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Palavras, Simples Palavras

18 jun , 2015  

Water Serpents - Gustav Klim Pitadas do Sal

Palavra
Palavra
Pura palavra
Dura
Palavra pura

Crua
Palavra sem pudor
Flor
Pura
Simplesmente flor

Flor
Púrpura
Calor
Onda
Futura onda
Ou seja lá o que for

Insípido objeto
Lívido
Rubro
Medo ruim
Pavor gostoso

Amor
(tristeza)
Amor
(alegria)

Criado
Princesa
Real fantasia

A lua
O sol

Mais lua aqui
Menos sol lá

Giro
Viro
Reviro
Suspiro

¿
O
Que
É
Aquilo
Ali
No
Ar
?

¿
Por
Quê
Respiro
?

¿
Por
Quê
Vivo
Procurando
Amar
?

por Ariston Sal Junior

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Uma poesia chamada “Ode Lúgubre”

14 mar , 2015  

ode lúgubre dia da poesia pitadas do sal

Um vazio luxuriante toma conta do âmago de quem mais nada espera!
Aglutinado no desvario que me movia amiúde
Galguei trôpego o teu covil umbroso

Tornou-se hábito provir do silêncio o indevido estado de torpor
Tua complacência terminou no meio de uma metade cortada
Insultei proferindo contra nada
Adulterei minha insólita jornada
Fui intransigente na estrada

Usurpando minha senda adversa ao teu mundo
Hostilizando a minha intrépida ação
A hidra lúbrica concisa rompe o tênue invólucro de sua mácula
Justapondo impávida o frêmito e a frivolidade!

A praia cintilante e seus casais diáfanos fazem alusão a um ser
Compelido a fazer parte de um melodrama sórdido
Onde um protagonista relapso é persuadido num perene amor dúbio

Meu olhar lívido e incauto infringiu mais uma vez teu decrépito refúgio
Num ímpeto escuso ludibrio seu coração meridiano

Com meu pérfido orgulho paliativo
Imbuído de prazer na margem do vale antigo
Peregrino a vasta cidade boreal do amor ambíguo
Casto!
Cético!
Com afã!

Teu frenesi efêmero me deixa combalido
Perco o equilíbrio adornando teu coração
Esgotou-se toda ênfase do princípio!

Teu crime passional e metafórico
É consumado num dia hediondo predestinado a ser perpétuo!

A serpente antagônica é martirizada em sua insanidade
Bailando lúgubre no seio dessa ode!

Num ledo engano me perco em sua ubiquidade
E meu pérfido orgulho paliativo
Me relata que não existe tua saudade!

por Ariston Sal Junior

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Poesia chamada “Uma”

2 out , 2014  

Poesia chamada "Uma"
Poesia chamada "Uma"

O Quarto – Van Gogh (!888)

Uma benção que necessito
Uma prece escolhida a dedo
Uma lembrança que guardo de ti
Uma vez mais não é sempre

Uma lágrima percorre meu rosto
Uma dúvida perambula minha vida
Uma tentativa fracassada de te amar
Uma esperança que insiste em me atrapalhar

Uma Mulher — Um Homem
Uma vida entranhada em outra
Uma amizade — Um amor nascido
Uma outra chance pra tentar

Uma vez em que choramos
Uma certeza de que nos amamos
Uma palavra que não conseguimos falar
Uma história irônica não sei contar

Uma culpa que nunca tive
Uma viagem que não realizei
Uma dor que em mim insiste
Uma ferida que não cicatrizei!

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Ode Lúgubre II (o fim do disfarce)

27 ago , 2014  

Escrevi esse texto (desabafo) entre os dias 14 e 15 do ano de 1993. Na época com 22 anos, gostava de escrever minhas histórias e experiências desde os 14. Escrevia na primeira pessoa, olhando pro meu umbigo e sentia inveja daqueles compositores e poetas maravilhosos que conseguiam externar em palavras sobre o mundo, o país, o estado, a cidade, ou mesmo sobre a rua em que vivia. Eu tinha dificuldades. Mas, ante os fatos que ocorreram naquele ano, culminando com a chacina na Candelária, onde menores de rua foram exterminados enquanto dormiam, escrevi esse desabafo que, pela primeira vez, publico aqui na Internet.

Ode Lúgubre II (o fim do disfarce)

Jardim das Delícias – por Hieronymus Bosch (1504)

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Pitadas

Um caderno chamado Minha Vida

22 ago , 2014  

Um caderno chamado Minha Vida

Há muito tempo em uma galáxia não tão distante, na verdade aqui mesmo, entre a segunda metade dos anos 1980 e início dos 1990, eu escrevia alguns textos sobre as coisas que aconteciam comigo… Eram nas páginas de um surrado caderno, o qual eu chamava de Minha Vida, que eu exorcizava meus fantasmas. Como não tinha grana para fazer uma terapia, eu escrevia. Alguns amigos me chamavam de “poeta”. Título muito nobre para um garoto que apenas escrevia o que sentia. O texto abaixo eu escrevi após dois episódios que vivenciei, seguidamente. O primeiro foi durante uma viagem de ônibus que fiz voltando do Leblon para Copacabana. O ônibus estava cheio, sem lugares para sentar e eu parei diante de uma menina, com minha velha mochila jeans, a qual estava o meu caderno dentro. Ela, gentilmente se ofereceu para “segurar” minha mochila. O segundo episódio foi alguns dias depois, em São Pedro d’Aldeia, na Praia do Sudoeste. Era a noite de um dia no meio da semana, férias de verão, eu e uns amigos iríamos ao “centro” da cidade. Uma de nossas amigas não quis ir, preferindo ficar sozinha na praia, que por ser no meio da semana, estava deserta. Eu entrei em casa, peguei meu caderno e a entreguei para que esse lhe servisse de companhia até voltarmos… No dia seguinte ela me devolveu o caderno com uma carta supercarinhosa, na qual me agradecia o gesto. Segue…

Um caderno chamado Minha Vida

Minha Vida

Apareceu você não sei bem de onde
Pediu a Minha Vida e a colocou em seu colo
Sem saber ao certo o que estava fazendo

Você folheou a Minha Vida
Sem saber que por onde seus olhos passavam
Era a Minha Vida

Minha Vida amassada
Gasta
Suja e rabiscada
Mas a Minha Vida

Você levou a Minha Vida para o seu quarto
E a deitou na sua cama
Dormiu
Sonhou
E se identificou com a minha vida

Você acordou com a Minha Vida por perto
E por dentro de ti

Chorou!
Sorriu!
E gozou com a Minha Vida

Por raros momentos Minha Vida fez parte da sua vida
Assim como de outras vidas
Hoje é apenas a minha vida

Minha Vida já andou por mãos delicadas
Foi vista por pessoas pequenas
E por olhos grandes como a lua

Minha Vida já viajou pra longe
E voltou pra minha vida

Já sorri muito e chorei demais para Minha Vida
Já inventei histórias verdadeiras para Minha Vida
Sobre a minha vida
Só a Minha Vida para aturar minha vida

A Minha Vida é o melhor e o pior da minha vida
A Minha Vida me dá forças para viver
A Minha Vida me vive
A minha vida é a Minha Vida!

E eu vivo a minha vida criando loucuras lúcidas
Num apetite voraz
De viver a Vida!

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Uma poesia chamada “Um Romance Noir”

2 mar , 2014  

Marlene Dietrich Romance Noir Pitadas do Sal

Foi quando ela entrou pela porta dos fundos
A cidade fez-se mais silenciosa que de costume
A cortina de fumaça pelas largas avenidas remetiam a um romance noir escrito na 3º pessoa
Os carros cintilavam seus faróis nas grossas gotas da tempestade
Ela é a heroína de cinema mudo, com sua imagem irretocável
Exceto pelo rímel borrado por uma gota que insiste em escorrer por sua face

Muda, completamente alheia ao temporal
Cambaleante a cidade acolhe seus pensamentos
Encolhe seus medos…
Não era para ser assim”, ela sussurra num tom grave abafado pela canção

Quantos acordes cabem na canção?
Quantos cigarros amassados no cinzeiro serão necessários para lhe mostrar que a sorte lhe sorriu e se foi
Ela deixou escapar…
Não soube manter…
Errou na escolha

Foi quando ela sentou-se a mesa ao fundo do bar
O som da banda soou mais contundente que de costume
O salão enfumaçado pelos cigarros
Os olhos acesos reiteravam a promessa que não foi feita
Como num filme classe “C” recheado de clichês
A luz sobre o veludo verde
A luz dos seus olhos verdes

Ela era a heroína de um romance “pulp”
Com seus sonhos em branco e preto
Exceto pelo seu desejo secreto
Borrado pelo batom dos meus lábios…

por Ariston Sal Junior

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Uma poesia chamada “Como Uma Prece Orada Com Fervor”

1 mar , 2014  

Poesias Pitadas do Sal

Como uma prece orada com fervor
Rogo sua presença
Tento manter o equilíbrio adornando teu coração
Catando estrelas nos seus olhos
Faço do seu pedido minha crença

Aguardo sangrando promessas que não fizemos
Escrevo num salmo seu imaculado nome
Não vale minhas lágrimas sobre a tempestade
Ou o alimento de suas palavras
Se é pelo seu corpo que tenho fome

Guardo teu mistério bem trancado numa arca
Purifico no bálsamo de seus lábios o meu medo
Nenhum sacrifício executado, nenhuma pedra atirada
Não é heresia te aspirar cada sílaba sagrada
Ou sonhar suave a primavera de teus pêlos

Como uma prece que não fizemos aguardo sangrando teus mistérios
Transformo seu pedido em minha profecia
Mantendo o equilíbrio no vale de seus olhos
Rogo cada sílaba sobre a tempestade
Sonhando suave estrelas setecentas vezes ao dia…

por Ariston Sal Junior

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Tudo que eu quero agora

15 fev , 2014  

Adulation of space - Magritte (1928)Teu telefone tá ocupado
Teu sinal tá fechado
Tua caixa postal tá lotada
Tua rede tá sem cobertura

Tua porta tá trancada
Teu freio de mão tá puxado
Tua estréia tá sem abertura

Eu já não sei em qual cadeira sentar
Que lugar na mesa devo ocupar
Que lado da cama posso dormir

Em qual vôo será melhor partir
Só sei que tudo que quero, agora, é sumir!

por Ariston Sal Junior

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Pintura Inacabada

8 fev , 2014  

Seduction III, Emma Ferreira (2009)

Seduction III, Emma Ferreira (2009)

Vida…
Me dá um sinal
Quero você!
Me encontra
Estou sozinho
Já rasguei poesias e paixões!

Mundo…
Me dá uma porrada
Quero acordar!
Grita comigo
Estou meio surdo
Já rasguei destino e mulheres!

Deus…
Me dá uma benção
Preciso de você!
Me ampara
Estou perdido
Mas não rasguei minha fé!

Solidão…
Me dá um tempo
Quero nesse momento!
Não sou esperto mas quero ficar
Já rasguei tempestades para amar!

Mulher…
Venha como vier
Seja como quiser
Amo você!

Mulher!
Já rasguei o passado pra remendar meu futuro

 

por Ariston “Sal” Junior

 

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