada para tentar angariar um número maior de incentivadores à cultura”, finaliza.

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Pitadas

A incrível geração das mulheres chatas – por Mariliz Pereira Jorge

17 jul , 2014  

A incrível geração das mulheres chatas - por Mariliz Pereira Jorge

Interessante o ponto de vista sobre as mulheres, vindas de uma… mulher
A colunista do jornal Folha de São Paulo, Mariliz Pereira, publicou semanas atrás em seu espaço do periódico uma ótima crônica, “A incrível geração das mulheres chatas”, onde faz uma “análise” do comportamento feminino de algumas mulheres. Acredito que muitas mulheres se identificarão com o ponto de vista de Mariliz e outras acharão um absurdo… Tire suas próprias conclusões. Vale muito a leitura!

A incrível Geração das Mulheres Chatas

Não faz nem um mês eu disse aqui que a melhor desculpa de uma mulher que está sozinha é que não tem homem no mercado. É muito boa. Mas tem uma que disputa à faca o primeiro lugar: estou sozinha porque os homens têm medo de mulheres independentes.

Uma ova.

E posso afirmar: a cada minuto que você reclama, tem outra mulher também independente e bem sucedida – mas muito mais esperta do que você – sendo bem sucedida na dança do acasalamento. E você aí, sozinha no bar com as suas amigas independentes, com suas bolsas caras, indo dormir sozinhas, reclamando da morte da bezerra e dos homens. Aqueles ingratos.

Não sei de onde tiraram essa ideia de que a vida só mudou para as mulheres. Não é possível que a gente acredite mesmo que fomos criadas para ganhar o mundo, estudar, disputar vagas de trabalho, fazer o imposto de renda, encarar hora extra, sair sozinha com as amigas, e que ninguém contou nada aos homens. Enquanto isso, os pobres empacaram no tempo e, portanto, hoje temos que conviver com trogloditas que ainda esperam casar com a dona Baratinha.

Tenho um irmão 11 meses mais novo do que eu. Crescemos na mesma casa, com os mesmos pais. Nós dois vimos minha mãe trabalhar a vida inteira, chegar em casa muitas vezes depois de todo mundo, dividir as contas da família no papel, fazer uma comida mais ou menos, viajar sozinha no Carnaval porque meu pai sempre detestou os dois.

Saídos da mesma fôrma, eu ganhei o mundo. Meu irmão casou antes dos 20 anos. Não estou contando nenhuma história que não seja a mesma de quase todo mundo que eu conheço. Esse discurso de que os homens não estão preparados para essa nova mulher seria revolucionário na época da minha avó, que se separou aos 50 anos, decidiu aprender a dirigir, fez vestibular para educação física e foi procurar emprego – porque, até então, o único duro da vida da dona Dorah tinha sido criar quatro filhos. Talvez tenha ficado mal falada na cidade. Mas era a minha avó, no tempo da minha avó.

Essa ladainha em 2014 não dá.

Quando é que a gente vai cansar de se fazer de vítima e parar de encarar os homens como incapazes? Se a gente se adaptou aos novos tempos, eles também. Ainda precisamos de ajustes aqui e ali, mas está tudo bem.

Eu não convivo com homens despreparados para essa nova mulher que sou eu, você e quase todo mundo. Tenho amigos homens, e eles querem, sim, mulheres parceiras e não dependentes. Choram no meu ombro por causa de pé na bunda. Reclamam de mulher que não vale nada. Ficam perdidos sem saber como agradar essa fulana que, na verdade, não sabe o que quer porque cresceu acreditando que pode querer tudo. E pode. Só deveria parar de encher o saco.

Fizemos as nossas escolhas, eles fizeram as deles. Nenhuma mulher é igual. Assim como qualquer cara pode vir com mil variações do que a gente aprendeu a conhecer por macho. Tem todo tipo por aí. Mas com todos os requisitos que a tal nova mulher – que de nova não tem nada – quer, não sobra um na face da terra que baste.

Inteligente. Óbvio. Antenado. Com certeza. Remediado. Tem remédio? Fodão. O tempo todo. Bem humorado. É o mínimo. Frágil. Nem pensar. Imaturo. Socorro. Machista. Deus me livre. Glúten free. Pra quê? Fiel. Possível. Rico. Com a graça de deus. Comprometido. Por que não?

Esqueça.

Eu agradeço por nunca ter tido um único namorado que não me quisesse da forma como eu fui criada. Ganho o meu dinheiro, bebo uísque, gosto de futebol, dirijo super bem, cuido do meu imposto de renda sozinha. Sei pregar botão, ainda que torto, não sei nem por onde começa a receita de suflê de cenoura, só vou ao supermercado pra comprar vinho e no dia em que tive que aprender a diferença de alvejante e água sanitária, dei um Google.

Compro bolsas caras, saio sozinha com as minhas amigas e nunca fui cobrada por ter que trabalhar domingo ou terça à noite. Neste momento em que escrevo e tomo vinho tem um cara lá na cozinha preparando o jantar. Um cara que me escolheu do jeito que eu sou, que vibra com as minhas vitórias e me salvou de jantar miojo ou cerveja pelo resto da vida.

Meus pais nunca perguntaram quando eu iria casar ou quando lhes daria netos. Mas sempre torceram que eu encontrasse um companheiro para dividir a vida. Eles se orgulham muito do caminho que eu quis seguir e nunca me fizeram pensar que escolher ser bem sucedida significaria ser mal amada. Conheço uma penca de gente que tem os dois porque isso aqui não é uma competição. Todo mundo quer a mesma coisa. Eu, você, o Arthur, o Marco, o Fernando, o Rodrigo, o João, a Cris, a Camila.

Todo mundo quer um chinelo velho pro seu pé cansado. Quer sossegar o rabo num relacionamento feliz e cheio de cumplicidade, de parceria, de mãos dadas no cinema, de silêncios que signifiquem enfim sós.

Chega desse discurso de ser mal compreendida pelo mundo e pelo homens. Tem muita gente avulsa por aí. Dos dois lados, por inúmeras razões. Se você acredita mesmo que ninguém te quer porque é independente e porque os homens não sabem lidar com isso, só quero lhe dizer uma coisa: você está sozinha porque é chata.

Vou jantar, porque depois tem uma pia de louça me esperando. Justo. Clique aqui para ler o texto.

por Mariliz Pereira Jorge
Colunista da Folha

 

PS> A pedidos da autora, tive que linkar para o texto original no site da Folha de São Paulo para a leitura completa da crônica.

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