Bate-Papo #02 – com Charles Zimmermann

O jaraguaense Charles Zimmermann é um viajante com selo de qualidade aprovado pelo Inmetro. Professor e escritor, em seu mais recente livro, Travessia – 747 Dias de Bicicleta Pelo Mundo, publicado pela editora Camus, Zimmermann narra sua viagem em busca de conhecimento. Detalhe que ele fez isso montado em uma bike.

Charles Zimmermann

Foram 747 dias “sozinho”. Zimmermann pedalou por 40 países, em quatro continentes. O fascínio pelo exótico fez o escritor travar contato com culturas tão diferentes da nossa, que só mesmo convivendo um pouco com essas pessoas foi possível absorver o estilo de vida delas. E é este contato próximo que o autor de Travessia – 747 Dias de Bicicleta Pelo Mundo, vivenciou e apresenta no livro.

Confira o bate-papo para o Pitadas do Sal, e conheça um pouco mais desse ilustre catarinense de Jaraguá do Sul.

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Veteranos dos Bares

Café Terrace, Place du Forum, Arles - Van Gogh
Café Terrace, Place du Forum, Arles – Van Gogh


Só na noite é que saímos para lugares que já ficaram marcados no dia anterior. Onde nossos fantasmas, a nossa espera, guardam sempre um lugar para o dia seguinte.

Uns vão pro Baixo Leblon, outros pra Cidade-Baixa, alguns estão no Pontão do Lago Sul e têm os que vão para a Ladeira do Pelô, ou ainda pra suave brisa da Beira-Mar. Sem contar os sempre cheios da Vila Madalena.

Em qualquer lugar os bares, esse templo sagrado dos boêmios, reúne lindos personagens da cidade, oculta pelos olhos do dia, pela ausência de culpa, revelando segredos que o sol não consegue decifrar.

Nesses encontros, às vezes secretos, onde secretíssimos dialetos são desenvolvidos e ganham corpo. Nos templos etílicos das pequenas metrópoles e dos imensos povoados, seguimos em comunhão os rituais solenes, insolentes. A garrafa, o copo, a toalha, a mesa. Falamos da vida, dividimos nosso cotidiano, expomos nossas feridas, refazemos planos. Os assuntos se confundem, se misturam, são diversos. Tomamos porres de canções, de prosas, de versos e colecionamos amores. Mas cuidado, pois descarta-se os abandonos.

Somos veteranos dos bares, bêbados, abandonados, sem lar, sem vínculo, que delineando as dores com cerveja, choramos juntos, sozinhos, a tristeza. E sobrevivemos. Ah, e como sobrevivemos. Com graça, com encanto, sem canto e rimos da solidão pelas madrugadas insones, onde o céu é um quadro negro de luzes singelas que contrasta com as estrelas que sobem no gás, nas espumas e escorre pelo ralo, pelo bueiro.

Com tudo, há o amor. Sempre belo, idealizado, com os pactos fechados, nem sempre cumpridos, muitas vezes sufocado,  quase sempre sofrido, machucado. Mas nossa promessa de não chorar, para não derramar lágrimas que não são compreendidas, quase é traída quando nossos olhos, pelo calor dos bares, teimam em suar.

por Ariston Sal Junior 

Um Poeta Pode Fingir

O Beijo - Henri de Toulouse-Lautrec
O Beijo – Henri de Toulouse-Lautrec

Um poeta pode fingir
A lua não vai mais se esconder de nós dois
E mesmo que o Circo voe
E não arme mais a lona
Eu pego carona na tua poesia depois
Eu quero te descobrir

Um poeta pode fingir
Deixe a história nos contar
Vamos inventar a nossa história
Deixa eu te olhar nos olhos por mais de um século
Conheço a palavra que anseias ouvir

Um poeta pode fingir
Eu posso ler seus pensamentos
Baseado nas frases ao vento
Sei dos teus medos ocultos
E o que estás a sonhar

Um poeta pode induzir
Quero você no mar
Num palco
No céu de um picadeiro
Mas não quero um momento
Um pedaço
Quero por inteiro
Não fomos feitos pra durar

Um poeta pode fingir
Eu não sei seduzir!

Há sorriso em seus olhos
Há desejo em seu sorriso
Mas preciso provar meu próprio veneno
Pra te mostrar o paraíso

Assim criarei nosso céu
Pra te dar o real anel de lua e estrela que te prometi
Todo encanto e magia
Toda poesia que você sentir!

Embarque nessa viagem
Tente!
Um poeta pode fingir
Mas não mente!

por Ariston Sal Junior 

1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer

O livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer (1001 albums you must hear before you die), de Robert Dimery, vale a compra e lugar de destaque na estante, pois apresenta uma rica seleção de álbuns clássicos dos anos 1950 para cá (aqui no Brasil lembro de ter visto umas três reedições com atualização do catálogo). O forte é o bom e velho Rock’n’Roll, com todas as suas vertentes, mas também há menções ao Jazz, ao Blues, ao Soul e ao Hip-Hop.

São 90 jornalistas e críticos musicais internacionalmente reconhecidos que resenham os 1001 discos em questão. Ricamente ilustrado, a obra é referência básica ao apreciador de boa música que não se contenta só em ouví-la, mas necessita contextualizá-la. Há curiosidades sobre as gravações, dados biográficos do artista mencionado, detalhes dos bastidores da produção. Tudo muito bem escrito, num texto rápido, preciso e gostoso de ler.

Em 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, você encontra seus artistas e grupos favoritos e descobre/conhece dezenas de outros de relevância da música. Astros e Estrelas que fazem a cabeça das gerações de jovens dos 8 aos 180 anos.

Pode ser que um disco seu preferido não esteja listado no livro/guia, as chances disso ocorrer são pequenas, mas existem. Afinal, listas de “melhor” alguma coisa são sempre questionáveis, mas o trabalho do autor foi feito com esmero e você encontrará os álbuns clássicos de Elvis Presley, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Pink Floyd, U2, além dos clássicos absolutos, como Thriller, de Michael Jackson, ou Nevermind, do Nirvana. Sem contar com Baby One More Time, da Britney Spears. Ou você acha, mesmo não gostando, que esse álbum não causou impacto na indústria fonográfica quando foi lançado?

Ah! Os brasileiros também marcam presença com Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Mutantes e Sepultura. Afinal, nós fazemos música da melhor qualidade e merecemos constar em qualquer compilação desse porte.

Uma dica: Blog com 1001 clipes para assistir antes de morrer

A coleção 1001 “coisas” pra antes de morrer inclui uma série de temas. Música, filmes, vídeogame, vinhos, comidas, lugares… é só dar uma conferida nas livrarias.

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