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50 anos de Beatlemania para o mundo!

7 fev , 2014  

Beatles 50 anos Beatlemania pitadas do sal

Hoje, dia 7 de fevereiro, faz 50 anos da primeira visita dos Beatles aos EUA. Os quatro garotos de Liverpool foram recebidos no aeroporto John F. Kennedy por mais de três mil histéricas fãs que disputavam o melhor ângulo afim de deslumbrarem John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Dois dias depois foi a vez de nada mais nada menos que 74 milhões de espectadores americanos e outros tantos milhões no Canadá, assistir a, hoje histórica, apresentação do grupo no The Ed Sullivan Show. O início da Beatlemania para o mundo.

Eu, como fã, não fanático, pelos Beatles, poderia discorrer várias linhas sobre o feito e o impacto para a música e para o mundo, mas prefiro apenas deixar registrado aqui meu carinho pelo que os Fab4 fizeram pela arte.  Vale lembrar porém, que uma série de eventos estão programados, aqui no Brasil e pelo resto do mundo para celebrar essa data. Inclusive relançamento de álbuns da banda – uma nova coleção de 13 álbuns – de “Meet The Beatles” (1964) até “Hey Jude” (1970) – será lançada em 21 de janeiro pela Apple Corps Ltd. em parceria com a  Capitol Records, além de um provável encontro entre os dois integrantes remanescentes do quarteto, McCartney e Starr.

 

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Low – O Exílio Voluntário de David Bowie

5 fev , 2014  

Low - O Exílio Voluntário de David Bowie

Low – O Exílio Voluntário de David Bowie – Não lembro quando foi que comecei a ouvir David Bowie a sério. Sei que foi tardiamente, perto dos 30 anos. Antes, só conhecia o que havia tocado nas rádios, na década de 1980. O camaleão Bowie me era familiar pelo clipe de Dancing in the Street, ao lado de Mick Jagger e do filme Labirinto, que não assisti, mas bombou na década mais pop da música ocidental. Mas foi movido pela curiosidade que fui vasculhar a discografia do cara. Ouvia dos mestres do assunto que os álbuns de 1970 é que eram o bicho. Então, fui garimpar.

Para os iniciados no rock o ano de 1977 é incontestável como o ano do punk, data fundamental para a história do ritmo e o louro de olhos bicolores já pressentia, quatro anos antes dessa subversão rítmica, os sintomas da estagnação por qual passava a música nessa década. Foi aí que ele trocou a Inglaterra, onde reinava absoluto, pela América.

O cara chegou chutando o pau da barraca e em entrevistas que concedia nos Estados Unidos, chamava o rock de “música de gente burra”. Radical ou marqueteiro tentando chamar os holofotes americanos em sua direção? O fato é que ele anunciou sua inclusão à carreira de ator e a soul music “plastificada” dos sul dos EUA. Resultado? O álbum foi um dos precursores da discothèque.

Nos dois anos em que viveu em solo americano, antes de se isolar em Berlim, faturou um Grammy com Fame (parceria com John Lennon) e protagonizou o filme O Homem que Caiu na Terra. Ah, também gravou o álbum Station to Station, o qual o crítico Allan Jones, do Melody Maker, avaliou como “o mais revolucionário da década”. Pra mim, não foi.

Isso tudo eu quis contar para chegar no grande clássico do cara e que não pode faltar em sua coleção. O que eu considero revolucionário mesmo é o álbum de 1977, batizado Low, cuja capa é uma foto do filme que ele fez nos EUA e alude o tema central das poucas e curtas letras do disco.

O álbum gira em torno do tema que remete ao exílio voluntário à capital alemã. “Azul, elétrico azul/ é a cor do quarto onde vou viver/ venezianas fechadas o dia todo/ nada para ler, nada para dizer/ vou me sentar e esperar pelo dom de som e visão” (em “Sound and Vision”).

Low é um dos discos mais influentes do rock e contou com a colaboração de outro mestre, Brian Eno (tecladista, ex-Roxy Music), dando início a trilogia de Berlin de Bowie (Heroes e Lodger completam a tríade, todos em colaboração com Eno).

Mas é em Low que Bowie inicia seu flerte com o rock alemão e incorpora a eletrônica na música de forma quase obsessiva. Eno, famoso pelo uso de sintetizadores em seus trabalhos, com seu domínio criativo da parafernália dos estúdios de gravação, deixa o velho camaleão fascinado.

Na época, Bowie declarou sobre as faixas instrumentais do lado B do álbum: “Essas músicas são mais uma observação, em termos musicais, de como eu via o Bloco Oriental. Era algo que não podia expressar em palavras. O que precisava era de texturas, e de todas as pessoas que eu já ouvi compor texturas, as de Brian Eno eram as que mais me agradavam”.

Não deu outra. As texturas sonoras criadas para Low foram chupadas por uma série de artistas e acabou virando gênero musical, chamado cold wave (espécie de tecnopop mais cerebral ou meditativo e desacelerado). Bowie abriu a torneira da fonte que outra lenda do rock, o Joy Division, iria beber no clássico Closer, lançado em 1980. Vale dizer que antes de se chamar Joy Division, o grupo atendia por Warsaw – extraído de “Warzawa”, faixa que abre o lado B de Low.

Se você conhece, que tal ouvir de novo? Se nunca ouviu, o que está esperando?

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Virundum – A arte de inventar letras para canções consagradas

31 jan , 2014  

Virundum - A arte de inventar letras para canções consagradas

Virundum - A arte de inventar letras para canções consagradas

Virundum – A arte de inventar letras para canções consagradas – Cantar uma canção a plenos pulmões, na solidão do banheiro, lavando roupa, arrumando a casa, numa roda de amigos, para extravasar a alegria ou espantar a tristeza. “Quem canta seus males espanta!”. Coisa boa é cantar. Embora nem sempre se tenha a certeza de que a letra da música está certa. Na dúvida improvisa-se o que mais se aproxima do que escutamos, é o tal do “Ovirundum” (ou Ouvirundum, ou simplesmente Virundum), expressão cunhada do nosso Hino Nacional, “Ouviram do Ipiranga…” que alguns brasileiros não conseguem acompanhar, tamanha a complexidade da letra.
O caso mais famoso que se tem registro de um “virundum” é a canção do grupo Brylho, de 1982, chamada “Noite do Prazer” (ouça abaixo), de autoria de Cláudio Zoli. Na Letra, o autor imagina uma noite a dois promissora e “na madrugada vitrola rolando um blues, tocando B.B King sem parar…” não raro encontrarmos por aí as pessoas que cantam “na madrugada vitrola rolando um blues, trocando de biquíni sem parar…”. More…

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Fernando Magalhães lança segundo solo instrumental

20 jan , 2014  

Fernando Magalhães lança segundo solo instrumental

Fernando Magalhâes Rock It Pitadas do Sal

Fernando Magalhães lança segundo solo instrumental

Em meio a lançamentos de discos nacionais de qualidade questionável, um disco de Rock, no que de melhor o termo representa, vem bem a calhar. Quando esse disco se mantém fiel ao básico, ao Rock direto, certeiro, sem firúlas, mas com amor ao ritmo transbordando em cada acorde, a novidade é mais que bem vinda. Dessa forma, o novo trabalho solo do guitarrista e compositor Fernando Magalhães, Rock It! é um bálsamo para os ouvidos tanto dos puristas, quanto para os simples amantes do gênero. Fernando Magalhães lança segundo solo instrumental

Lançado digitalmente pela Agência Digital e recém editado em CD pelo selo Toca Discos, Rock It! é a segunda incursão de Fernando em mostrar ao público um trabalho inteiramente instrumental (seu solo de estreia foi em 2007).

As 10 faixas do disco foram compostas por Fernando e pelo ex-Herva Doce, Roberto Lly, que também produziu o disco. “O Roberto é um músico de extremo talento. Como produtor, é um cara que resolve as coisas, não é de ficar dando voltas: você sugere algo e ele prontamente tenta executar, geralmente melhor do você imaginou. É um mestre do estúdio, com um bom gosto impecável. Além de tudo isto, é um ser humano maravilhoso, um grande amigo e companheiro. Fico muito honrado dele estar comigo nos dois CDs”, comemora Fernando.

Sobre o fato de ser um disco de rock instrumental, Fernando sabe que o mercado brasileiro não é tão afeito a esse nicho, mas que há um público fiel e é essa demanda que Rock It! veio suprir. “A música instrumental no Brasil tem o seu foco em festivais de Jazz e Blues, acontece em lugares específicos, para apreciadores deste gênero musical. Agora, o Rock instrumental, até para estes poucos espaços, às vezes é visto com certa estranheza. É um tipo de música para os fãs de rock, que não tem vínculo com o que faz sucesso nas paradas. Acho que é este público alvo que tem que ser alcançado, por meio da internet, imprensa especializada e rádios rock sérias. É um público grande e muito fiel, apesar de não tão aparente como o de uma banda de pop/rock. More…

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Flashmob – A alegria que a boa música provoca

18 jan , 2014  

Flashmob - A alegria que a boa música provoca

Flashmob pitadas do salFlashmob – A alegria que a boa música provoca

Assisti esse vídeo pela segunda vez nesse sábado a tarde. Não lembro quantos anos faz a primeira vez que o vi, acho que foi em 2012, mas recordo que gostei muito. Hoje, talvez por estar mais emotivo, me emocionei ao rever. A ação é promovida pelo banco espanhol Sabadell, por seu aniversário de 130 anos. Uma menininha coloca uma moeda para um suposto músico de rua. Este começa a  9ª de Beethoven  que termina executada por centena e meia de músicos e cantores. Flashmob – A alegria que a boa música provoca

Como a boa música tem o poder de mexer com nossas emoções. Isso fica claro nas expressões das pessoas na praça enquanto assistem a peça musical. Repare no rosto das crianças, com suas carinhas de pura felicidade.

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Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos

15 jan , 2014  

Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos

Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos

Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos – Motel Maravilha é o nome do quinto disco solo de Rodrigo Santos, cantor, compositor e, para a maioria, o baixista do Barão Vermelho. Porém, já faz seis anos que Rodrigo voa sozinho e aperfeiçoa a cada álbum seu estilo. “Musicaholic”, o músico consegue ainda arranjar espaço em sua agenda para participar de projetos dos amigos, ou mesmo diversificar seu som tocando em outras bandas que também faz parte.Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos

Para dar uma conferida no Motel Maravilha, você pode ouvir as faixas no hotsite do Rodrigo. O trabalho tem participações especiais de músicos como o percussionista Marcos Suzano, parceria com o eterno guitarrista do The Police Andy Summers, além de novas canções com os antigos parceiros George Israel e Mauro Santa CecíliaDisco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos como toda obra pop deve soar

No álbum, Rodrigo se preocupou mais com seu lado cantor. É visível, ou melhor, audível a sua evolução como intérprete e toca contrabaixo em apenas quatro canções, das 11 canções do disco.

Desde o grupo Front, do qual fazia parte nos anos 1980, Rodrigo vem sedimentando sua estrada na música brasileira. Por suas cordas já passaram sons da Blitz, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Léo Jaime, Lobão, Os Britos e Midnight Blues Band, além do Barão Vermelho, é claro.  Disco de Rodrigo Santos soa bem aos ouvidos como toda obra pop deve soar

Em suma, Motel Maravilha comprova que, além de ser o excelente baixista do Barão, Rodrigo Santos é um músico excelente e compositor de primeira. A boa música agradece.

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Músicas e imagens de Zé Ramalho: Registro

11 jan , 2014  

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Músicas e imagens de Zé Ramalho: Registro – da mesma forma como descrevi na postagem que fiz sobre Lenine, tive o prazer de, a trabalho, assistir e entrevistar o paraibano, batizado José Ramalho Neto e nascido em 3 de outubro de 1949, na cidade de Brejo da Cruz.

Gosto tanto de música brasileira que me sinto muitas vezes impelido a falar/escrever sobre esses artistas maravilhosos que fizeram minha cabeça. Afinal de contas, é sempre bom compartilhar, não é mesmo?

Em outras palavras, eu sou o amigo chato que tá sempre comentando sobre esses artistas que nos brindaram com uma obra ímpar e que tem todo meu apreço.

Zé Ramalho ficou órfão de pai aos dois anos de idade e, esse fato, certamente marcou o menino por toda a sua vida e isso iria se refletir em sua obra, anos mais tarde. Nessa época vai morar em Campina Grande.

Músicas e imagens de Zé Ramalho: Registro
Capa do primeiro álbum de Zé Ramalho/Divulgação

Avôhai

Criado pelo avô, a partir daí, mas não sem esquecer o pai, Zé Ramalho conta que 20 anos após o incidente que vitimara seu progenitor ouviu o nome “Avôhai” soprado em seus ouvidos por entidades cósmicas.

Não á toa, como resultado, Avôhai se tornaria uma de suas canções mais emblemáticas.

O meu velho e invisível
Avôhai!
O meu velho e indivisível
Avôhai!

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Foto: Divulgação

Músicas e artistas que influenciaram Ramalho

Em 1961 Zé Ramalho se estabelece com a família em João Pessoa. É na capital paraibana que o compositor dá seus primeiros passos no meio artístico e se insere nos conjuntos de baile. Mas, o mais importante, começa a galgar seus primeiros passos rumo ao primeiro time da MPB.

Nessa época, bastante influenciado pela Jovem Guarda. Ramalho inicia seu profissionalismo, que lhe seria bastante útil nos anos em que iniciaria a carreira que conhecemos hoje.

Mas, acima de tudo, é nessa fase dos grupos de baile em que participou que Zé se deixou influenciar com a música de Renato e seus Blue Caps, Roberto e Erasmo, e, mais importante, conhece os Beatles. A paixão pelo quarteto de Liverpool permaneceria com Zé pra sempre.

Posteriormente, da mesma forma, vieram artistas como Bob Dylan, Rolling Stones e Pink Floyd com todas as suas canções lisérgicas. O disco gravado em parceria com Lula Cortês, “Paêbiru”, por exemplo, tem muita influência da banda inglesa criada por Syd Barret.

As imagens e a literatura

Nos anos 1970, Zé Ramalho tem contato mais de perto com a arte produzida pelos artistas do sertão nordestino. Ao participar da trilha sonora do filme “Nordeste: Cordel, Repente e Canção”, emboladores, violeiros e rabequeiros do sertão, por exemplo, são incorporados definitivamente ao seu método de compor e interpretar.

Suas raízes, assim como as influências literárias de Vinícius de Morais e Carlos Drummond de Andrade, passam a ser os ingredientes da receita “zéramalheana” de ser.

Uma pequena mostra, mas essencial, do trabalho do mestre Zé!

https://open.spotify.com/playlist/1ZZPxSQR1Wp1XHjJUgz3C7?si=Q8QzlVNtQcmWUtZeeW5amQ

 Discografia Zé Ramalho

Tributos

Fonte da discografia – Wikpedia

 

Abaixo estão algumas fotos que fiz no show do Zé Ramalho, Scar, em  Jaraguá do Sul-SC, em 06/11/2011. Posteriormente ao show, rolou entrevista e foto no camarim. Em suma, Músicas e imagens de Zé Ramalho: Registro é minha homenagem a esse artista maravilhoso, que, acima de tudo, com sua obra, ajudou a moldar minha personalidade.

Músicas e imagens de Zé Ramalho: Registro
Músicas-e-imagens-de-Ze-Ramalho-Registro-pitadas-do-sal
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Músicas-e-imagens-de-Ze-Ramalho-Registro-pitadas-do-sal

por Ariston Sal Junior

Músicas-e-imagens-de-Ze-Ramalho-Registro-pitadas-do-sal
Eu e Zé, Zé e Eu!

 

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Pitadas

Sertanejo Universitário de cu é rola, Viva a boa música!

10 jan , 2014  

Sertanejo Universitário de cu é rola, Viva a boa música!

Sertanejo Universitário de cu é rola, Viva a boa música! – Sexta-feira passada (5) fui assistir ao show do Blues Etílicos, na Expresso Choperia, em Balneário Camboriú (SC).

Presenciei um espetáculo de profissionalismo, virtuose e amor à Música. Sim, com “M” maiúsculo mesmo. Um desfile de canções em que se percebia de forma harmoniosa a combinação de sons e silêncio.

Goste você ou não do gênero.

Ir ao show me deu a certeza de que nem tudo está perdido e que ainda se faz música por amor, com sinceridade, música honesta e não essas porcarias comerciais que poluem os dials das rádios e os programas de televisão.

Entristece-me em perceber que a cultura musical da grande maioria das pessoas é tão inexpressiva, que se contentam com uma pseudo-música feita por encomenda, para poluir os ouvidos dos mais exigentes.

Tudo bem que gosto é pessoal e blá-blá-blá, mas é inegável o talento musical que os caras do Blues Etílicos têm e o tesão que é ouvir música bem feita, bem executada. Onde estão os representantes do bom rock nacional atualmente? Fresno? NX0??? O que é isso, minha gente?

Sertanejo Universitário de cu é rola

Pior é perceber a quantidade absurda de duplas sertanejas, por exemplo, que pululam por aí. Esse povo multiplica mais que gremlins na chuva. Os jovens, aqui em Balneário, só ouvem isso dentro de seus carros, com o som em um volume ensurdecedor e patético. Pois atestar o mau gosto musical para todo mundo, para mim não tem outra explicação. Eu teria vergonha de ouvir esse tipo de música alto.

Da mesma forma foi lamentável também perceber que a casa não estava lotada, apesar da boa música. No entanto, se fosse um show dessas duplinhas de araque, ou de um grupo de breganejo, o local estaria mais cheio.

Mas a culpa é de quem? Das gravadoras? Da mídia? Da falta de cultura musical da maioria dos jovens?

Cheguei a uma triste conclusão: Se a música consumida hoje, requer rótulos esdrúxulos do tipo “universitário” e letras apelativas, ou atrizes pornôs que não sabem cantar, em coreografias lamentáveis, são porque o nível de exigência musical das pessoas, atualmente, está pior do que nunca. Pior é que não vejo um sinal de mudança. A galera tem preguiça de pensar e escutam o que está na moda, o que lhe empurram goela abaixo. Queria uma juventude brasileira mais exigente.

Kid Vinil tem razão sobre sertanejo

Lembrei de uma frase do Kid Vinil, ao discorrer sobre a qualidade musical feita no Brasil: “O que é sertanejo universitário? Na minha época de faculdade eu ouvia Chico Buarque”. Pois é, a música consumida hoje está muito ruim, em minha opinião e eu sei que muitos irão contra mim por esse desabafo. Mas vamos combinar: se “música é a arte de combinar sons”, vamos ao menos fazer a lição direitinha.

E quero fazer um apelo aos mecenas da vez, que ao invés de investirem sua grana em algo abominável, como Sexy Dools, valorize o jovem talento que investe uma vida inteira aprimorando seu dom e não consegue espaço na mídia para mostrar seu trabalho.

Lembre-se, Boa Música fica, atravessa gerações. As porcarias produzidas hoje em dia, como as do sertanejo universitário, acima de tudo, duram um verão e só e não acrescentam nada.

Como diria meu bom e velho amigo João Arnaldo, do Fórum Beatles Brasil.com, “Em uma sociedade como a nossa, em que as pessoas não estudam música, não tocam instrumentos musicais, não há como esperar nada melhor do que o que já temos. Ou vocês acham que é possível esperar que pagodeiros, com seu infinito conhecimento de música (Harmonia, Melodia e Ritmo), poderiam entender a beleza existente nas pautas de Vivaldi ?”

Post publicado pela primeira vez em 09/06/2009, em meu antigo blog, o PGNMB, em parceria com meus colegas da faculdade de jornalismo, Joel Minusculi e William De Lucca.

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Pitadas

Músicas e imagens de Lenine: Registro

5 jan , 2014   Video

Músicas e  imagens de Lenine, foi o que consegui casar em meu primeiro show do cantor e compositor pernambucano Oswaldo Lenine Macedo Pimentel. Como resultado, fiquei ainda mais fã do trabalho do cara.

Nascido em Fevereiro, sob o signo de Aquário, Lenine despertou cedo para a música.

Ainda menino, das brincadeiras no bairro de Boa Vista, no Recife, surgem as primeiras influências e referências musicais que iriam acompanhar o músico por toda vida.

O clássico álbum Canções Praieiras, do baiano Dorival Caymmi, por exemplo, foi companheiro constante nessa fase, além de Ângela Maria, Jackson do Pandeiro e Miltinho.

Posteriormente os eruditos Bach e Chopin também forjaram o gosto musical de Lenine. 

canções praieiras Musicas e Imagens de Lenine
Canções Praieiras – Primeiro álbum de Dorival Caymmi, lançado em 1954

Mais tarde, o rock’n’roll entraria na receita e formaria a base sólida que posteriormente moldaram as músicas e imagens de Lenine, da mesma forma que a MPB.

O cantor e compositor é autor de belos álbuns e, acima de tudo, de músicas que marcaram e fazem ainda a cabeça de uma galera carente de novos talentos no mainstream atual.

Músicas e Imagens de Lenine

Diferente de um fã ou um mero ouvinte de músicas antes do advento da Internet, hoje em dia é muito fácil ter contato com a obra de um artista.

Em outras palavras, basta estar conectado na grande rede para termos acesso ás músicas e imagens de Lenine, como de qualquer outro artista.

Mas nem sempre foi assim…

O começo não foi fácil

Foi o álbum Clube da Esquina, de 1972, lançado por Milton Nascimento em parceria com o mineiro Lô Borges, na época um menino, que fez com que Lenine interioriza-se em si o Brasil. 

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Capa de Clube da Esquina, lançado em 1972

Mas, foi somente a partir de 1981, com a realização do Festival MPB Shell, que Lenine, por exemplo, começa a definir suas músicas e imagem.

Além disso, nessa época, ele se instala em uma vila, no bairro carioca de Botafogo, ao lado do conterrâneo Lula Queiroga e outros músicos. Isso certamente pode ter contribuído para Lenine dar os primeiros passos a caminho do estrelato.

Após uma temporada de shows no Teatro Ipanema-RJ, para apresentar o trabalho e talento musical da turma.

Roberto Menescal aprova o que vê e, como resultado, o fruto disso é o álbum Baque Solto, lançado em 1983 em parceria com Queiroga.

Mesmo assim, só para esclarecer, precisou uma década para que Lenine saísse do anonimato, ou, para se usar um termo do meio, saísse do underground, para se tornar o artista que conhecemos hoje.

Com sua música, Lenine apresenta em seu álbum solo de 1993, Olho de Peixe, pérolas como O Último Pôr do Sol e Pedra e Areia. Em outras palavras, o artista que conhecemos hoje nasce ali.

As canções de Lenine nesse primeiro trabalho contaram com a participação luxuosa do percussionista Marcos Suzano e deram início as primeiras turnês internacionais do artista.

https://www.youtube.com/watch?v=

Lenine entra para o primeiro time da música brasileira

Após ganhar o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro, com seu disco de 2002, Falange Canibal, as músicas de Lenine passaram a ser uma constante no dial das rádios e, como resultado, a projeção de sua imagem passa fazer parte de programas de TV.

Lenine in Cité (2004) e Acústico MTV (2006) seguiram os passos de Falange e conquistaram o Grammy de melhor álbum. Além disso, as canções Martelo Bigorna e Ninguém Faz Ideia foram agraciadas com o prêmio de Melhor Música Brasileira. 

Além de cinco Grammy na estante, Lenine conquistou com suas músicas 12 Prêmios da Música Brasileira e dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte.

A partir de 2007, com o lançamento de Breu, composto para o balé da Companhia de Dança – Grupo Corpo, Lenine passa a definir um conceito antes de trabalhar as canções que comporão seus álbuns. O disco Triz, de 2013, também segue o mesmo molde, composto para outro balé da companhia e contém 10 canções do músico.

Labiata, de 2008 teve as orquídeas, uma das paixões de Lenine como inspiração. O disco foi batizado com uma espécie da planta do nordeste do país.

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Capa do Álbum Labiata, lançado em 2008

Em Chão (2011), que teve a produção em parceria com o filho Bruno Giorgi e Jr. Tostoi, o mote foi sons do cotidiano, “seja de uma chaleira, de um canarinho, de uma cigarra ou de uma máquina de lavar roupa”, conforme descrito no site oficial de Lenine.

Discografia Lenine

  • Baque Solto (1983)
  • Olho de Peixe (1993)
  • O Dia Em Que Faremos Contato (1997)
  • Na Pressão (1999)
  • Falange Canibal (2002)
  • Lenine in Cité (2004)
  • Acústico MTV Lenine (2006)
  • Labiata (2008)
  • Lenine.doc – Trilhas (2010)
  • Chão (2011)
  • Carbono (2015)
  • The Bridge – Lenine & Martin Fondse Orchestra (2016)
  • Lenine Em Trânsito (2018)

Em 2015 Lenine lança Carbono, inspirado nas raízes pernambucanas e fecha a trilogia iniciada em Labiata.

Os dois últimos trabalhos, The Bridge (2016) – gravado na Holanda, lançado também em DVD e Em Trânsito (2018), gravado no Rio de Janeiro, dá sinais que Lenine está sempre em movimento, se reinventando, em direção á uma nova visão sobre seu tempo.

As músicas de Lenine sempre preciosas

O bom das músicas de Lenine é que elas, embora tenham a marca registrada indelével do compositor, não se repetem e nem se perdem em fórmulas. 

Assim como um bom ourives, Lenine a cada canção lapida as imagens, letra e música de forma única a sempre nos brindar com uma nova jóia.

5 Pedaços do tesouro de Lenine

  • “Se você quer me seguir, não é seguro”
  • “A curiosidade de saber o que me prende, o que me paralisa, serão dois olhos negros como os teus que me farão cruzar a divisa?”
  • “Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência”
  • “Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão, eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos, como um deus, e amanheço mortal”
  • “Se tá puto quebre, tá feliz requebre, se venceu celebre, se tá velho alquebre e corra atrás da lebre”
https://www.youtube.com/watch?v=H8heUZxU92g

Lenine em canções e imagens

Tive a oportunidade de assistir Lenine apenas uma vez, em um show na cidade de Joinville, em uma festa tradicional da cidade. Na oportunidade, além das músicas, tive a felicidade de captar imagens (veja galeria no fim do post) e entrevistá-lo no camarim após o show. 

Isso ocorreu em 2011. A matéria saiu em um jornal que eu trabalhava na época, algumas fotos estão na galeria abaixo. Segue também um Top 10 Canções do Lenine, na minha opinião.

https://open.spotify.com/playlist/6BKpFIZDmKAU8XOcT7ATVf?si=xZ3iTc9_QhyNFu0HmvS7VA

Se você gostou do meu texto, compartilhe com seus amigos. É uma oportunidade de conhecer um pouquinho desse artista brasileiro que tem uma obra que já marcou a MPB. Quem sabe as músicas e imagens do Lenine também não façam a cabeça de novas pessoas, assim como fez a minha.

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Expoville, Joinville-SC
15/11/2010

Fotos por Ariston Sal Junior

Lenine e Sal, por Piero Ragazzi

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